[[legacy_image_10547]] Uma testemunha regularmente intimada não compareceu nesta terça-feira (5) à Vara do Júri de Santos, e a audiência do homicídio do triângulo amoroso da Zona Noroeste foi adiada pela juíza Lívia Maria de Oliveira Costa. Preso desde o último dia 3 de julho, data do crime, quando foi autuado em flagrante sob a acusação de matar a facadas Bruno Botelho Vieira, de 23 anos, o réu Luiz Felipe de Oliveira Galdino, de 25, seria interrogado nesta terça-feira. Porém, o interrogatório também não ocorreu, porque ele só é realizado após todas as testemunhas prestarem depoimento. A data da próxima audiência ainda será definida. A testemunha que faltou é uma mulher. Sem justificar a ausência ao ato processual até o fim da tarde, ela foi indicada pelo juízo, conforme explica o advogado Armando de Mattos Júnior, constituído pela família da vítima para atuar como assistente da acusação. “Essa testemunha foi citada por outras como quem presenciou o homicídio. Por isso, o próprio juízo determinou que ela fosse também ouvida. Como o seu depoimento é considerado importante, houve o adiamento”, diz Mattos. Pivô do crime [[legacy_image_10548]] O adiamento frustrou amigos e familiares de Bruno, que compareceram em frente ao Fórum. Com a foto da vítima estampada nas camisetas brancas que vestiam, eles portavam cartazes e faixa pedindo “justiça”. O grupo também reivindicava a responsabilização criminal de Inaê Barreto Rodrigues, de 20 anos, apontada como pivô do crime. Ela mantinha relacionamento amoroso simultâneo com o réu e Bruno. A jovem e Luiz Felipe tiveram uma filha, atualmente, com 2 anos. Mãe de Bruno, a assistente de Recursos Humanos Creusa da Silva Botelho, de 51 anos, acusa Inaê de atrair a vítima até o local onde estava Luiz Felipe. “Eu li as últimas mensagens que meu filho trocou com ela pelo WhatsApp”. De acordo com Creusa, a senha do celular do filho era o ano de nascimento dela. Por isso, logo após o assassinato, a mulher pôde acessar o aparelho e examinar o diálogo mantido, momentos antes, entre Bruno e Inaê pelo aplicativo. “À meia-noite e dez minutos, Inaê perguntou se o meu filho lhe poderia levar R\$ 5. O Bruno estava em minha casa, no Rádio Clube, e foi ao lugar indicado por ela, no Castelo. Porém, quando chegou ao local, Luiz Felipe a acompanhava”, conta a mãe. Ainda conforme Creusa, Inaê entrou no apartamento no Conjunto Dale Coutinho onde morava com Luiz Felipe, deixando-o na rua com Bruno. Não demorou muito, o réu esfaqueou a vítima e foi capturado em flagrante. Homicídio qualificado Segundo o promotor Geraldo Márcio Gonçalves Mendes, o homicídio foi qualificado pelo motivo torpe. Luiz Felipe não aceitava o término da relação com Inaê e não admitia que ela mantivesse caso amoroso apenas com Bruno. Ainda conforme o representante do MP, o emprego de recurso que impossibilitou a defesa da vítima também qualificou o delito, porque o réu “dissimulou a sua intenção homicida” e surpreendeu Bruno com o ataque a facadas. Geraldo Mendes requereu o arquivamento, por falta de provas, do inquérito policial instaurado para apurar a eventual participação de Inaê no crime. Mas o advogado Mattos Júnior ressalvou que a investigação contra a jovem, “se surgirem fatos novos”, poderá ser reaberta.