Quase R\$ 200 mil em espécie, barras de ouro, joias, relógios de alto valor e outros itens ilícitos foram apreendidos durante a operação (Daniel Rodrigues/ AT) Dois procurados pela Justiça, apontados como integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), foram presos em prédios de alto padrão em Praia Grande, no litoral de São Paulo, durante a Operação Helmintos, deflagrada nesta quinta-feira (3) para desarticular um núcleo da facção suspeito de exercer influência sobre atividades econômicas e políticas no município da Baixada Santista. Um terceiro homem foi detido em flagrante após, segundo a Polícia Civil, acobertar provas, ao tentar abandonar um celular durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Anderson Roberto Braghine, conhecido como Fio, e Leonildo Marinho de Andrade, o Nenê, foram presos. Alexander Miguel da Silva, o Gordão, e Ronaldo Yuzo Sekiya, o Japonês, seguem foragidos. O grupo é suspeito de movimentar cerca de R\$ 1 bilhão em um esquema de lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas. Na ação, foram apreendidos R\$ 195 mil em espécie, quatro barras de ouro, cerca de 40 documentos relacionados a imóveis, avaliados juntos em aproximadamente R\$ 15 milhões, uma arma de fogo falsa (simulacro), uma CPU, dois tablets, diversos relógios, 21 aparelhos celulares, três carros de alto valor, seis caminhões, um trator e uma empilhadeira, além de aproximadamente R\$ 22 milhões bloqueados em contas bancárias vinculadas aos alvos da operação. A ação ocorreu após a Polícia Civil pedir à Justiça a prisão temporária dos quatro homens e o cumprimento de mandados de busca e apreensão e o bloqueio de contas e investimentos. Também foi determinado o sequestro de 29 imóveis vinculados aos investigados. Esquema com empresas, bares, restaurantes e quiosques Segundo a investigação, o esquema envolvia imóveis de luxo, empresas de fachada, como choperias, bares e restaurantes, e o domínio de ao menos quatro quiosques públicos na orla Praia Grande. A estrutura teria sido utilizada para integrar recursos ilícitos à economia formal. As ações também ocorreram em imóveis comerciais e residenciais, empresas e endereços de Guarujá, Santo André e Santana de Parnaíba. Segundo a Polícia Civil, uma ordem judicial foi cumprida na Divisão de Licitações da Prefeitura de Praia Grande. Fio e Nenê, que tinham mandados de prisão em seu desfavor, foram presos em imóveis de alto padrão de Praia Grande (Daniel Rodrigues/ AT) Funções O delegado da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Itanhaém, Bruno Lázaro, contou para A Tribuna que Leonildo tinha a função de recolher dinheiro em espécie. “Na organização, eles conseguiam fazer as transferências. Ele transformava dinheiro em crédito em espécie para poder realizar a movimentação da organização. E o Anderson era a grande liderança, o cara que tinha os quiosques; ele que orquestrava”. Segundo o delegado, o grupo fazia a própria lavagem dos recursos obtidos com o tráfico. “Dentro desse núcleo celular da organização criminosa, eles faziam a autolavagem. Não terceirizavam. Eles mesmos tinham as estruturas para fazer a lavagem deles, que era o dinheiro provido do tráfico de drogas”. Conforme apurado com a Polícia Civil, Alexander Miguel da Silva, o Gordão, seria responsável por captar valores da venda de drogas em larga escala junto a outros integrantes do PCC, por meio de uma empresa “fantasma” e de imóveis por procuração. Ronaldo Yuzo Sekiya, o Japonês, é apontado como um “homem de confiança” da organização, atuando como operador financeiro ligado diretamente a Alexander. SSP Segundo a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), as buscas tiveram como objetivo apreender documentos e contratos, registros financeiros, aparelhos eletrônicos, dinheiro em espécie, armas e outros elementos que possam contribuir para o aprofundamento das apurações sobre os crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas. Ainda de acordo com a pasta, as investigações continuam para identificar outros envolvidos e esclarecer a extensão patrimonial, econômica e política do esquema. A Tribuna não localizou as defesas de Fio, Gordão, Japonês e Nenê. O espaço segue aberto para posicionamento.