Influenciadora suspeita de ligação com a máfia italiana, Paula Simões da Cruz publicou frase nas redes sociais sobre ter coragem de 'botar fogo' em pessoas (Reprodução/ Redes sociais) A influenciadora digital Paula Simões da Cruz, de 34 anos, presa preventivamente por suspeita de envolvimento em um esquema de tráfico internacional de cocaína ligado à máfia italiana 'Ndrangheta, publicou nas redes sociais uma frase sobre ter coragem de “botar fogo” em outras pessoas. A mensagem foi divulgada em seu perfil no Instagram, onde ela reúne cerca de 29,6 mil seguidores. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Se as pessoas soubessem que tenho coragem de botar fogo nelas, não arriscavam tanto a sorte de me tirarem o juízo”, escreveu Paula. Não há, no entanto, indicação de que a publicação esteja relacionada às suspeitas investigadas pela Polícia Federal (PF) ou seja direcionada a uma pessoa específica. O caso envolvendo a influenciadora foi exibido pelo Fantástico, da TV Globo, no domingo (11). Segundo a investigação, Paula teria assumido funções de liderança no esquema criminoso após a prisão do marido, Patrick Assisi, e do sogro, Nicola Assisi, em julho de 2019, em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Nas redes sociais, ela se apresenta como criadora de conteúdo digital e compartilha publicações sobre maquiagem, cuidados estéticos, música e vídeos de dança. Liderança De acordo com informações da investigação reunidas em decisão da Justiça Federal, Paula é suspeita de ter assumido a coordenação de atividades relacionadas ao tráfico internacional de cocaína após a prisão dos familiares. Nicola e Patrick Assisi foram presos em 8 de julho de 2019, na Baixada Santista, durante a Operação Retis. A ação cumpriu mandados de prisão para fins de extradição expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido das autoridades italianas. De acordo com a PF, Paula utilizava o codinome “Chanel” no aplicativo de mensagens criptografadas SkyECC. Os investigadores analisaram conversas entre janeiro de 2020 e fevereiro de 2021 e apontaram indícios de que a influenciadora teria negociado com fornecedores de drogas, coordenado carregamentos de cocaína destinados ao exterior e participado da movimentação financeira da organização criminosa. A investigação também atribui à influenciadora a administração de aproximadamente 2,2 toneladas de cocaína que teriam permanecido sob controle do grupo após a prisão dos familiares. Segundo a PF, Paula teria continuado a negociar novos carregamentos mesmo depois da apreensão desse estoque. A atuação de Paula chamou a atenção dos investigadores, porque a 'Ndrangheta tradicionalmente não costuma colocar mulheres em posições de liderança. As apurações conduzidas por autoridades brasileiras e italianas, com apoio da Interpol, teriam identificado uma exceção nesse padrão, com a suspeita de que ela representasse os interesses do grupo no Brasil. Advogado de Santos também é investigado A investigação também envolve Patrick Raasch Cardoso, advogado de Santos. Segundo a PF, ele teria atuado como intermediário entre integrantes da organização criminosa presos e membros que continuavam em liberdade, além de participar da coordenação de remessas de drogas. À esquerda, Nicola Assisi; ao centro, o advogado Patrick Raasch Cardoso, e à direita, Patrick Assisi (Reprodução e Polícia Federal/ Divulgação) Segundo a PF, o grupo investigado estaria ligado a pelo menos 11 apreensões realizadas entre 2019 e 2020, que somaram mais de 4,6 toneladas de cocaína destinadas à Europa. Cerca de 2,1 toneladas teriam sido apreendidas antes da prisão de Nicola e Patrick Assisi. O trabalho contou com uma Equipe Conjunta de Investigação formada por autoridades brasileiras e italianas entre 2020 e 2025. No Brasil, participaram a PF e o Ministério Público Federal (MPF). Na Itália, integraram a equipe o Departamento Anticrime de Turim do ROS Carabinieri e o Ministério Público de Turim. Prisões e bloqueio de bens A Justiça Federal decretou a prisão preventiva de Paula e de outros investigados no âmbito da Operação Eredità. A decisão também determinou o bloqueio de bens e valores e o sequestro de imóveis relacionados aos suspeitos. Conforme a PF, os investigados poderão responder, de acordo com a participação atribuída a cada um, por tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro. As acusações ainda dependem de análise judicial. Posicionamentos A defesa de Paula Simões afirmou ao Fantástico que ela nega todas as acusações e ressaltou que nenhuma droga foi apreendida diretamente com a influenciadora. Segundo o advogado, a suspeita de continuidade das atividades criminosas após a prisão dos Assisi decorre de inferências da autoridade policial, e não de fatos comprovados. Já a defesa de Patrick Cardoso declarou que o advogado sempre atuou dentro dos limites da profissão ao longo de seus 25 anos de carreira e informou que apresentou um pedido de revogação da prisão preventiva.