O idoso morreu dias após o encontro com a mulher que conheceu em um aplicativo de relacionamento (Reprodução e Divulgação) Um idoso, de 74 anos, morreu após marcar encontro com uma mulher por aplicativo e ser vítima do golpe ‘Boa noite, Cinderela’ durante um churrasco. Grogue, ele ficou agonizando por três dias, caído no chão do banheiro de casa, onde vivia sozinho, no Bairro Jardim Real, em Praia Grande. Após ser encontrado, ele foi internado mas acabou morrendo. (Veja vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A Polícia Civil iniciou uma densa investigação criminal para o caso. Uma mulher chamada Lucimara, de 44 anos, foi presa na quinta-feira (5) em Campinas pela equipe do 3º Distrito Policial (DP) de Praia Grande com auxílio do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). Ela é tia da suspeita de ter conversado com o idoso após o ‘match’ no aplicativo de encontros, e aparece em imagens de monitoramento junto com a vítima em um mercado. De acordo com o delegado do 3º DP Rodrigo Martins Iotti, uma das duas mulheres teria marcado um encontro com o idoso pelo aplicativo de relacionamentos, levou a companheira, e marcaram um churrasco na casa da vítima. Depois disso, doparam o homem e levaram seus pertences. Devido a uma dosagem descontrolada, mais forte que o necessário, a investigação levou o delegado a crer que o idoso, desorientado, acabou caindo no banheiro e ficou todos esses dias lá. A descoberta Tudo começou quando, no dia 9 de agosto deste ano, o neto do idoso suspeitou do desaparecimento do avô e, depois de três dias tentando contato, desceu da capital paulista para encontrá-lo na casa em que ele vivia sozinho. No local, encontrou a vítima caída no chão do banheiro e o levou ao hospital. Depois de dois dias internado, o idoso morreu. A família suspeitou que algo estava errado quando notou que itens da casa dele não estavam mais lá, como o celular, televisão e até uma quantia de dinheiro que ele costumava guardar em casa. Não há confirmação de quanto foi levado, porém o delegado afirmou que a família estima que um valor entre R\$ 15 mil a R\$ 30 mil estava guardado com o idoso. Esses fatores levaram ao registro de um boletim de ocorrência, a princípio por morte natural, e a abertura de uma investigação. Mercado Em um levantamento nas contas da vítima, os investigadores descobriram que o idoso fez uma compra no mercado um dia antes do último contato feito com os familiares. Os itens comprados indicaram que a vítima faria um churrasco com bebidas alcoólicas. Com as imagens do sistema de monitoramento do estabelecimento, duas mulheres foram identificadas próximas ao idoso, e também foi possível descobrir que elas utilizaram um carro para o transporte que não era o da vítima. Os investigadores começaram a averiguar a placa do veículo. Com ajuda das câmeras espalhadas pelo Município, o delegado explicou que a equipe chegou ao endereço do dono: um barbeiro, morador de Campinas, sem qualquer antecedente criminal. As redes sociais dele foram examinadas pela Polícia Civil para encontrar alguma mulher parecida com as duas das imagens de monitoramento. -vídeo do face (1.433216) Através delas, os agentes descobriram que a namorada do barbeiro tinha passagem por um crime de receptação acompanhada de outra mulher chamada Lucimara. Em outra pesquisa, foi descoberto que essa autuada também podia estar envolvida em outro crime semelhante em Sorocaba. A vítima de lá tinha passado pelo golpe ‘Boa noite, Cinderela’ após um encontro marcado por aplicativo de relacionamentos. “As características dessas mulheres que foram narradas pelas vítimas de Sorocaba eram exatamente as mesmas das que nós (equipe) vimos no vídeo aqui do mercado”, ressalta o delegado. Essas semelhanças fizeram a Polícia Civil associar que o idoso de Praia Grande havia sido vítima do mesmo tipo de golpe, porém acabou morrendo em decorrência da ação dessas mulheres. Exumação O corpo do idoso teve que ser exumado para passar por novos exames periciais do Instituto Médico Legal (IML). “O laudo ficou pronto e confirma nossa linha de raciocínio. Não havia nenhuma lesão. Embora o tempo que a vítima ficou enterrada tenha prejudicado a necropsia, ele não apresentava fratura ou lesão que indicasse agressão”. “Quando interroguei a Lucimara, que foi presa por nós, perguntei a ela se sabia indicar a quantidade de cada substância que havia colocado no copo da vítima, e ela disse que não, que colocou ‘de olho’. Isso indica que elas não fazem cálculo pelo peso da vítima, o que pode causar consequências para a saúde”. Outro crime Outro crime semelhante aconteceu no interior de São Paulo e, segundo o delegado, o mesmo carro estaria envolvido. Iotti expediu um mandado de busca e apreensão e prisão preventiva das suspeitas. A Justiça concedeu, e Lucimara foi presa na madrugada desta quinta-feira (5), em Campinas. Sua sobrinha Naila, de 29 anos, segue foragida. Parte dos bens subtraídos das casas das vítimas foram encontrados e restituídos. O carro utilizado no crime foi encontrado e apreendido. Sobre a quantidade em dinheiro levada, Lucimara disse que apenas R\$ 550 foram localizados dentro da casa “Por muito pouco não passou por uma morte natural”, comenta Iotti, destacando que foi graças às suspeitas da família após o sepultamento que a investigação começou. Depoimento Lucimara relatou à autoridade policial que a sobrinha trabalhava com programas e foi contratada pelas vítimas. De acordo com o delegado, uma justificativa foi dada pela suspeita para cada crime imputado a ela, como o não pagamento do serviço oferecido pela mulher. “Ela confessou os três crimes, mas sempre colocou a culpa na vítima. No caso do idoso, ela falou que ele disse que era do PCC (a facção criminosa Primeiro Comando da Capital), então a gente sabe que é uma falácia, uma mentira para justificar a ação que elas não saíram de casa com o coquetel de ‘Boa noite, Cinderela’ pensando que a vítimas iriam coagi-las ou não pagar o programa”. Agora as investigações continuam para descobrir a localização de Naila.