Idosa teve diversos ferimentos e precisou ser socorrida; filho foi preso em flagrante de ser suspeito pelo crime (Daniel Rodrigues/AT) A idosa de 76 anos que caiu do 3º andar de um prédio localizado no Banco Nacional de Habitação (BNH), identificada como Geralda Correia de Jesus, morreu no início da manhã desta quarta-feira (6), em Santos, conforme apurado por A Tribuna. Ela estava internada desde o ocorrido, que resultou na prisão do filho dela, Hórus Alves Monteiro de Jesus, um bombeiro militar de 45 anos. Ele é suspeito de ter empurrado a própria mãe pela janela do imóvel. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo o boletim de ocorrência, logo após a queda, o filho da idosa foi visto olhando pela janela. Em seguida, ele tentou deixar o local, mas foi confrontado por vizinhos. Uma moradora disse à Reportagem que o bombeiro omitiu socorro à própria mãe. Tanto vizinhos que testemunharam o fato como o filho da vítima prestaram depoimento à Polícia Civil. Como houve contradição entre as versões apresentadas, o bombeiro foi preso e levado para o Presídio Militar Romão Gomes, em São Paulo. O caso foi registrado como tentativa de feminicídio. Relembre O caso aconteceu na Rua Jurubatuba, no bairro da Aparecida, no início da noite de segunda-feira (4). A vítima caiu do 3° andar e teve ferimentos graves, como traumatismo cranioencefálico e do tórax, além de um corte profundo na sobrancelha. Ela foi socorrida e levada à Santa Casa de Santos, onde precisou ser entubada. Testemunha Segundo uma moradora ouvida por A Tribuna e que não quis se identificar, o bombeiro demorou a acionar o socorro para a mãe. “Ela estava no chão. Eu ouvi meu genro e filha gritando na janela: 'a senhora caiu, chama a ambulância, chama o bombeiro, chama a polícia'. Nós descemos, chegamos lá embaixo e só um tempo depois o filho dela desceu do apartamento e começou a gritar ‘não chama não, pode deixar que eu chamo, porque eles são mais rápidos porque sou militar’”, contou. Segundo ela, o bombeiro disse que o telefone estava bloqueado e ele alegava que não conseguia desbloqueá-lo. Por conta disso, a mulher ficou indignada e reagiu. “Dei uns tapas nele, puxei a roupa dele. Ele subiu de volta para o apartamento e desceu depois. Ele se omitiu em chamar o socorro”, afirma. Depois disso, as pessoas começaram a se aglomerar no local. A Polícia Militar (PM), bombeiros e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) haviam sido chamados e chegaram. Conforme a moradora, era comum o desentendimento em casa: “Tinha discussão lá todos os dias. De madrugada, ele chegava, ficava xingando, batendo, arremessando coisas dentro de casa. A vizinha de baixo chegou a subir na casa dele. Era uma hora da manhã e bateu na porta, e falou pra ele parar com aquilo, pois iria chamar a polícia. Foi quando ele se acalmou e parou”. Contradições O depoimento que Hórus prestou à Polícia Civil apresentou contradições em relação ao que foi relatado pelas testemunhas do caso. O bombeiro militar, que está afastado de suas atividades por problemas de saúde, indicou que a mãe havia atentado contra a própria vida. Por essas contradições, o caso passou a ser apurado como tentativa de feminicídio. Conforme o BO, a Polícia Civil também tentou ouvir a idosa pouco antes de ela ser entubada. Contudo, ela estava confusa e não se lembrava de ter caído da janela do apartamento.