[[legacy_image_311381]] Mais de quatro horas de pânico. Foi esse o tempo que um engenheiro santista, de 44 anos, passou sob ameaças de criminosos durante sequestro na Praia do Sangava, em Guarujá, na última sexta-feira (10). Em entrevista para a reportagem de A Tribuna, ele contou detalhes do ocorrido e disse que, quando os sequestradores o liberaram, ele fugiu por uma mata fechada e teve que nadar mais de 800 metros até retornar à praia e realmente conseguir ir embora. No entanto, preferiu não ser identificado na matéria. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! “Ainda estou me recuperando psicologicamente. A todo momento, lembro de flashes do ocorrido. Meu pai ficou apavorado. Várias situações que aconteceram durante a ação ainda perpetuam na minha cabeça. Vai ser difícil esquecer”, relata o engenheiro. Ele conta que pratica canoagem e costumava ir quase todos os dias para essa praia de Guarujá durante os treinos. Quando foi abordado pelos criminosos, eles pegaram o celular do engenheiro e o fizeram realizar ligações para o banco, para tentar aumentar os limites de transferências. Além disso, exigiram ligações para o pai dele, pedindo um resgate de R\$ 30 mil, mas não tiveram sucesso. “Foi muito tenso, porque tinha um (sequestrador) mais violento, que era o que estava com a arma. Já o outro era mais calmo. Foi bem difícil. A todo momento, eu fui tentando dialogar com eles e tentando resolver o quanto antes para eles pegarem o dinheiro e irem embora”. O engenheiro afirma que os sequestradores conseguiram transferir mais de R\$ 9 mil para conta deles, mas não obtiveram os R\$ 30 mil desejados. Isso porque, por volta das 19h, a bateria do celular da vítima acabou e os sequestradores desistiram, levando o engenheiro para uma trilha. “Eu tive que voltar na trilha à noite, me perdi e fui parar quase perto da Ilha das Palmas. Descendo ribanceiras, acabei cortando o pé, a perna e caí em várias situações, pois não dava pra enxergar direito, era uma mata fechada. Da Ilha das Palmas, consegui nadar até o Sangava pra voltar pra pegar o meu caiaque que eles (os sequestradores) esconderam. Com isso, retornei pro deck do pescador por volta de umas 21h30”, relata. Sobrevivendo para contarO engenheiro acrescenta que ter os aplicativos bancários acessíveis ajudou a salvar a vida dele. “Se eu não tivesse isso, talvez não estaria falando com vocês, porque eles foram bem categóricos. Se eu não conseguisse tirar o dinheiro, eles iam ficar na mata comigo até que conseguisse ligar para a família para tentar fazer o resgate. Graças a Deus, houve a possibilidade de eles tirarem a quantia. Foram bens materiais... Que a gente recupera! Mas não a vida. Infelizmente, estamos reféns da bandidagem”, comenta. De acordo com o engenheiro, um dos criminosos era branco, de olhos claros, cabelo raspado e estava com outro homem moreno, com diversas tatuagens no peito, costas e na mão esquerda. A vítima ainda conta que essa foi a primeira vez que passou por uma situação assim, mas se sente grato por ter sobrevivido para contar a história. “Graças a Deus, nada demais aconteceu, além desse ocorrido. Estou bem e o mais importante é que eu estou vivo depois de tudo. Isso é o que mais prezo na minha vida. É a minha possibilidade de continuar remando, de continuar dando o melhor para os meus três filhos. No momento, só pensei neles e na minha família e, graças a Deus, estou aqui para contar isso”, conclui.