[[legacy_image_275077]] O homem que esfaqueou a irmã mais nova e um vizinho no último dia 6, no conjunto habitacional Rubens Lara, em Cubatão, já teria brigado com uma das vítimas e escondido o laudo de esquizofrenia da família. As informações são dos envolvidos com o ocorrido. Sirleide Borges Silva, esposa de Jânio Tavares da Silva, que foi vítima fatal do agressor, diz que o marido já teria discutido com o vizinho há cerca de seis meses. Segundo o advogado da família, Erik Verçosa, a família morava no terceiro andar do condomínio, enquanto o criminoso no andar superior, no quarto andar. A mulher conta que a discussão aconteceu durante seu período de pós-parto, quando o vizinho do andar de cima, estaria fazendo muito barulho e os incomodando. Na ocasião, Jânio teria batido com um cabo de vassoura no “teto” para alertar os vizinhos. “No dia seguinte, ele apareceu em casa e discutiu sobre o que aconteceu. Não sabemos se ele guardou rancor disso”, conta. Ela também relembra que cerca de 15 dias antes da agressão que tirou a vida de seu marido, o vizinho teria se aproximado enquanto ele lavava o carro e tentado firmar uma amizade. "Até parece que ele estava premeditando para acontecer esse algo”, conta. O advogado ainda ressalta que fará o possível para ajudar a vítima a garantir os seus direitos. LaudosEm entrevista para a reportagem de A Tribuna, a irmã mais nova, que também foi vítima do agressor, conta que foi achado nos pertences dele, um laudo de esquizofrenia. Segundo ela, a família não tinha conhecimento sobre o diagnóstico. Ela ainda diz, que sabia que o irmão tinha depressão e o ajudava com outras demandas de saúde, como, por exemplo, problemas no coração. A vítima ainda ressalta que ele não era agressivo e que sempre foi amoroso e prestativo. “Como não fomos criados com a figura paterna, ele exerceu esse papel. Era muito cuidadoso e protetor” , relembra. Ela também conta que ele é casado e tem duas filhas. Por isso, ficou espantada quando o viu em surto, na manhã de terça-feira, 6 de junho. “Acho que nem a mulher dele sabia; Achávamos que era apenas uma depressão pós-traumática. Mas, descobrimos que também sofria de transtornos de ansiedade e bipolaridade”. A irmã, que levou 14 pontos na mão após se defender de golpes de facadas, diz que o homem estava fora de si. “Ele falou que ia me matar, matar o meu marido e minha filha, sendo euq ela era o xodó dele, a sobrinha favorita”, conta. Ela ainda atribui a Deus, o livramento da filha não ter a seguido, pois poderia ter sido fatal. Ela também diz que não saberia o que fazer caso isso tivesse acontecido e que não sabe o porquê dele tê-los escolhido como alvo. “Se tivéssemos morrido, não saberíamos o porquê”. A vítima diz que se soubesse dos diagnósticos do irmão, teria sido diferente. A família o teria apoiado e ajudado. “Ele escondeu tudo isso, e aconteceu essa tragédia ”. Perdão"Mamãe, você perdoou o titio?”, essa foi a pergunta que a filha de seis anos fez ao ver a mulher pela primeira vez. Ela ainda estava ensanguentada e atordoada com o ocorrido. Posteriormente, a criança também fez a mesma pergunta para o pai. Apesar do laço sanguíneo que liga com o irmão mais velho, a mulher diz querer justiça, por ela e pela família de Jânio, que teve uma perda irreparável. “Ele tem que pagar elo que ele fez. Isso é fato”. Ela ainda diz que Deus tem dado forças para a família enfrentar a situação diariamente, que tem sido difícil para todos, inclusive, para a sua mãe. O casoNo último dia 6, um homem em surto psicótico esfaqueou a irmã mais nova e um vizinho. O agressor, de 37 anos, foi atrás da mulher, de 33, após invadir a casa do vizinho e dar golpes de faca em seu rosto. Ele também correu pelado pelo condomínio e entrou em luta corporal com a irmã caçula e o cunhado. Segundo a Polícia Civil, ele dizia repetidamente que pretendia matá-la. A mulher, irmã do agressor, sofreu ferimentos leves, foi medicada e recebeu alta. Já o vizinho foi encaminhado para o Hospital Municipal, onde ficou sob cuidados médicos até a manhã de hoje, quando teve a morte conformada. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o agressor foi contido pelo cunhado e, posteriormente, preso e algemado por Policiais Militares (PMs). A faca usada no crime foi apreendida e periciada. O caso havia sido registrado como tentativa de homicídio, no 2° Distrito Policial de Cubatão.