Denilson (à esquerda) foi morto a facadas; Alysson (à direita) confessou o crime aos policiais e foi solto (Reprodução/ Redes sociais) Alysson Augusto Alves Franco, de 27 anos, que confessou ter matado o cabeleireiro Denilson Nascimento Alves, foi colocado em liberdade provisória, após decisão da Justiça que revogou a prisão preventiva. O crime ocorreu em Iguape, no litoral de São Paulo, na madrugada de 31 de janeiro. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Inicialmente, Alysson foi preso em flagrante, mas teve a liberdade provisória concedida após audiência de custódia. Dias depois, em 5 de fevereiro, voltou a ser preso temporariamente por decisão judicial, a pedido do Ministério Público Estadual (MP-SP), que apontou risco de interferência nas investigações. Alysson deixou o Centro de Detenção Provisória (CDP) após a expedição de alvará de soltura na última quinta-feira (30). A decisão foi tomada após a defesa entrar com um habeas corpus com pedido liminar. Apesar da soltura, a Justiça impôs medidas cautelares, como a utilização de tornozeleira eletrônica, não poder manter contato com testemunhas e o comparecimento aos atos do processo quando convocado. A advogada da família da vítima, Maria Claudia Ribeiro Calixto, afirmou para A Tribuna que “com certeza irá recorrer dessa decisão”. O MP-SP foi procurado, mas não se manifestou. O processo tramita em segredo de Justiça. Relembre o caso Conforme os autos do processo, aos quais a reportagem de A Tribuna teve acesso, a ex-mulher de Alysson e sobrinha de Denilson relatou para a Polícia Civil que, horas antes do crime, estava com o então marido em shows na cidade de Iguape e, depois, em Ilha Comprida, município vizinho no litoral de São Paulo. De acordo com o depoimento, durante os shows, ela percebeu trocas de mensagens entre o marido e Denilson com tom de discussão. Após ser bloqueado por Alysson, o cabeleireiro teria começado a enviar mensagens para a sobrinha. Segundo ela, Denilson dizia que precisava contar algo para ela e o marido pessoalmente – e que, se eles não fossem, a situação seria pior. Depois dos shows, Alysson e a mulher seguiram até a residência do cabeleireiro. Ao chegarem ao local, Denilson teria ido até o portão e dito a Alysson: “Eu conto ou você conta?” Em seguida, o cabeleireiro afirmou que os dois mantinham um caso amoroso há muito tempo. Alysson respondeu que contaria o que quisesse e negou o relacionamento. A ex-mulher relatou que ficou nervosa e disse que não queria mais vê-los – conforme apurado por A Tribuna, o casal tem uma filha de 7 anos e estava junto há quase uma década, porém a relação terminou após o episódio. Neste momento, Denilson teria exibido uma faca, que estaria escondida atrás do corpo, e ameaçado Alysson: “Olha aqui para você”. Durante interrogatório, Alysson relatou que o cabeleireiro estava transtornado e teria levado o objeto próximo ao seu rosto e pescoço. Aos policiais, ele alegou que entrou em luta corporal para se defender e que possui um corte na mão causado por isso. Ainda no relato, negou que o ato tenha sido premeditado e disse estar arrependido. Segundo o depoimento da ex-esposa de Alysson, o ex-marido aparentava estar atordoado e repetia que apenas havia se defendido. Ela declarou que tentou intervir para separar os dois e viu Alysson recuar, dizendo: “Vamos embora, não aconteceu nada”. Na sequência, percebeu Denilson caído e sangrando, mas ainda respirando. Após chamar socorro, ela permaneceu no local aguardando a chegada da equipe médica. Conforme o laudo necroscópico anexado ao processo obtido por A Tribuna, Denilson foi atingido por ao menos cinco facadas, algumas delas quando já estava caído no chão. A sobrinha do cabeleireiro e ex-esposa de Alysson afirmou que viu o momento em que o tio já estava no chão quando o ex-marido continuou a desferir golpes, enquanto ela pedia para que ele parasse. Na manifestação, o Ministério Público aponta que a mãe da vítima relatou à polícia ter ouvido gritos de uma mulher dizendo “pare, pare, pelo amor de Deus, pare, Alysson”. Após o crime, Alysson fugiu de carro e se encontrou com uma amiga, de 18 anos. Para a Polícia, a jovem afirmou que ainda estava no local do show, no Centro de Iguape, quando recebeu ligações e mensagens dele pedindo que fosse encontrá-lo. Ao chegar, a jovem encontrou Alysson nervoso e alterado, dizendo que “havia feito uma m… muito grande” e que tinha se envolvido em uma briga, mas que “apenas se defendeu”. Ela contou que queria ir embora, mas, antes disso, o veículo em que estavam foi abordado pela polícia. Alysson foi localizado a cerca de quatro quilômetros do local do crime, com roupas sujas de sangue e em posse do celular do cabeleireiro, que estava com a tela danificada. Para o MP-SP, o fato pode indicar tentativa de destruição ou ocultação de provas, especialmente mensagens que revelariam um relacionamento afetivo extraconjugal entre o investigado e a vítima – apontado pelo órgão como possível motivação do crime. O MP-SP afirma que a versão de legítima defesa apresentada pelo investigado é “discutível” devido ao tamanho da faca e destaca a desproporção entre as lesões sofridas pela vítima e o ferimento apresentado por Alysson, descrito como uma “escoriação mínima no dedo indicador direito”. “A eliminação da vida humana como forma de resposta a conflito de natureza estritamente pessoal revela desvio acentuado de autodeterminação e menosprezo pela dignidade da vítima, circunstâncias que, segundo entendimento consolidado, caracterizam a torpeza do motivo, sobretudo quando o agente se vale da violência letal para impor sua vontade ou resolver frustrações afetivas”, diz a manifestação. Alysson nega relacionamento Alysson afirmou à polícia que nunca manteve qualquer relacionamento amoroso com o cabeleireiro e que o vínculo entre eles sempre foi apenas familiar, já que a vítima era tio de sua ex-esposa. Segundo ele, Denilson enfrentava problemas de depressão, fazia uso de medicamentos controlados e consumia drogas. Alysson também reforçou que, na madrugada do crime, o cabeleireiro insistia em conversar com sua esposa por mensagens, o que teria antecedido a discussão. Suspeito responderá em liberdade Agora, com a nova decisão liminar, Alysson volta a responder ao processo em liberdade, sob monitoramento eletrônico, enquanto a Justiça ainda analisa o habeas corpus de forma definitiva. Caso o crime seja enquadrado como homicídio qualificado, a pena pode variar de 12 a 30 anos de prisão, conforme o Código Penal.