[[legacy_image_298447]] A tatuadora Nathali dos Santos Blanco, de 25 anos, relata momentos de ‘obsessão estranha’ de Caio Augusto Navarro Arisa, 31 anos, principal suspeito de matar a própria mãe Elisabeth Amelia Navarro, 61 anos, e atear fogo no apartamento em que moravam, em Santos na última sexta-feira (15). Segundo a tatuadora, ele teve acesso ao trabalho dela há cerca de um ano, após encontrá-la na rede social de uma amiga, a bartender Priscilla dos Santos, de 21 anos, que também estaria sendo vítima de assédio feito por Caio e contou à Reportagem em outra matéria (clique aqui e leia). Nathali conta que Caio e a mãe teriam começado a persegui-la. A princípio, seria para que ela fizesse uma tatuagem nele, com o desenho de três espadas, inspirada em um anime. Mas as investidas foram intensificando com o passar dos dias. “Ela (Elisabeth) passou a me ligar de madrugada, e eu desligava. E ela começou a ligar para o estúdio onde eu trabalhava (...). Há pouco mais de um mês ele (Caio) criou um perfil no Instagram e começou a falar diretamente comigo, antes disso era apenas a mãe dele por telefone”, conta. Nathali também conta que a mulher ligava para ela com uma voz muito doce, sempre chamando Caio de ‘bebê’, tanto que ela achava que ele era um adolescente. “Ela falava que ‘o meu bebezinho fala muito de você aqui em casa’. Ela também falava que ele era especial, mas eu não sei em qual sentido, se era porque ele tinha alguma doença ou se apenas porque era filho dela”. O homem teria tentado marcar encontros com a tatuadora, e chegou até a convidá-la para ir em sua casa. Nathali ressalta que sempre houve um comportamento estranho entre a mãe e o filho, mas que não esperava o fim trágico dos dois. MensagensNa semana última semana, antes de cometer o crime, Nathali conta que Caio mandou uma mensagem pedindo desculpas por tudo e dizendo que estava tentando ser uma pessoa boa. “Ele falava que queria realizar todos os sonhos dele, porque ele sentia que iria morrer”. Veja as mensagens enviadas por Caio em seus últimos dias: [[legacy_image_298448]] [[legacy_image_298449]] [[legacy_image_298450]] CartaPróximo ao dia do crime, Caio havia dito à Nathali que lhe entregaria um presente em uma sacola rosa, junto com uma carta, que ele deixaria com a Priscilla. Priscilla teria recebido o presente, porém descartado, ficando apenas com a carta em que ele pedia para que Nathali tivesse uma filha com ele, pois esse sempre foi um desejo dele. E que queria uma pessoa como a tatuadora ou a bartender para cuidar da criança. Na carta, de difícil entendimento, Caio também diz que queria ter sido uma pessoa melhor, mas que isso foi arrancado dele e que muitas outras coisas teriam sido arrancadas também. Além disso, ele confessou que assediava Priscilla e que havia estrapolado, mas que estava desesperado e morrendo. Leia trechos da carta abaixo“Leia a esta carta com a Nat, me perdoa! Minha filha, só queria isso, sempre quis! Te peço que me ajude, se eu podia ter sido uma pessoa melhor, foi arrancado de mim há muito tempo, e a minha família é conservadora ao ponto de ser chato (ou doentio, seria o termo mais adequado). Meu último desejo, uma filha, algo que não posso comprar, mas tô sem tempo de fazer (...). Eu sei que o meu pedido é uma droga, e já extrapolei a linha do assédio, mas tô desesperado mesmo, morrendo, não tenho para quem pedir isso. Já arrancaram muitas coisas de mim, desculpa’. [[legacy_image_298451]] [[legacy_image_298452]] HistóricoO corpo encontrado após os bombeiros controlarem um incêndio no quinto andar de um prédio em Santos, no último dia 15, foi identificado como sendo de Elisabeth Amelia Navarro, de 61 anos. A vítima estava carbonizada e com marcas de facadas no peito e na barriga. Segundo a Polícia Civil, o filho dela teria cometido o crime. Conforme o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Civil, a vítima teve o pescoço degolado, perfurações no tórax e na barriga, perna quebrada e o braço lesionado. A PM disse que o homem, de 31 anos, foi encontrado por policiais militares após indicação de populares. O acusado, ao ver a viatura, correu em direção a uma dupla que o acompanhava e esfaqueou um dos homens depois de perceber que ele apontou o dedo, indicando para a equipe a sua localização. O policial interveio, acertando o homem com um disparo depois que ele não obedeceu a ordem de parar a agressão. Cinco facas foram apreendidas com ele. O caso foi enviado para o 3º Distrito Policial, responsável pela área dos fatos. [[legacy_image_298453]]