O corpo de Elisângela foi encontrado enterrado dentro da própria casa; Jacemir, seu marido, foi preso pelo crime (Divulgação/ Polícia Civil) Jacemir Barbosa Bueno de Almeida, de 39 anos, que matou a esposa, a professora Elisângela Barbosa Bueno de Almeida, de 44, e enterrou o corpo dela no quintal da casa onde moravam, em Pariquera-Açu, no Vale do Ribeira, interior de São Paulo, disse à polícia, antes de ser preso, que mexeu no terreno para construir uma “quadrinha de areia” para o filho de 10 anos do casal brincar. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Jacemir, que é revendedor de produtos farmacêuticos, foi preso em flagrante na noite da última sexta-feira (24), após confessar ter matado e enterrado a mulher no quintal da própria residência. O cadáver da mulher foi encontrado no mesmo dia da prisão de Jacemir, no imóvel onde moravam na Vila São João. Conforme apurado por A Tribuna, a vítima estava desaparecida desde o fim da tarde de 20 de abril. No entanto, o desaparecimento só foi comunicado por familiares na noite de 23 de abril, após suspeitas levantadas por mensagens enviadas supostamente por Elisângela durante o período. Os textos apresentavam erros de português, algo considerado incomum para ela, que era professora. Também houve a alteração na biografia do perfil da mulher em uma rede social, o que levantou a hipótese de tentativa de despistar os parentes. Depoimento à polícia Durante as investigações sobre o paradeiro de Elisângela, Jacemir foi ouvido na Delegacia de Pariquera-Açu, onde detalhou a rotina da esposa. Segundo ele, o casal estava junto há cerca de 15 anos e teria discutido antes de ela sair de casa em 22 de abril. Apesar da versão apresentada, a Polícia Civil acredita que Elisângela já estava morta. Conforme informações da Polícia Civil, durante o depoimento, Jacemir afirmou que fazia uma construção com areia no quintal da casa, a pedido do filho, para que ele pudesse jogar bola no local. O homem relatou também que, durante a obra, um cano teria estourado entre os dias 22 e 23 de abril. A informação chamou a atenção dos investigadores, por não ter relação com o desaparecimento, o que motivou buscas na área indicada. A Polícia Civil considera a explicação “fantasiosa” e acredita que tenha sido apresentada para justificar a recente movimentação no quintal. Um vizinho, inclusive, relatou ter ouvido o terreno sendo escavado na madrugada de 21 de abril. Crime bárbaro Conforme apurado por A Tribuna, Jacemir atingiu Elisângela com um tapa no rosto. Ao cair, ela teria convulsionado. Na sequência, o homem teria entrado em desespero e decidido enterrá-la. O filho do casal estava dormindo no momento. Jacemir também alegou à Polícia Civil que contou com a ajuda do filho para construir a quadra de areia. No entanto, a corporação descarta a participação da criança tanto na ocultação do cadáver quanto na construção da quadra de areia. Vizinho ouviu Um vizinho relatou ter ouvido, durante a madrugada, barulhos de enxada vindos do quintal da casa. Apesar de estranhar o horário, não imaginou que se tratava de um crime. O depoimento consta no boletim de ocorrência registrado pela Polícia Civil. De acordo com o documento, o vizinho afirmou que ouviu sons semelhantes aos de escavação por volta das 3h de 21 de abril, enquanto se preparava para sair para o trabalho. Embora tenha achado incomum alguém cavar naquele horário, disse não ter desconfiado de algo grave, já que não ouviu brigas ou qualquer movimentação atípica na casa de Elisângela. Ainda segundo o relato, nos dias seguintes, o comportamento de Jacemir não levantou suspeitas. O vizinho afirmou que o encontrou normalmente na rua e que ele chegou a praticar ciclismo, como de costume, aparentando tranquilidade, “como se nada tivesse ocorrido”. Corpo enterrado Elisângela, professora da rede municipal, ficou desaparecida por cerca de cinco dias. O caso mobilizou familiares e colegas de trabalho, que estranharam mensagens enviadas do celular dela com erros incomuns de escrita, levantando a suspeita de que outra pessoa estaria se passando pela educadora. Durante as investigações, policiais civis foram até a residência do casal e identificaram uma área do quintal coberta por areia, com sinais recentes de movimentação. Ao escavar o local, encontraram o corpo da professora enterrado e envolto em um saco plástico. Crime pode ter sido presenciado pelo filho Ainda conforme a polícia, o crime ocorreu em contexto de violência doméstica e pode ter sido presenciado pelo filho do casal, de 10 anos, que estava na residência no momento das agressões. A investigação aponta que, após o assassinato, o homem teria levado a criança à escola e, posteriormente, enterrado o corpo no quintal. O caso foi registrado como feminicídio, ocultação de cadáver e violência doméstica. A Polícia Civil solicitou a conversão da prisão em flagrante em preventiva, além da quebra de sigilo de aparelhos eletrônicos apreendidos na casa, para aprofundar as investigações.