Unaderson foi condenado a 57 anos de prisão por matar a ex (Reprodução / Redes socias e Divulgação / Polícia Civil) O Tribunal do Júri de Cananéia, no litoral de São Paulo, condenou Uanderson Gonçalves da Cruz a 57 anos, 7 meses e 24 dias de reclusão pelo feminicídio da ex-companheira, Camila Gomes, além dos crimes de invasão de domicílio e furto. Ele cumprirá a pena em regime inicialmente fechado. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Uanderson estava preso preventivamente desde a prisão em flagrante, realizada poucas horas após o crime, ocorrido na madrugada de 27 de junho do ano passado. Após a condenação pelo Tribunal do Júri, ele permanecerá detido para cumprimento da pena. A decisão foi proferida nesta quarta-feira (17) e acolheu integralmente as teses apresentadas pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Segundo o órgão, os jurados reconheceram todas as qualificadoras do feminicídio: meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e o fato de o crime ter sido cometido na presença de ascendente – no caso, a avó de Camila, que tinha 83 anos na época dos fatos. Crime ocorreu após término do relacionamento O feminicídio aconteceu no bairro Acaraú. Conforme a denúncia do MP, o relacionamento entre Camila Gomes, de 43 anos, e Uanderson havia terminado horas antes do crime. Inconformado com a separação, o homem retornou à residência durante a madrugada, invadiu o imóvel pela janela do banheiro e foi até o quarto onde a vítima dormia. Segundo os autos, Camila foi agredida com socos e chutes, principalmente na região da cabeça, do rosto e do pescoço. Ela ainda tentou fugir para a área externa da casa, mas foi alcançada e continuou sendo espancada até perder a consciência. A vítima foi socorrida e encaminhada ao pronto-socorro de Cananéia, mas não resistiu aos ferimentos. A causa da morte foi apontada como traumatismo cranioencefálico decorrente das agressões. Avó presenciou as agressões Um dos fatores que agravaram a pena foi o fato de o crime ter sido presenciado pela avó da vítima. Durante a investigação, a idosa relatou que acordou ao ouvir barulhos na residência e testemunhou parte das agressões. Segundo o depoimento, ela chegou a implorar para que Uanderson parasse, mas não foi atendida. A acusação também sustentou que o réu aproveitou a superioridade física para atacar a vítima e que ela teve pouca possibilidade de defesa diante da violência empregada. Caso causou comoção Em nota, o MP-SP destacou que o caso gerou forte comoção em Cananéia por ter ocorrido em uma cidade de pequeno porte, onde os laços comunitários são mais próximos. Para o órgão, “a condenação imposta não apaga a dor da perda, mas cumpre o papel fundamental de aplicar a lei e garantir que a sociedade paulista não tolera a impunidade”.