[[legacy_image_216671]] Preso em São Vicente na tarde desta sexta-feira (21), o homem de 20 anos suspeito de ter estuprado uma criança de cinco anos será expulso da comunidade indígena. A afirmação é do cacique da aldeia Paranapuã, Ronildo Amandios, que confirmou que o indivíduo já teve problemas com a Justiça e não deve voltar a frequentar a tribo mesmo depois de cumprir a pena. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Tem pessoas que se arrependem e tem pessoas que continuam fazendo a mesma coisa. Infelizmente, eu não posso aceitar mais esse indivíduo na comunidade. Até pelo fato de termos muitas crianças na aldeia. Após esse acontecido, vou tentar ser o mais rígido possível para protegê-las”, afirma. O suspeito se entregou na Delegacia Sede de São Vicente na presença do líder da comunidade. O cacique afirmou que já suspeitava do jovem desde o dia do crime, mas teve cuidado para não atrapalhar as investigações. “Quando a menina aguardava para ser socorrida pelo Samu, o suspeito - que estava meio alcoolizado -, começou a ter reações suspeitas e por isso já desconfiamos', explica. A justificativa do indivíduo para o crime é de que ele estaria alcoolizado e não sabia o que estava fazendo. “Ele acabou se entregando e confessando. Primeiro ele falou para o delegado e depois para mim. Até conversei com ele em guarani (língua indígena), para ter certeza do que ele estava falando”, diz. “Ele tem esse problema (alcoolismo). A gente orienta as pessoas a não fazer o uso excessivo do álcool, mas, infelizmente, acabou acontecendo esse caso lamentável. Não podemos passar a mão na cabeça”, comenta. No momento em que o cacique foi entrevistado pela Reportagem, a família do suspeito ainda não sabia os detalhes sobre o caso e que ele havia confessado ser autor do crime. “Ainda não falei com eles a respeito. Vou daqui a pouco conversar sobre a prisão do filho deles e explicar a situação também”, informa. A menina de cinco anos segue internada no Hospital Vicentino, aos cuidados também de sua família. Assim que receber alta, o líder da comunidade afirmou que ela deverá retornar à aldeia. “Estamos aqui aguardando o retorno dela para recebê-la de braços abertos. Estamos muito abalados e agora ficamos mais tranquilos com essa resolução de parte do caso. Agora, é só aguardar para ser concluído mesmo”. O delegado do 1º Distrito Policial de São Vicente (DP), Marcos Alexandre Alfino, confirmou que o jovem já tinha histórico policial anteriormente por crime contra o patrimônio, mas não soube detalhar qual teria sido o motivo e local do acontecido. A menina de cinco anos conversou com a assistente social responsável pelo caso e apontou o homem como o autor do crime. Exames estão sendo feitos e a investigação está sendo realizada pela Delegacia de Defesa da Mulher de São Vicente. “Ele foi apresentado pelo cacique. Temos uma ficha clínica dizendo as lesões dela e um depoimento da criança feito pelo profissional correspondente. Em cima disso, o juiz decretou a prisão dele, o que prova que apesar dele ser indígena, ele já está integrado à sociedade”, confirma. O quadro probatório é rico devido a própria indicação da vítima pelo autor. "Isso é uma prova em um caso de estupro. A criança ainda que pese a pouca idade, já tem o discernimento de dizer quem que foi o autor”, afirma. Os demais detalhes sobre o caso estão sendo preservados sobre se tratar de uma investigação envolvendo uma menor de idade.“Ele foi recolhido ao cárcere em uma cela separada dos demais presos no 5º Distrito Policial, porque é uma prisão temporária. Por ser também autor de crime sexual, ele fica duplamente separado, porque é um crime que os presos não admitem”. Até o fechamento desta Reportagem, a Funai não se posicionou quanto ao caso e a prisão do indígena por suposta autoria do crime.