A advogada relatou que o encontro teria sido inicialmente combinado com uma das travestis, mas depois o homem decidiu realizar um segundo programa com outra, o que teria aumentado o valor total em São Vicente (AT) A advogada Paula Funchal, responsável pela defesa de três travestis investigadas no caso de suposta extorsão de um homem de 52 anos por quadrilha em São Vicente, no litoral de São Paulo, afirmou que não houve sequestro, nem agressões durante o encontro da vítima com as clientes. Segundo a defensora, o homem foi até o local por vontade própria após combinar previamente um programa sexual com as travestis e teria sido extorquido por uma quarta integrante da quadrilha, que não é sua cliente. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A ação que prendeu uma das travestis e indiciou outras três foi realizada na sexta-feira (6) por equipes do 2º Distrito Policial (DP) de Cubatão, na Baixada Santista. De acordo com a advogada, duas das investigadas, que são suas clientes, foram levadas à delegacia, prestaram depoimento e foram liberadas no mesmo dia, passando a responder em liberdade. Já a terceira permanece presa porque uma transferência via Pix realizada pela vítima foi feita para a conta bancária dela. Segundo Paula Funchal, a investigada que segue presa alugou um quarto em sua casa, na Vila Mateo Bei, em São Vicente, no valor de R\$ 1 mil, onde ocorreu o encontro das duas conhecidas com o homem. A advogada relatou que o programa teria sido inicialmente combinado com uma das travestis, mas que, segundo Paula, o homem decidiu realizar um segundo programa com outra, que realizou a extorsão, o que teria aumentado o tempo do encontro. Após o primeiro pagamento via Pix, segundo a advogada, o homem teria afirmado que não conseguiria fazer novas transferências e que precisaria sacar dinheiro em um caixa eletrônico. Ele teria, então, saído do imóvel para efetuar o saque, acompanhado por duas das travestis, que aguardavam para receber pelo programa. Vídeos, segundo defesa, mostrariam que não houve coação Paula Funchal afirmou possuir vídeos que, segundo ela, demonstrariam que o homem não estava sendo coagido. Nos registros, de acordo com a advogada, ele aparece caminhando atrás de uma das travestis após realizar um saque em um caixa eletrônico. A defensora alegou que as imagens não indicariam ameaça ou violência. A advogada também argumentou que, pelas gravações, não seria possível identificar qualquer situação de sequestro. Defesa também contesta agressões Segundo Paula Funchal, o laudo do Instituto Médico Legal (IML) não apontou lesões no homem, nem nas travestis envolvidas. A advogada afirmou que, embora o boletim de ocorrência mencione possíveis agressões quando transferências não eram autorizadas, o exame não teria constatado ferimentos. Advogada atribui extorsão a outra pessoa A advogada afirmou ainda que a extorsão mencionada no caso teria sido praticada por uma quarta pessoa, que não é sua cliente. Segundo Paula Funchal, essa pessoa teria sido responsável por trazer o homem de São Paulo para São Vicente e por iniciar as ameaças para exigir novas transferências de dinheiro. De acordo com a defesa, após uma primeira saída consensual para sacar o pagamento do programa, essa pessoa teria se apoderado do celular do homem e iniciado as exigências por mais dinheiro. Ainda segundo Paula Funchal, uma das travestis investigadas teria sido pressionada a acompanhar a autora das ameaças em uma segunda ida ao caixa eletrônico. A defesa acrescentou que a travesti teria aceitado ir por medo de que sua família fosse informada de que ainda realizava programas. Valores pagos durante o encontro A defesa também apresentou sua versão sobre os valores pagos durante o encontro. Segundo a advogada, R\$ 1 mil teriam sido pagos pelo aluguel do quarto da casa onde os programas ocorreram - imóvel da mulher que está presa. De acordo com ela, o homem permaneceu no local por mais de quatro horas. Ainda conforme Paula Funchal, uma das travestis investigadas teria recebido R\$ 400 por um dos programas realizados. Já o restante do valor teria ficado com a quarta pessoa, apontada pela defesa como responsável pelas extorsões. A advogada afirmou que suas clientes não sabem informar quanto essa pessoa teria recebido ao todo. Segundo ela, inclusive uma compra realizada em um mercado durante o encontro teria sido paga com dinheiro que ficou com essa pessoa. Defesa afirma que presa recebeu apenas aluguel da casa Paula Funchal sustentou que a investigada presa não participou das ameaças. Segundo ela, a única participação da cliente teria sido permitir que duas conhecidas utilizassem sua casa para realizar os programas. De acordo com a advogada, o valor de R\$ 1 mil recebido por meio de Pix corresponderia ao pagamento pelo uso do imóvel. Defesa questiona versão do sequestro A advogada também contestou o relato de que o homem teria sido abordado na Estrada Metalúrgico Ricardo Reis, em Cubatão. Segundo ela, não houve assalto com motocicleta, nem sequestro na via. A defesa sustentou que o homem teria ido ao encontro por vontade própria e posteriormente registrado a ocorrência. Paula Funchal afirmou ainda que a defesa já está tomando medidas judiciais para contestar a prisão e buscar a liberdade da cliente.