[[legacy_image_285662]] “Tiraram a vida de um moleque inocente, trabalhador, que não tinha nada a ver com isso”, disse um colega de Filipe do Nascimento, de 22 anos, morto na última segunda-feira (31), durante a operação policial em Guarujá. Segundo o homem, que trabalhava com Filipe, ele foi morto quando tinha saído para comprar macarrão para os filhos, no bairro Morrinhos 4. Douglas Brito, dono de uma barraca de comida na Praia das Astúrias e patrão de Filipe, conta que a companheira do morto o relatou que, 5 minutos após ele ter saído de casa, ela escutou o barulho de disparos. Em seguida, ela saiu da residência para verificar o que tinha acontecido, quando viu policiais jogando a bicicleta utilizada por Filipe dentro do mangue. Os policiais, então, a deixaram dentro de um barraco vizinho, alegando que as ruas estavam perigosas. Tempos depois, após o fim dos barulhos de tiro, a mulher saiu do imóvel e foi questionar os policiais sobre o paradeiro de seu namorado. Depois de mostrar fotos de Filipe para os agentes, ela ouviu deles que nenhum dos dois mortos na ocasião se tratava do companheiro dela. Ainda sem saber onde o marido estava, a mulher foi à delegacia em busca de respostas, e ouviu novamente que Filipe não era um dos mortos, e também que ele não estava hospitalizado. Ao voltar para casa, ela ouviu de vizinhos que a polícia teria pego um rapaz alto, de casaco e boné, descrição que batia com as roupas usadas por Filipe ao sair. Ela soube, então, que os agentes jogaram ele em um barranco no local, que fica nas proximidades do Beco Canaã, e que teriam disparado 3 vezes. Filipe teria ficado um tempo caído e, quando os policiais deixaram o local, colocaram um saco na cabeça dele e retiraram o corpo. “ De acordo com Brito, Filipe tinha passagem pela polícia, mas estava há cerca de 3 anos trabalhando para ele como vendedor. “Era pontual, não costumava faltar, vendia muito bem e era querido pelos clientes”, diz. “Há um preconceito de classe, com pessoas de passagem e por ser negro. Acaba juntando tudo. Nessa operação Escudo, tem muita verdade, mas tem muita mentira”, protesta. O corpo de Filipe foi identificado ontem (1), no IML de Praia Grande. Como a família dele é de Pernambuco e ele não era casado no cartório com a companheira, foi necessária uma autorização para que ele não fosse enterrado como indigente, conta Brito. O velório de Filipe do Nascimento acontecerá nesta quinta-feira (3), das 9 às 10 horas, no cemitério do Morrinhos. SSPEm nota, a Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP) afirmou que as forças de segurança atuam em absoluta observância à legislação vigente. A SSP também comunicou que todas as ocorrências com morte durante a operação resultaram da ação dos criminosos que optaram pelo confronto. A Secretaria também informou que casos desse tipo são minuciosamente investigados pela Divisão Especializada de Investigações Criminais (DEIC) de Santos e pela Polícia Militar (PM), por meio de Inquérito Policial Militar (IPM). Ainda segundo a SSP, as imagens das câmeras corporais serão anexadas aos inquéritos em curso e estão disponíveis para consulta irrestrita pelo Ministério Público, Poder Judiciário e a Corregedoria da PM.