[[legacy_image_53269]] O Ministério Público apontou que Bruno Eustáquio Vieira, de 23 anos, teria matado a própria mãe, Márcia Lanzane, de 44, para conseguir a herança dela e demais valores, em seguros, para poder ter uma 'vida de luxo', segundo o órgão. O caso ocorreu em Guarujá, em dezembro do ano passado, e a Justiça decretou prisão preventiva de Bruno, que é procurado pela polícia. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! O inquérito policial que investiga o caso foi concluído e apresentado no dia 31 de maio, mas A Tribuna obteve o documento nesta quarta-feira (9). Nele, a polícia coletou depoimentos de oito pessoas, entre familiares e amigos de Bruno e Márcia. A família alega que os dois discutiam com frequência. Uma das tias de Bruno disse que ele 'infernizava' Márcia para poder conseguir o que queria. No documento, testemunhas - incluindo o pai do investigado - apontam que Bruno teria mudado muito seu comportamento a partir do momento em que começou a andar com pessoas de maior poder aquisitivo. Era frequente as vezes em que o jovem saía com esse grupo de pessoas, sempre gastando muito dinheiro. [[legacy_youtube_n3Ly60c_Yro]] Essas pessoas foram apontadas por serem estudantes de medicina, com quem Bruno começou a andar com frequência. Com o grupo, o investigado passava muitas noites em bares, restaurantes, boates e demais locais de luxo em Guarujá, o que conflitava com a vida que ele levava com a mãe, com quem morava no bairro Sítio Cachoeira. Bruno havia acabado de concluir o curso de direito e, segundo familiares, pretendia se mudar para Portugal, onde gostaria de exercer a profissão e continuar com estudos. Para isso, o jovem chegou a vender itens para juntar dinheiro para a viagem. A própria mãe o ajudou com despesas da viagem. Entretanto, durante o período em que começou a andar com estudantes de medicina, Bruno desistiu da viagem e optou em iniciar o curso de medicina. Os familiares relataram, também, que o investigado queria mudar de residência, uma vez que tinha vergonha do local de sua casa, pensando em poder levar os amigos como convidados. Conforme relatado anteriormente, para poder conseguir o que queria, Bruno insistiu para que a mãe vendesse o imóvel ou ao menos alugasse, para que pudessem ir para outro bairro. Com a mãe, Bruno tinha um comportamento mais agressivo, mas que era uma outra pessoa com os amigos, conforme foi visto, inclusive, no enterro de Márcia, onde o investigado não ficou próximo das tias e dos familiares, somente com os amigos. Com a mãe, Bruno tinha um comportamento mais agressivo, mas que era uma outra pessoa com os amigos, conforme foi visto, inclusive, no enterro. A partir daí, se levantou a suspeita do envolvimento do jovem no crime. Uma das tias relatou que Bruno insistentemente fazia ligações querendo saber sobre o resultado do laudo médico que constava a causa da morte da mãe. Motivos O inquérito da Policia Civil concluiu que Bruno matou a mãe por motivo torpe. A decisão se deu a partir dos depoimentos colhidos, além das câmeras de monitoramento que mostram Bruno agredindo e enforcando a mãe enquanto ela estava caída no chão do quarto. Após conclusão e apresentação do inquérito, que o indiciou por homicídio doloso, onde há intenção de matar, o Ministério Público apontou que Bruno matou a mãe para ter o patrimônio de herança da mãe, além de demais valores oriundos de eventuais seguros, pois ele não tinha seus pedidos materiais atendidos pela mãe e se mostrava insatisfeito com a situação. "De todo o apurado, o bárbaro crime praticado se desenvolveu de forma manifestamente premeditada, tendo o denunciado demonstrado extrema frieza ao ceifar a vida de sua mãe, passar a noite na casa com o cadáver ao solo e promover verdadeiro teatro para comunicar a morte", diz um trecho do documento do MP. Defesa O advogado de Bruno, Anderson Real, afirmou que seu cliente nega veementemente a hipótese. "O único bem que a mãe possuía era a casa e um carro", afirmou. A Justiça decretou a prisão preventiva de Bruno em 1º de junho. Segundo o advogado, a decisão causou estranheza para a defesa no que se diz respeito ao tempo do crime até a decisão. Ele afirmou que Bruno pensa em se entregar. "A princípio tentaremos revogar a prisão. Caso não consiga, ele pensa em se entregar, sim", conclui. Relembre o caso O corpo de Márcia Lanzane foi encontrado sem vida na residência onde ela e o filho moravam, no bairro Sítio Cachoeira, em 22 de dezembro. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e constatou o óbito. Câmeras de monitoramento mostram, na noite anterior, o momento em que Bruno Eustáquio entre em luta corporal na noite anterior. Após ambos caírem no chão, o filho, então, usa as duas mãos para esganar a mãe. Ela tenta resistir, mas não consegue. Pelas imagens, Bruno se certifica se a mãe ainda tinha batimentos. Após cometer o crime, o agressor volta para a sala do imóvel para assistir televisão. Em depoimento inicial, Bruno teria afirmado não ter envolvimento no crime. Após uma suspeita da polícia, e um novo questionamento, o jovem confessou que teria sido uma morte acidental após empurrá-la durante uma discussão. A mãe, então, teria morrido após bater a cabeça na queda. O sistema DVR, utilizado para captação de imagens, estava escondido dentro do forno do fogão. O jovem relatou para os policiais onde estava o aparelho e afirmou que o escondeu por medo. Uma das tias de Bruno, e irmã de Márcia, a autônoma Mariusa da Quadra disse para ATribuna.com.br que o sobrinho arquitetou uma cena de crima para fazer com que a morte da mãe tivesse sido acidental, conforme ele teria afirmado em um depoimento inicial, depois questionado pela polícia. Disfarces Na terça-feira (8), a Polícia Civil divulgou imagens de possíveis disfarces de Bruno e pediu apoio da sociedade para localizá-lo. Qualquer informação que colabore com as investigações devem ser esclarecidas por meio de denúncias anônimas ou diretamente à Delegacia de Guarujá.