[[legacy_image_231046]] Uma semana depois de ter sido agredido pelo vizinho, em Praia Grande, Cidônio Gomes da Cruz, o Protetor Doni, voltou nesta segunda-feira (19) à ativa com seu trabalho de resgate de animais na Cidade, junto com o Núcleo de Amparo e Proteção Animal (Napa), formado por várias pessoas e duas ONGs. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! "Nunca esperei que ele me atacasse daquela maneira. Ele sempre me perseguiu, mas nunca tomei nenhuma atitude porque sempre quis a paz, que é o sentimento que nosso grupo prega, além da união em prol dos animais", afirma. O caso envolvendo animais aconteceu na noite do último dia 13, na Rua Aldo Coli, no bairro Nova Mirim. Os dois registraram boletim de ocorrência. Câmeras registraram a ocorrência e A Tribuna teve acesso nesta segunda-feira (19). (veja abaixo) Os socos e pontapés ficaram na alma. "Tenho receio de ir em alguma ocorrência e alguém estar me esperando para fazer mal, porém não posso deixar um animal sofrendo. Não posso me abater. Fizemos dois resgates, pois não estava muito bem", afirma. O físico também sentiu. E muito. "Estou com o nariz fraturado. Irei passar por avaliação com cirurgião na manhã desta quarta-feira (21), no Hospital Irmã Dulce. Em agosto, fiz uma cirurgia para retirada da vesícula e, devido aos chutes, ando sentindo muitas dores no local. Já pedi um retorno ao médico para ver se não houve nenhum problema. Todos os dias estou indo até à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Quietude devido às dores na cabeça e na nuca", descreve. Os minutos que pareceram horas ainda povoam a mente do protetor, que temeu a morte naquela noite. "Só pensava como seria a vida daqueles animais que dependem exclusivamente de mim e no meu filho (Pedro Gabriel), que completa 16 anos (nesta terça-feira, dia 20)", revela. O garoto mora com a mãe e está sem entender até agora o porquê da violência contra o pai, que é professor de História, formado em Pedagogia e em Gestão Ambiental. Atualmente, Cidônio trabalha com venda de imóveis e também atua como despachante documentarista. Nos animais, porém, está a grande paixão. "Fazemos resgates de animais na cidade que sofrem algum tipo de violência ou tenham passado por maus tratos. Damos consultas veterinárias para tutores de baixa renda e castrações. Tudo isso com recursos próprios e algumas doações. Estamos construindo, com muitas dificuldades, um local para isso", conta o protetor. O casoNa gravação, não há áudio, mas nota-se pelo gestual que há uma discussão. Cidônio coloca a mão esquerda para trás, em que está um objeto. Pela luz que se acende, trata-se de um celular. Quando o protetor estende a mão com o telefone, começa a ser violentamente agredido pelo vizinho. Apesar disso, Cidônio ainda consegue levantar, mas os socos e pontapés continuam até que ele caia no chão. Chega um outro homem, mas não intervém completamente na ação. Na segunda aparição do homem, o vizinho interrompe as agressões, enquanto o protetor de animais permanece caído. Cidônio contou na delegacia que tem três cachorros e 30 gatos, sendo que os primeiros ficam na parte da frente da residência e os gatos, no gatil do fundo do imóvel, não tendo acesso à residência do vizinho. As reclamações do vizinho são constantes sobre latidos e limpeza do local, segundo o protetor, embora ele alegue que lava duas vezes por dia com desinfetante e cloro os dois ambientes destinados aos animais, sem que exale qualquer cheiro da residência. Além disso, de acordo com Cidônio, nenhum outro vizinho fez queixas semelhantes. O momento do início da agressão, de acordo com Cidônio, foi quando o protetor saiu para ir até à casa da namorada e encontrou o vizinho, que perguntou se Cidônio iria sair novamente e deixar os animais, pois eles latem à noite. O protetor lembrou que o vizinho tem dois cachorros que também fazem isso. Foi a senha para a sequência de socos e pontapés. Cidônio chegou a ser levado por outros moradores até à UPA Quietude e, em seguida, transferido de ambulância para o Hospital Irmã Dulce, onde fez radiografias, foi medicado e liberado. "Esse vizinho nunca dirigiu a palavra para mim. Nos dois anos em que moro no local, ele sempre fez as queixas dele para o proprietário da casa (que é alugada) e que fez um boletim de ocorrência contra ele no dia 8 (cinco dias antes da agressão). Sempre filmava em finais de semana quando eu ficava um pouco mais na cama, dizendo que eu não limpava o quintal. Também fez abaixo-assinado com alguns vizinhos para me retirar daqui, mas ninguém assinou. E chamou por várias vezes a Zoonoses, por exemplo. Sempre que vieram aqui, nunca comprovaram nada", conta o protetor. Na versão do vizinho, existem problemas há dois anos com o mau cheiro provocado pelos animais de propriedade de Cidônio, tendo ele recorrido a vários órgãos municipais e também conversado com o protetor, mas sem sucesso. Na noite da agressão, segundo ele, bateu no protetor porque ele tinha feito menção de que puxaria algum objeto - o celular aceso é o único que aparece nas imagens.