O homem foi preso em flagrante por agredir a ex na saída da padaria onde ela trabalha em Praia Grande e foi solto na audiência de custódia (Divulgação/ GCM) O homem de 31 anos preso em flagrante após agredir a ex-companheira, de 29, com um soco no rosto na frente do local de trabalho dela, em Praia Grande, no litoral de São Paulo, foi solto após passar por audiência de custódia. O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) ofereceu denúncia contra o homem, e medidas cautelares foram impostas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Conforme noticiado por A Tribuna, a agressão aconteceu na tarde de 12 de maio, na Avenida Presidente Costa e Silva, no bairro Boqueirão. Segundo apurado pela reportagem, a mulher havia acabado de sair da padaria onde trabalha quando foi abordada pelo ex-companheiro, que já a aguardava na região. Após uma breve discussão, ela foi atingida com um soco na boca e perdeu a consciência. Antes de ser detido, o homem foi cercado e agredido por pessoas revoltadas com a situação. Em seguida, ele foi conduzido à Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Praia Grande. Ainda de acordo com a apuração da reportagem, o homem não aceitava o fim do relacionamento, encerrado em fevereiro. Desde então, ele perseguia e ameaçava a ex-companheira. Segundo apurado por A Tribuna, o homem passou por audiência de custódia no mesmo dia da prisão e acabou liberado por ser réu primário e não possuir antecedentes criminais. Apesar da soltura, a Justiça determinou medidas protetivas de urgência, proibindo qualquer aproximação ou contato com a ex-parceira, inclusive por telefone. A Tribuna apurou que o relacionamento entre os dois durou cerca de quatro meses e terminou após episódios de ciúmes, perseguições e ameaças constantes feitas pelo ex-companheiro. Perseguição e ameaças A Tribuna teve acesso aos autos do processo do caso. Conforme consta no documento, a mulher relatou que, após o término, passou a ser perseguida pelo ex-parceiro tanto em casa quanto no trabalho. Ela contou que chegou a bloquear o homem nas redes sociais e aplicativos de mensagens, mas ele continuou entrando em contato por números de terceiros e fazendo ameaças. No dia da agressão, o homem teria ido até a padaria onde a mulher trabalha, esperado por ela do lado de fora e insistido para que saísse com ele. Diante da recusa da ex, tentou puxar a bicicleta dela e, em seguida, desferiu um soco no rosto da mulher, fazendo com que ela perdesse momentaneamente a consciência. Pessoas que estavam na avenida conseguiram conter o homem até a chegada da Guarda Civil Municipal (GCM). Confessou Em depoimento, o homem admitiu ter dado o soco na ex-namorada. Ele alegou que foi ao local para conversar com a ex após descobrir supostas traições durante o relacionamento. Segundo o investigado, a mulher teria se recusado a conversar e o ofendido verbalmente, o que teria provocado um “descontrole emocional”. Após a agressão, ele afirmou ter fugido e sido agredido pela população, por pessoas que acreditavam se tratar de um ladrão. A mulher relatou já ter sofrido agressões anteriores do ex-companheiro e declarou temer por sua integridade física. Ela afirmou ainda que o ex é possessivo, tem crises de ciúmes e faz uso de drogas. O caso foi registrado como lesão corporal no contexto de violência doméstica, com base na Lei Maria da Penha. Foram impostas medidas protetivas de urgência em favor da vítima, incluindo proibição de aproximação e contato, além do impedimento de o ex frequentar o local de trabalho da mulher. Denúncia Na quarta-feira (20), o MP-SP apresentou denúncia em desfavor do homem. O documento, obtido pela reportagem, destaca que o ex não aceitou o fim do relacionamento e passou a perseguir a mulher, fazendo ligações, enviando mensagens ameaçadoras e procurando-a em casa e no trabalho. O laudo de corpo de delito apontou que a mulher sofreu lesões leves, incluindo sutura na cavidade oral e escoriações no cotovelo esquerdo. O MP-SP denunciou o acusado por lesão corporal no contexto de violência doméstica e pediu indenização mínima equivalente a três salários-mínimos por danos morais à vítima. Além da denúncia, a promotoria solicitou a prisão preventiva do homem. Segundo o documento, as medidas protetivas e cautelares seriam insuficientes diante da gravidade do caso, do histórico de perseguições, ameaças e do risco de novas agressões. O órgão argumenta que o acusado demonstrou comportamento violento e desprezo pelas determinações judiciais, ressaltando que o crime ocorreu em plena luz do dia e no local de trabalho da vítima. A promotoria também pediu a abertura de um novo inquérito para investigar denúncias anteriores de ameaça e perseguição feitas pela mulher contra o ex-companheiro. Defesa da mulher Os advogados da mulher, Matheus Tamada e Thyago Garcia, afirmaram acompanhar o caso com “extrema preocupação” e disseram que a identidade da mulher será preservada em respeito à segurança e intimidade dela. Segundo a defesa, a mulher manteve um breve relacionamento amoroso de aproximadamente quatro meses com o ex e foi “brutalmente agredida fisicamente”, conforme vídeos obtidos pelos advogados, nos quais seria possível ver o momento em que o investigado desfere um soco na mulher. A defesa também afirmou possuir conversas, prints e áudios com ameaças de morte atribuídas ao homem, elementos que, segundo os advogados, reforçam o risco concreto à integridade física e à vida da mulher. Ainda conforme os advogados, essas provas não teriam sido apresentadas à autoridade policial nem ao Poder Judiciário durante a audiência de custódia, ocasião em que foi concedida liberdade provisória ao investigado mediante medidas cautelares. Diante dos novos elementos, a defesa protocolou pedido de revogação da liberdade concedida do acusado. Os advogados destacaram ainda que o investigado trabalha a menos de um quilômetro do local de trabalho da ex, situação que aumentaria o temor e a insegurança da mulher. A defesa também informou que o acusado não possui vínculos sólidos, nem residência fixa na Baixada Santista, sendo natural do Nordeste e atualmente morador de Praia Grande. Segundo os advogados, o caso exige atenção da Justiça diante da gravidade dos fatos e do risco à mulher. Neste momento, a defesa aguarda a análise judicial do pedido de prisão preventiva do investigado. Defesa do homem A Tribuna não conseguiu localizar a defesa do homem acusado pela agressão. O espaço segue aberto para um posicionamento.