A operação foi realizada na quarta-feira (9) em Santos pela Polícia Civil e teve como alvo uma organização formada por colombianos (Reprodução) Um homem suspeito de integrar uma organização criminosa que teria movimentado R\$ 52,5 milhões com agiotagem e lavagem de dinheiro foi preso na Ponta da Praia, em Santos, no litoral de São Paulo, durante a Operação Bogotá. Segundo a Polícia Civil, ele também é investigado por ter fotografado um juiz acompanhado de familiares com a intenção de utilizar a imagem para fazer ameaças. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A operação foi realizada na quarta-feira (9) pela Polícia Civil e teve como alvo uma organização formada por colombianos. Ao todo, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão e um de prisão temporária em Santos, Guarujá e na Capital. As investigações são conduzidas pela Delegacia Seccional de Polícia de Registro, com apoio da Divisão Estadual de Investigações Criminais (Deic) de Santos. O alvo do mandado de prisão foi encontrado em um quarto de sublocação na Ponta da Praia. No imóvel, os policiais apreenderam dois celulares e um notebook, que serão submetidos à perícia. A identidade e a nacionalidade do homem não foram divulgadas. Foto de magistrado O episódio que levou os investigadores até o homem aconteceu em agosto. De acordo com a Polícia Civil, ele entrou em um restaurante em Santos e fotografou um juiz que estava acompanhado de familiares. A investigação aponta que a imagem seria posteriormente utilizada para fazer ameaças. O magistrado havia proferido decisões judiciais que atingiram integrantes da organização, incluindo quebra de sigilo e bloqueio de patrimônio. A ligação do homem com o grupo foi descoberta posteriormente, a partir da análise de equipamentos apreendidos durante a primeira fase da investigação. Em um dos celulares, os policiais encontraram registros de contatos anteriores e diretos envolvendo o acusado e a esposa dele. Empréstimos e ameaças Segundo a Polícia Civil, a organização atuava por meio do esquema conhecido como “gota a gota”, baseado na concessão de empréstimos informais com juros abusivos. A cobrança dos valores, porém, não se restringiria à exigência do pagamento das dívidas. Os investigadores apontam que os devedores eram alvo de ameaças e violência. 41 investigados As investigações começaram em maio deste ano, quando a Polícia Civil de Registro identificou o esquema de agiotagem. Com o avanço das apurações, os agentes chegaram a 41 pessoas suspeitas de envolvimento, parte delas já presa em operações anteriores. A análise de celulares, computadores e documentos apreendidos nas diferentes fases também permitiu identificar integrantes do núcleo financeiro da organização que atuavam em Campinas, no interior de São Paulo. Segundo o delegado seccional de Registro, Marcelo Freitas, uma denúncia deu início à investigação e permitiu descobrir uma estrutura criminosa que iria além da agiotagem. “Foi uma denúncia que nos permitiu identificar todo um esquema criminoso estruturado por trás do crime de agiotagem, que incluía, também, a lavagem de dinheiro”, afirmou. A Justiça também determinou o bloqueio de bens dos investigados. “Não basta apenas identificá-los, temos que conseguir atingir todo o patrimônio obtido com o dinheiro ilícito”, acrescentou o delegado. Prisões na Colômbia Parte dos investigados deixou o Brasil durante as apurações. Dois suspeitos foram localizados e presos recentemente na Colômbia, depois de terem os nomes incluídos na Difusão Vermelha da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol). A Polícia Civil continua analisando os equipamentos e documentos apreendidos para aprofundar a investigação sobre a estrutura e a movimentação financeira da organização.