Pedro Augusto Gomes de Lima já havia sido preso em flagrante por jogar um celular no rosto da companheira boliviana e agredi-la com socos e chutes em Bertioga (Reprodução/ Polícia Civil) Procurado pela Justiça por descumprir medidas protetivas, após ser acusado de jogar um celular no rosto da companheira boliviana e agredi-la com socos e chutes, Pedro Augusto Gomes de Lima, de 35 anos, foi preso na Rodoviária de Bertioga, no litoral de São Paulo, enquanto tentava fugir para Bauru, no interior do Estado, nesta terça-feira (14). Conforme apurado com a Polícia Civil, o homem já havia sido preso em flagrante no dia das agressões, mas foi liberado. Após o episódio de violência, a vítima solicitou medida protetiva, que foi descumprida pelo menos duas vezes por Pedro. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! As situações aconteceram entre junho e julho. Segundo a Polícia Civil, na manhã desta terça-feira (14), Pedro foi encontrado na Rodoviária de Bertioga, com malas prontas para embarcar em direção à cidade de Bauru. Ele foi abordado e conduzido à unidade policial. Após consulta aos sistemas, foi confirmada a existência de um mandado de prisão preventiva expedido pela 1ª Vara Judicial da Comarca de Bertioga na segunda-feira (13), válido até 2038. Diante disso, foram adotadas todas as providências legais cabíveis, incluindo a formalização da prisão em boletim de ocorrência, a requisição de exame médico pericial, o recolhimento do capturado ao cárcere e a comunicação imediata ao Poder Judiciário para a realização da audiência de custódia. Pedro permaneceu à disposição da Justiça. Agressões e perseguição A Tribuna teve acesso a três boletins de ocorrência da Polícia Civil registrados pela boliviana contra Pedro. O primeiro caso foi registrado na Rua Benedito Soares de Novaes Filho, no bairro Rio da Praia, em Bertioga, no dia 4 de junho. Consta no documento que policiais militares foram acionados para atender a uma ocorrência de violência doméstica no endereço. No local, a mulher afirmou aos policiais que era boliviana e mantinha união estável com Pedro Augusto Gomes de Lima havia aproximadamente quatro anos. Ela relatou que estava em casa com o companheiro quando os dois iniciaram uma discussão. Segundo a mulher, em determinado momento, Pedro arremessou um celular contra seu rosto, bem como desferiu socos em sua cabeça e braços, além de chutes em uma de suas pernas. A boliviana informou ainda que sofre violência psicológica por parte de Pedro e que possui crises de ansiedade. Questionado sobre as acusações, o homem declarou que realmente houve uma discussão entre o casal, porém negou ter agredido a companheira, afirmando que apenas a segurou. Diante dos fatos, ambas as partes foram conduzidas ao Hospital Municipal de Bertioga para atendimento médico e, posteriormente, foram apresentadas na Delegacia de Bertioga para as providências de polícia judiciária. Após ouvir as versões das partes e verificar a existência de indícios de agressão, caracterizados por edemas e hematomas, a autoridade policial deu voz de prisão em flagrante ao homem. Entretanto, ele foi liberado após passar por audiência de custódia. Tentativa de invasão No segundo registro policial, consta que a mulher compareceu à delegacia no dia 16 de junho, informando que havia solicitado medida protetiva para resguardar sua integridade física. Entretanto, a boliviana relatou que, no dia 8, Pedro quebrou a porta de sua casa para tentar invadi-la. Nesse momento, ela precisou se esconder nos fundos da residência para evitar contato com o parceiro. A vítima afirma ainda que, após esse episódio ocorrido no dia 8, Pedro tentou invadir novamente sua residência no dia 12, desta vez quebrando as telhas. Na ocasião, ele tentou entrar na casa pela parte superior, mas não conseguiu. Além disso, a mulher informou que o companheiro é constantemente visto rondando sua residência em busca de uma oportunidade para encontrá-la. Segundo a boliviana, isso tem provocado medo, já que ele afirmou que "iria ceifar sua vida", impossibilitando-a de sair de casa e alterando sua rotina, inclusive no trabalho. Mensagens e áudios que causaram medo No terceiro registro policial, consta que, em 6 de julho, a mulher compareceu novamente à delegacia, relatando possuir medida protetiva de urgência em desfavor de Pedro. A boliviana afirmou que ele passou a realizar contatos indevidos por meio de mensagens e áudios encaminhados ao seu telefone celular, "em afronta às determinações judiciais impostas". A mulher relatou que Pedro enviou diversas mensagens com conteúdo ofensivo e intimidatório, além de áudios nos quais teria afirmado que “não se importa com a polícia, que não tem medo das autoridades e que ninguém seria capaz de impedi-lo". A mulher declarou ter se sentido extremamente amedrontada diante do teor das mensagens, especialmente porque Pedro já possui histórico de comportamentos agressivos e de descumprimento de determinações judiciais. A boliviana contou ainda que, nos áudios recebidos, o investigado teria feito ameaças de morte de forma clara, além de fazer referências intimidatórias direcionadas não apenas à vítima, mas também a pessoas próximas. A mulher relatou que não houve contato físico, nem aproximação nesta ocasião, tendo o descumprimento ocorrido exclusivamente por meio de mensagens e áudios enviados ao seu celular. Contudo, afirmou que o conteúdo recebido lhe causou intenso temor por sua integridade física, declarando não se sentir segura sequer em sua própria residência. A vítima informou que essa não seria a primeira vez que procura auxílio policial em razão das condutas praticadas por Pedro, mencionando episódios anteriores de descumprimento de medidas judiciais e atos de violência, circunstâncias que reforçam seu receio de que as ameaças venham a se concretizar. Como forma de comprovar os fatos narrados, a mulher apresentou mensagens, áudios e capturas de tela das conversas mantidas com Pedro, comprometendo-se a encaminhar integralmente os arquivos para serem adicionados aos autos. Por fim, disse que não possui testemunhas diretas, nem indiretas para incluir no processo. Diante da situação, ela foi orientada a procurar ajuda em um abrigo. Defesa do acusado A Tribuna não conseguiu localizar a defesa de Pedro, mas o espaço segue aberto para manifestações.