Pedro foi conduzido à Central de Polícia Judiciária de Praia Grande e preso pelo assassinato de Thaís (Reprodução/ Redes sociais e Reprodução) Um homem de 40 anos foi preso em flagrante após matar a esposa, de 34, dentro de casa na madrugada deste domingo (8) no bairro Tupiry, em Praia Grande, no litoral de São Paulo. O caso foi registrado como feminicídio pela Polícia Civil. No Facebook, o homem postou vídeo da esposa morta no chão e pediu perdão pelo crime. (Veja vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A vítima é Thaís Rodrigues Rocha de Oliveira. O marido dela, Pedro Ubiratan de Oliveira, confessou o crime à polícia. De acordo com o boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi acionada por volta das 5h59 após uma denúncia de violência doméstica. A solicitante relatou que o irmão havia publicado vídeos no Facebook ameaçando matar a esposa. Corpo encontrado na sala da casa Os policiais foram até a residência localizada no bairro Tupiry. Ao chegarem ao local, a irmã de Pedro, de 48 anos, estava sentada na calçada, chorando e em visível estado de abalo emocional. Segundo o relato dela à polícia, o irmão havia matado Thaís dentro da casa. Diante das informações, os policiais entraram no imóvel e localizaram a vítima caída no chão da sala, de bruços. O boletim aponta que Thaís apresentava diversos ferimentos na região da face e grande perda de sangue. Ainda conforme o registro policial, Thaís já apresentava rigidez nos membros superiores, circunstância considerada indicativa de ausência de sinais vitais. Equipe de uma unidade de saúde foi acionada e compareceu à residência. O médico constatou o óbito no local. Enquanto uma equipe da Polícia Militar permaneceu na casa, preservando o local para a realização da perícia técnica, outra viatura iniciou buscas por Pedro. Homem foi encontrado desorientado Durante o atendimento da ocorrência, o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) informou que o acusado poderia estar na Rua Osvaldo Augusto de Campos, no bairro Caieiras, endereço da mãe dele. Durante patrulhamento nas proximidades, os policiais localizaram um homem com características semelhantes às informadas. Ele foi abordado e identificado como Pedro Ubiratan de Oliveira. Segundo o boletim de ocorrência, ele estava desorientado e apresentava um corte na região posterior da cabeça. Ao ser questionado, disse que a lesão teria sido causada pela própria mãe, que teria ficado transtornada ao saber que ele havia matado a esposa. Os policiais não encontraram nenhum objeto ilícito com ele. Ainda conforme o relato dos policiais, Pedro afirmou que não utilizou nenhum instrumento para cometer o crime, dizendo que desferiu vários socos na esposa e, por fim, a esganou. Ele também declarou que o crime teria sido motivado por uma suposta traição. -Veja o vídeo (1.504698) Postagens nas redes sociais De acordo com o boletim de ocorrência, Pedro afirmou aos policiais que chegou a publicar vídeos no Facebook mostrando imagens da casa após ter cometido o crime, além de fotos íntimas de Thaís. Em um vídeo obtido pela equipe de reportagem, Pedro diz. “Quero pedir perdão para minha família, para a família dela. Os que prestam, têm uns que não valem nada. Devia ter orientado ela porque alguém sabia (da suposta traição). Chifre eu ia aguentar, agora pegar e me passar por louco, drogado, falar que é coisa da minha cabeça?” Como apresentava ferimento na cabeça, Pedro foi levado ao Pronto-Socorro (PS) Quietude, onde recebeu atendimento médico e posteriormente foi liberado. Depois disso, foi conduzido à delegacia. Segundo o boletim de ocorrência, foi necessário o uso de algemas devido ao receio de fuga. Os policiais foram até a residência onde ocorreu o crime em Praia Grande (TV Tribuna) Mensagens relatando o crime Familiares também relataram à polícia que receberam mensagens de Pedro informando sobre o assassinato. Segundo a irmã dele, por volta das 4 horas, ela recebeu uma ligação da nora, de 25 anos, perguntando se iria trabalhar naquele dia para ficar com a neta. Logo depois, Pedro ligou para a irmã dizendo que havia matado Thaís. A mulher afirmou que a nora também encaminhou vídeos enviados por Pedro. Ainda de acordo com o depoimento, ele pediu que a irmã olhasse o Facebook, onde teria feito as publicações. Em seguida, o homem também enviou mensagem pelo WhatsApp afirmando que havia matado a esposa. Sem acreditar no que havia acontecido, a irmã tentou ligar para Thaís. No entanto, quem atendeu o telefone foi o próprio irmão. Família encontrou o corpo Diante da situação, a irmã e a nora foram até a casa do casal. Elas começaram a gritar para que alguém abrisse o portão. Como ninguém respondeu, um vizinho acabou arrombando a residência. Ao entrarem, a irmã e a nora encontraram Thaís caída na sala, em meio a uma poça de sangue. Segundo o depoimento da irmã, Pedro já não estava mais no imóvel e não informou seu paradeiro. A irmã também afirmou à polícia que as três filhas do casal estavam desde a tarde do dia anterior na casa da avó paterna. Mensagens no celular A nora, casada com um sobrinho de Pedro, também prestou depoimento. Ela contou que, na noite anterior ao crime, estava em uma festa com o marido quando Pedro ligou convidando o casal para ir até outra festa. Segundo o relato, Pedro e Thaís estavam juntos e rindo durante a ligação. Na ocasião, ele disse que na segunda-feira (9) iria procurar tratamento para uso de drogas. Ainda segundo a testemunha, o casal havia deixado as filhas na casa da avó para tentar se reconciliar. Já por volta das 4 horas, enquanto a testemunha e o marido voltavam da festa, o celular dele começou a tocar. A ligação aparecia como sendo de Thaís, mas quem estava do outro lado da linha era Pedro, pedindo que o sobrinho fosse até sua casa. Ele respondeu que não poderia ir, porque estava passando mal. Mais tarde, ao verificar o celular do marido, a testemunha encontrou quatro mensagens enviadas do telefone de Thaís, que teriam sido escritas por Pedro. Nas mensagens, ele afirmava: “Matei ela”. Também escreveu que o crime não teria sido por causa de traição, mas por “pilantragem”, alegando que alguém estaria “dando em cima” dentro de sua casa e em sua cama. Desesperada, a nora ligou para a sogra, irmã de Pedro, e contou o que havia acontecido. As duas, então, foram até a casa do casal, onde encontraram o corpo de Thaís. Histórico de agressões Segundo a irmã, Pedro sempre foi agressivo com a esposa ao longo do relacionamento. Ela relatou à polícia que já presenciou episódios de violência física e ameaças contra Thaís desde o início do casamento. De acordo com o depoimento, o casal estava junto há 20 anos e tinha três filhas. A testemunha afirmou que orientou a cunhada diversas vezes a tomar alguma providência diante das agressões. Ainda segundo o relato, há poucos dias Thaís tinha acionado uma viatura da Polícia Militar após uma discussão com o marido. Apesar disso, segundo a testemunha, no dia anterior ao crime, Thaís estava feliz por tentar reatar o relacionamento. Versão de Pedro Em depoimento à polícia, Pedro afirmou que tinha certeza de que a esposa mantinha um relacionamento extraconjugal havia cerca de oito anos. Ele disse que já havia encontrado uma calcinha rasgada embaixo da cama e que o casal teve diversas discussões por causa da traição. Segundo ele, dois dias antes do crime, encontrou outra peça íntima “gozada”, o que teria provocado uma nova discussão. Na ocasião, ele afirmou que deu um tapa na esposa e que Thaís chamou a Polícia Militar, que o retirou de casa. Na madrugada do crime, Pedro disse que Thaís afirmou que iria trabalhar e que iria de Uber, pedindo para que ele não a levasse. O homem contou que verificou a escala de serviço dela e percebeu que a esposa não estava convocada para trabalhar. De acordo com o depoimento, Thaís estava sentada no sofá quando Pedro começou a interrogá-la sobre “quem era o cara”. Segundo o marido, a mulher respondeu apenas: “Pedro, pelo amor de Deus”. Ele afirmou que a esposa se recusou a revelar quem seria o suposto amante e disse que, se a situação fosse levada adiante, “morreriam os dois”, referindo-se a ela e ao homem. Pedro disse que pretendia ir atrás do suposto amante, mas que Thaís não quis falar. Ainda conforme o depoimento, em determinado momento “sua vista ficou branca” e ele disse não se lembrar de muitos detalhes do que aconteceu em seguida. Depois do crime, Pedro foi até a casa da mãe para relatar o que havia feito e acabou sendo agredido na cabeça por ela. Segundo ele, as fotos íntimas de Thaís que publicou no Facebook não foram tiradas no dia, afirmando que estavam na lixeira do celular. Já os vídeos da casa teriam sido gravados após o crime. Prisão em flagrante Após ser localizado, Pedro foi conduzido à Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Praia Grande. O delegado decretou a prisão em flagrante pelo crime de feminicídio. De acordo com a autoridade policial, os elementos reunidos, incluindo os relatos dos policiais, das testemunhas, a confissão do suspeito e o corpo da vítima, indicam a prática do crime conforme o Código Penal. A polícia também representou pela conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva, citando a gravidade do caso e a necessidade de garantir a ordem pública e a aplicação da lei penal. A perícia foi requisitada para o local do crime, e um inquérito policial foi instaurado. Durante a ocorrência, foram apreendidos dois celulares da marca Xiaomi Redmi, um pertencente à vítima e outro ao investigado.