Caso foi registrado na Delegacia de Defesa da Mulher de Santos (Alexsander Ferraz/ Arquivo AT) Um homem de 29 anos foi preso após esfaquear diversas vezes a ex-noiva, também de 29, no bairro Embaré, em Santos. A motivação do crime seria o fato de ele não aceitar o término do relacionamento. Ele foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) no último dia 9, quarta-feira, pelo crime cometido em 2 de março. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A tentativa de feminicídio ocorreu na Rua Torres Homem, por volta das 4 horas. A Tribuna teve acesso ao boletim de ocorrência. No documento, consta que um policial militar relatou que o autor das facadas ligou para o 190, solicitou a presença da Polícia Militar (PM) e confessou que havia esfaqueado a ex-companheira. Os policiais foram até a Santa Casa de Santos, juntamente com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e a vítima foi internada. A equipe da PM conversou com a mulher, que contou que teve um relacionamento com o homem, marcado por momentos de violência. Segundo a vítima, ela se separou dele justamente por conta das agressões recorrentes, mas o ex não aceitava o fim da relação. Os dois já tinham terminado há alguns meses. A mulher disse que, na noite do crime, havia saído para uma festa. Ao retornar, encontrou o agressor em sua casa. Houve uma discussão e o homem pegou uma faca de cozinha e passou a esfaqueá-la em várias partes do corpo. Quando a PM chegou, o homem estava calmo, mas foi algemado por questão de segurança. A vítima havia solicitado uma medida protetiva de urgência anteriormente. O agressor foi conduzido ao distrito policial e apresentado à autoridade competente. Foi requisitado ao Instituto Médico Legal (IML) o exame de corpo de delito da vítima. O local foi preservado para a realização de perícia. Também foi solicitada a prisão preventiva do indiciado, já que ele não foi preso em flagrante. Denúncia no MP No último dia 9, o promotor de Justiça de Santos, Fábio Perez Fernandez, ofereceu denúncia por tentativa de feminicídio, com as seguintes qualificadoras: motivo torpe, violência doméstica e familiar, e o fato de a vítima ser mãe de uma criança. O promotor também solicitou a fixação de indenização mínima de R\$ 25 mil por danos morais. Ele destacou que o laudo atestou que “a vítima sofreu lesões corporais de natureza grave, em razão do perigo de vida ocasionado pelas lesões internas, que necessitaram de drenagem torácica bilateral”. Ainda segundo a denúncia, após golpear a vítima, o agressor fugiu do local e acionou a PM. “A morte de Luana só não ocorreu devido ao atendimento médico emergencial”, destacou o promotor. O que diz a acusação O assistente de acusação Renan Lourenço, que representa a vítima, afirmou que o homem que a atacou era seu ex-noivo. Segundo ele, a mulher relatou ter sofrido 27 facadas. Para o advogado, o caso não pode ser tratado como mais um. “Trata-se de uma tentativa brutal de calar uma mulher pelo simples fato de ela não mais aceitar viver sob o medo, o controle e a agressividade”, enfatizou. Ele destacou ainda que a mulher sobreviveu, mas "carrega marcas profundas — no corpo e na alma". Lourenço apontou que, infelizmente, ela não é a única. “Santos ainda assiste, dia após dia, a mulheres sendo violentadas por quem deveria protegê-las, amá-las, respeitá-las”. “Nosso dever é zelar para que a verdade seja reconhecida e a Justiça cumpra seu papel, pois não há mais espaço para a omissão diante da violência contra a mulher”, finalizou o advogado. Defesa O advogado Giuliano Luiz Teixeira Gaino, que defende o acusado, esclareceu que recebeu com surpresa a denúncia oferecida pelo MP por feminicídio tentado. "As circunstâncias do fato e os indícios até então reunidos na fase do inquérito policial não indicam intenção homicida por parte do defendido, antes o contrário, pois o mesmo somente agiu em defesa própria, o que será melhor esclarecido no curso do processo", apontou o defensor. Gaino disse ainda que seu cliente acionou a Polícia Militar pelo 190 e pediu socorro ao Samu, porque não desejava mal maior à vítima e com ela permaneceu até a chegada das viaturas. "De qualquer forma, os fatos serão melhor apurados no curso da instrução processual, ocasião em que a defesa provará que não houve dolo por parte do acusado, ao contrário do alegado pelo MP".