Fábio havia enfrentado problemas com a Justiça e chegou a ser preso por porte ilegal de arma (Reprodução) A família de Fábio Luciano, de 51 anos, morto a facadas em Bertioga, no litoral de São Paulo, vive o luto marcado por uma dor ainda maior: a do reencontro que nunca aconteceu. Segundo a filha dele, que mora na Paraíba, em Rio Tinto, e preferiu não ser identificada, o pai havia deixado o convívio da família há 20 anos e planejava rever os filhos pela primeira vez em duas décadas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Ele foi embora quando eu tinha 1 ano. Hoje, tenho 21. A gente nunca mais se viu pessoalmente”, conta a jovem, em entrevista para A Tribuna. Ela relata que, mesmo longe, o pai nunca cortou totalmente o contato. As conversas por telefone e WhatsApp eram o único elo com o homem que dizia querer reencontrar os filhos. “Ele chegou a ligar no mês passado, falou que estava tudo resolvido, só faltavam umas coisas do trabalho. Disse que viria neste mês. Estávamos na expectativa”, comenta. O homem morava em Bertioga e foi morto durante briga numa casa onde participava de uma festa junina com vizinhos. Segundo o que foi contado à família, a companheira de outro homem teria se desentendido com Fábio e o marido, por ciúmes, desferiu golpes de faca nele. A filha diz que ainda tem dúvidas sobre o que, de fato, aconteceu. “A gente não acredita totalmente. É muito estranho. Todo mundo ficou em choque”. A notícia da morte chegou de forma abrupta. “Na noite anterior, uma mulher ligou dizendo que era vizinha dele e que estavam todos comemorando o São João. No dia seguinte, soubemos da tragédia”, conta a filha. Ela afirma que os documentos e o celular do pai teriam desaparecido após o crime e que a família só conseguiu evitar que ele fosse enterrado como indigente por intervenção de um tio. “Ele foi enterrado em Mauá, no Jardim Santa Lídia, perto do irmão. A gente queria que ele fosse sepultado perto da família”. Vínculo emocional e problemas com a Justiça Mesmo com a distância, o vínculo emocional permaneceu forte. “Independente de tudo, ele era nosso pai. Sempre ligava, falava com minha avó, com minha mãe, com meu irmão. Ele dizia que queria voltar. Quando contei que estava grávida, ele ficou todo empolgado, dizendo que ia ser vovô”. Segundo a filha, o pai havia enfrentado problemas com a Justiça e chegou a ser preso por porte ilegal de arma. “Ele também teve envolvimento com drogas, mas já estava tentando se organizar. Queria abrir o próprio negócio, ter uma vida melhor”. A família diz que não teve condições para registrar um boletim de ocorrência neste momento de luto e que concentra os esforços em garantir um enterro digno para Fábio. “A prioridade era trazer o corpo dele para um lugar onde tivesse algum parente”, observa a filha. Hoje, ela diz viver o luto. “A ficha ainda não caiu. A gente sofreu tanto com boatos, já chorou à toa antes, quando diziam que ele tinha morrido. Desta vez, foi real. Mas, na minha cabeça, ainda não acredito”. Relembre o caso O homem de 51 anos foi morto a facadas durante uma festa junina entre vizinhos, em Bertioga, no litoral de São Paulo. Segundo o relato de uma amiga que socorreu a vítima, a confusão começou após uma discussão motivada por ciúmes e terminou com o esfaqueamento de Fábio Luciano. O autor do crime está foragido. O crime ocorreu na madrugada de segunda-feira (30), no bairro Chácaras, em um quintal onde vizinhos haviam se reunido para a confraternização com crianças, doces e churrasco. Segundo a amiga, a festa foi organizada informalmente por ela e outra moradora, e contava com a presença de familiares, vizinhos e amigos. A mulher disse que Fábio teria passado o dia no local, consumindo bebida alcoólica e conversando com conhecidos. Um casal que morava nos fundos do mesmo terreno também participou do evento. De acordo com o relato, o marido teria se irritado ao ver Fábio oferecer seu cartão para que a mulher dele comprasse mais cerveja. A discussão se intensificou até o momento em que o homem foi até sua casa, pegou uma faca e atacou Fábio com diversos golpes. “Foi tudo muito rápido. Eu vi a faca, comecei a gritar. Ele (Fábio) ainda correu, mas caiu na rua. A gente tentou ajudar, chamei a ambulância, fiquei do lado dele até o fim”, conta a testemunha. Após as facadas, Fábio ainda apresentava sinais vitais, mas não resistiu aos ferimentos. “Quando liguei a segunda vez para a ambulância, ele já não tinha pulso. Havia muito sangue”. A mulher afirma que Fábio foi atingido por pelo menos sete facadas. Ele morava sozinho em Bertioga e, segundo vizinhos, era conhecido na região por frequentar estabelecimentos próximos. Autor do crime fugiu A amiga diz que o autor das facadas fugiu em direção a uma área de mata. Segundo a testemunha, o homem ainda apareceu horas depois, de madrugada, procurando saber onde estava a esposa, mas voltou a desaparecer em seguida. Ainda segundo a amiga de Fábio, a família dele foi localizada com a ajuda de moradores por meio das redes sociais. Parentes vieram de São Paulo para fazer o reconhecimento do corpo e providenciar o velório. De acordo com a testemunha, Fábio havia se mudado para Bertioga há alguns anos. Posicionamentos A Tribuna entrou em contato com a Prefeitura de Bertioga, que, por meio do Instituto Nacional de Tecnologia e Saúde (INTS), responsável pela gestão do Hospital Municipal de Bertioga, informou que a vítima deu entrada na unidade, já em parada cardiorrespiratória, socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). A Administração Municipal também disse que foram realizadas manobras de ressuscitação cardiopulmonar, mas sem sucesso, constatando-se o óbito. A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) disse que a Polícia Civil investiga o homicídio. Segundo a pasta, o autor do crime, ainda não identificado, fugiu após o ocorrido. O caso foi registrado como homicídio na Delegacia de Bertioga. Investigações são realizadas visando a localização do autor do assassinato.