Celular foi achado escondido na pia de um banheiro em prédio comercial no bairro Aparecida, em Santos (Reprodução/Polícia Civil e Divulgação/Prefeitura de Santos) Um homem de 22 anos foi detido e levado à delegacia na tarde desta terça-feira (14). Ele é acusado de instalar um celular escondido na pia de um banheiro feminino, para gravar imagens de mulheres em um prédio comercial no bairro Aparecida, em Santos, no litoral de São Paulo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão em desfavor do homem, a Polícia Civil recolheu aparelhos eletrônicos e simulacros de armas de fogo do tipo airsoft. Após prestar depoimento, o acusado foi liberado. Os policiais cumpriram mandados de busca no prédio comercial onde as gravações teriam ocorrido e na residência do investigado, localizada na Rua Barão de Paranapiacaba, no bairro Encruzilhada. A Tribuna teve acesso ao boletim de ocorrência, no qual consta que as ordens judiciais foram expedidas pela Vara do Juizado Especial Criminal da Comarca de Santos no âmbito de um inquérito policial. Segundo o documento, o investigado foi informado sobre as ordens judiciais e permitiu a entrada dos policiais nos locais. Durante as buscas, foram apreendidos um telefone celular, um computador, um notebook e quatro simulacros de arma de fogo. Todo o material foi encaminhado para perícia. Ainda conforme o boletim, a mãe do investigado acompanhou as buscas na residência e, posteriormente, esteve com ele na delegacia. Após o encerramento das diligências, o homem compareceu espontaneamente à unidade policial, onde acompanhou o registro e a apreensão dos objetos. Ele foi informado sobre seus direitos constitucionais e optou por prestar depoimento. A Polícia Civil recolheu aparelhos eletrônicos e simulacros de armas de fogo do tipo airsoft (Divulgação/Polícia Civil) Depoimento Em depoimento, o investigado reconheceu ser o proprietário do celular encontrado no banheiro feminino adaptado para pessoas com deficiência (PCD). No entanto, afirmou não se lembrar de como o aparelho foi parar no local. O homem disse que faz tratamento psiquiátrico e psicológico e utiliza medicamentos que, de acordo com seu depoimento, podem provocar lapsos de memória e episódios de amnésia parcial. Os policiais exibiram imagens do sistema de monitoramento do prédio. O investigado reconheceu ser a pessoa registrada nas gravações e confirmou que entrou no banheiro onde o celular foi encontrado. Apesar disso, alegou que não sabia que o sanitário era destinado exclusivamente ao público feminino e afirmou acreditar que se tratava de um banheiro PCD de uso comum, que costumava utilizar. Ainda em depoimento, o homem disse que faz acompanhamento psicológico e psiquiátrico devido a um comportamento voyeurista, que, segundo relatou, estaria relacionado ao consumo excessivo de pornografia durante anos. Ele afirmou sentir atração pela observação da intimidade de outras pessoas sem o conhecimento delas e declarou que conteúdos pornográficos convencionais deixaram de lhe proporcionar a mesma satisfação, levando-o, segundo suas palavras, a buscar estímulos cada vez mais intensos. Por fim, o investigado afirmou que tenta controlar esses impulsos por meio de tratamento especializado e do uso de medicamentos. Também forneceu, de forma voluntária, as senhas de desbloqueio do celular encontrado no banheiro e dos demais aparelhos apreendidos, autorizando o acesso ao conteúdo armazenado e a realização das perícias necessárias para o esclarecimento dos fatos. A Tribuna entrou em contato com a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), para informações adicionais, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.