[[legacy_image_358726]] Uma simples compra no mercado virou um caso de polícia e injúria. Um editor de livros, de 44 anos, afirma ter sido vítima de homofobia por parte de uma outra cliente, ainda não identificada, na tarde de segunda-feira (20), no Supermercado Jangada, que fica na Rua Bahia, no Gonzaga, em Santos. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A Tribuna teve acesso ao boletim de ocorrência, que narra que o caso aconteceu às 12h45. A vítima, Cristiano Oliveira da Conceição, alega que estava no setor de frutas quando uma mulher, de aparentemente 50 anos, se aproximou e começou a provar uvas para comprar. Ela estava acompanhada de uma idosa, que supostamente é cuidadora. O homem diz que, em determinado momento, a acusada provou uma uva e jogou a casca no chão, caindo próximo ao pé dele. Na sequência, a vítima comenta que repreendeu a atitude questionando se precisava jogar a casca no chão, momento em que a mulher o chamou de "querida" e começou a imitar gestos afeminados, como forma de tentar lhe ridicularizar por sua orientação sexual. Ao rebater o ato criminoso, o editor relata que a mulher voltou atrás e começou a falar que ele era ‘surdo’ e teria lhe chamado de querido. A vítima relembra que afirmou que chamaria a polícia e ouviu da acusada que ‘não daria em nada’. A Polícia Militar (PM) foi chamada e a mulher foi embora com a idosa. Vítima falouEm entrevista para A Tribuna, o editor de livros comenta que a situação pode parecer absolutamente normal aos olhos de algumas pessoas, porém retrata, na realidade, um crime. “Me dirigi à entrada do mercado, estava bem nervoso porque eu nunca tinha passado por esse tipo de situação”. “A gente, que é homossexual, passa por situações, mas elas são muito mais sublimes do que essas. Não são tão enfáticas. Eu fiquei aguardando (a PM) e depois eu entrei para pegar minhas coisas que eu tinha deixado e a encontrei entre umas das sessões. Ela debochava o tempo todo, fazia caras e bocas”, relata. Ele reforça que a idosa que acompanhava a acusada pedia para que ela parasse com o comportamento hostil e chegou a, inclusive, repreender a cuidadora. “Ela utilizou como desculpa a saúde da senhora que ela estava acompanhando, que ela tem câncer. Todo agressor utiliza uma válvula de escape ou de desculpa do próprio preconceito que realiza contra a pessoa”. Cristiano descreve que um segurança do supermercado tentou intermediar a situação e acalmar os nervos, porém insistiu em ligar para a polícia e buscar por seus direitos. Entretanto, em determinado momento, o funcionário teria notado o deboche da mulher contra a vítima e tomou seu partido. “É uma sensação de vazio. Que você não tem onde se agarrar, você fica desprotegido diante de situações assim. Falei até lá na hora que isso poderia ser com uma mulher. Não precisa ser um caso de homofobia. O injurio engloba todos os outros tipos de preconceito e agressões”. Porém, Cristiano afirma que, diante dessas situações, não se pode ceder em hipótese alguma. “Naquele momento eu tive vontade de chorar. Mas eu não poderia demonstrar nenhum sinal de fraqueza, porque eu achava que aquilo era incorreto. Você fica sem ar”. Depois de registrar um boletim de ocorrência, Cristiano agora busca pelas imagens de monitoramento do estabelecimento para ajudar na investigação policial e procura por informações pessoais da acusada para dar seguimento ao inquérito criminal. Ele registrou o rosto da agressora. Com a identificação da acusada, o editor de livros pretende processá-la pedindo apenas as custas judiciais e fazer serviços pedagógicos para que ela aprenda a não repetir atitudes de cunho preconceituoso. “Estou processando tudo ainda assim. Eu não sei explicar, porque ela representa uma boa parte da nossa população”. PosicionamentoEm nota, o Supermercado Jangada disse que não compactua com "qualquer conduta discriminatória e/ou preconceituosa". A empresa alega que tomou conhecimento da discussão envolvendo os clientes, e que "infelizmente não foi possível aferir se de fato houve atos que possam caracterizar homofobia". A rede também ressalta que está à disposição das autoridades para esclarecer o ocorrido, bem como que o "sistema de monitoramento apenas e tão somente identificou trecho de uma suposta discussão". O supermercado afirma que manifesta "total apoio e solidariedade a todos que têm sofrido algum tipo de constrangimento e discriminação", e que se compromete com a promoção da igualdade étnico-racial, de gênero, sexual e religiosa. A Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP) informou que o caso citado é investigado pelo 7° Distrito Policial (DP) de Santos e ressaltou que, neste momento, diligências estão em andamento para identificar a autoria.