Ueslei ficou o olho roxo e diversos hematomas pelo corpo. O administrador alegou que foi mal atendido na delegacia e que ficou algemado durante a madrugada (Marco Antônio/TV Tribuna e Arquivo Pessoal) O administrador Ueslei Abreu das Neves, de 34 anos, alega ter sofrido racismo e ter sido agredido violentamente por policiais militares em frente a uma farmácia, no Gonzaga, em Santos, na última segunda-feira (9). O homem ficou com o olho roxo e diversos hematomas pelo corpo. Por conta disso, ele precisou ser socorrido até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Central. A Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP) rebateu que um PM teria sido ofendido e apura o caso. Em entrevista à TV Tribuna, Ueslei disse que saiu durante a madrugada para passear com seus gatos, já que nesse horário é mais calmo e silencioso. Ele foi até uma farmácia que fica na esquina da sua casa e gravou um vídeo brincando com os felinos. Em determinando momento, policiais militares apareceram e abordaram o administrador. “Veio um carro da polícia e sai dois policiais de dentro do carro. Um deles com a arma na mão e já fazendo assim para mim (mão indicando que ficasse parado), mandando eu colocar as mãos na cabeça, virar e mandando calar a boca, com uma abordagem bem racista”, relatou Ueslei. Depois, segundo ele, os agentes começaram a agredi-lo. “Quero as imagens do local...Me chutaram, me bateram, deram soco na cara, fui arrastado pelo braço no chão. Fui empurrado para dentro da viatura. Não perguntaram nada, meu nome e o que eu estava fazendo”. De acordo com informações da TV Tribuna, no boletim de ocorrência consta que os policiais foram checar o alarme da farmácia que teria sido acionado. Ao chegaram no local, encontraram Ueslei sentado próximo a porta do estabelecimento. Os agentes pediram para o administrador levantar a camiseta e ele obedeceu. Quando pediram que botasse as mãos na cabeça, segundo o boletim, o homem teria caminhado e questionado a abordagem, se era por ele ser negro. Os policiais disseram no documento que para afastá-lo, um deles deu um tapa no rosto de Ueslei. Após ser agredido, ele foi levado até a UPA Central, onde alegou que sofreu racismo. Segundo ele, mesmo com a boca cheia de sangue e dizendo que seu rosto estava todo ‘quebrado’, o profissional teria se recusado a examiná-lo. O homem acrescentou que também foi mal atendido na delegacia, onde ficou algemado até o começo da manhã, quando foi liberado. O caso foi registrado como desacato e lesão corporal durante intervenção policial no 7° Distrito Policial (DP) de Santos. A SSP ressaltou que, durante a abordagem, ele teria ofendido um dos policiais, que precisou contê-lo. Os dois receberam atendimento médico na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Central e, depois, foram encaminhados à delegacia. A Polícia Militar também apura o caso por meio de um Inquérito Policial Militar (IPM). A Prefeitura de Santos informou, em nota, que todas as unidades geridas por organizações sociais passam por avaliação periódica em relação ao cumprimento de metas quantitativas e qualitativas e que o caso mencionado será apurado pela Secretaria de Saúde junto à InSaúde. A Administração ressaltou, também, que o canal oficial para a apuração de denúncias é a Ouvidoria Municipal e, até o momento, a secretaria não foi informada de oficialização de denúncia.