Grupo transmitiu o crime em Santos ao vivo pelo TikTok (Reprodução) O grupo que espancou e roubou o engenheiro ambiental e mestrando Marcelo de Oliveira Rocha, de 30 anos, em Santos, no litoral de São Paulo, transmitiu o crime ao vivo pelo TikTok para dezenas de pessoas. O engenheiro teve a morte confirmada na segunda-feira (26) e, agora, a Polícia Civil investiga o caso como latrocínio. (Veja vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Nas imagens da transmissão, um dos suspeitos aparece exigindo o celular do engenheiro e ameaçando matá-lo. “Só manda o telefone para nós não te matar [Sic]”, diz. Em seguida, o homem incentiva os comparsas a impedir que Marcelo fuja. A vítima responde “Não, espera aí” antes de ser atingida pelo soco. Após a queda, os integrantes do grupo pegam os pertences do engenheiro. Ao perceber que ele está desacordado, um dos suspeitos comenta: “Vish, nossa. Dormiu, louco”. Outras pessoas que acompanhavam a transmissão também interagem com o autor das imagens, aparecendo divididas na tela. Inicialmente, o caso havia sido registrado como roubo com resultado de lesão corporal grave. Com a confirmação da morte, a Polícia Civil passou a tratar o caso como latrocínio. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) informou que o 4º Distrito Policial (DP) de Santos trabalha para identificar e localizar os envolvidos no crime. Segundo a pasta, a apuração utiliza imagens de câmeras de monitoramento e de redes sociais, além de depoimentos de testemunhas, para identificar a participação de cada agressor. -Veja o vídeo (1.534914) Relembre o caso O crime ocorreu na Rua Henrique Ablas, depois que Marcelo se afastou de uma apresentação da Banda Esquerdantina, que participava de um ato em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Por volta das 3h, o engenheiro saiu para ir ao banheiro, mas não voltou. Imagens de câmera de segurança registraram o momento do crime. Marcelo aparece de camiseta branca e sozinho. Após ser abordado por dois homens, o restante do grupo aparece e cerca o engenheiro. Em seguida, as imagens mostram Marcelo sendo agredido e caindo no chão. Enquanto o engenheiro estava desacordado, os homens roubaram seus pertences e deixaram o local. Preocupados com a demora, amigos começaram a procurar Marcelo e o encontraram inconsciente. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e encaminhou o engenheiro à Santa Casa de Santos, onde permaneceu internado. Posteriormente, ele foi transferido para o Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), na Capital. Grupo cobra justiça Após a confirmação da morte de Marcelo, a Banda Esquerdantina divulgou uma nota lamentando a perda. “Marcelo era um de nossos inúmeros amigos, razão de existirmos como grupo. Sua perda nos indigna ao mesmo tempo em que denuncia a vulnerabilização dos que se reúnem no campo democrático para expressar sua opinião e o direito de ser quem somos”, diz trecho da publicação. Ainda na nota, o grupo criticou a falta de proteção oferecida para o evento e cobrou a punição dos responsáveis. “Marcelo morreu na defesa de uma sociedade justa e fraterna representada na causa que apoiou e que venceu. Toda solidariedade e apoio aos familiares e amigos. Justiça Para Marcelo”, declarou a banda. Apesar do posicionamento, ainda não há confirmação de que a agressão tenha sido motivada por homofobia ou divergências políticas.