[[legacy_image_98750]] Um grupo de vinte pessoas fez uma manifestação na tarde de quinta-feira (2), em frente ao campus da Universidade São Judas Tadeu, em Cubatão. Eles protestaram contra a atitude de um estudante de medicina da faculdade, que impediu um colega de turma negro de entrar num elevador, no dia 26 de agosto. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! O grupo se reuniu com faixas e cartazes e pediu justiça pelo estudante Thiago Cassio Fuzatti dos Santos, de 20 anos. Ele voltava do intervalo quando foi impedido de entrar no elevador pelo colega, que teria usado a palavra “sujo” para se referir ao jovem. A organização do protesto, convocado por oito entidades de luta antirracista da Baixada Santista, questionou, em nota de repúdio, “o que esperar de um futuro profissional médico que demonstra ter, durante sua formação, um repertório de comportamento com atitudes racistas?”. A nota continua expressando preocupação com “um total desrespeito pela dignidade humana e ausência de honradez no trato com a pessoa humana”. AcusaçãoEm entrevista para A Tribuna o advogado de acusação André Carlos dos Santos disse que duas testemunhas foram ouvidas pela polícia pouco antes do protesto, a namorada de Thiago e outra pessoa que presenciou os fatos. Nos próximos dias, a acusação espera levar à delegacia uma outra testemunha, que estava no elevador . O acusado ainda não prestou depoimento, de acordo com o advogado. “Ele disse para mim: você não vai entrar no elevador não, seu sujo. Eu segurei o elevador e falei para ele pedir desculpa, mas ele saiu pela escada, afirmando: mas você é sujo mesmo”. Fuzatti diz que mais 15 pessoas esperavam o elevador e todos observaram a cena. “Alguém contou para ele que eu tinha ligado para a polícia e ele foi embora antes do final da aula para não ser preso em flagrante”, contou à A Tribuna, um dia após o ocorrido. Diferença socialO estudante observa que o curso de medicina, em si, "reflete de uma forma muito clara a diferença social". "Pagar R\$ 9 mil de mensalidade não é para qualquer um. Meus pais vieram de família pobre, mas por sorte conseguiram dar condições de estudo para mim. Mas sei que sou uma exceção". Mãe de Thiago e advogada, Márcia Alexandra Fuzatti dos Santos também se manifestou. "Meu filho não depende de cota. Eu pago faculdade dele e desde o início. Este menino não aceita o meu filho. Faz piadas e chegou dizer para a namorada que ele (filho) era preto e sujo. Em 300 pessoas do curso, temos apenas dois negros". RepúdioEm nota, a Universidade São Judas disse considerar legítimo o direito à manifestação pacífica e ressaltou repudiar atitudes discriminatórias realizadas contra qualquer pessoa, dentro ou fora da comunidade acadêmica. Sobre o fato ocorrido, a Instituição afirmou ter realizado o acolhimento imediato ao estudante e ter instaurado uma sindicância para apurar os fatos e tomar as providências cabíveis. Outras entidades também assinaram nota de repúdio, como o Conselho Municipal de Igualdade Racial (COMPIR), Educafro Núcleo Cubatão, Coletivo Mulheres Negras no Front, Unificação das Quebradas, Coletivo Original Hip-Hop, G'Z, Unegro Costa da Mata Atlântica, Sindicato dos Trabalhadores em Asseio e Conservação da Baixada Santista (Sindilimpeza). O caso foi registrado na Delegacia Sede de Cubatão como preconceito de raça ou de cor. Fuzatti agradeceu o apoio dos manifestantes e do corpo acadêmico, que estão contra qualquer atitude discriminatório. A Tribuna não teve retorno do advogado do indiciado.