Apesar da proximidade de um posto policial, nenhum agente apareceu para ajudar a conter a situação, segundo Ana Luiza (Ana Luiza Rodrigues) O temporal que atingiu a Baixada Santista na noite de terça-feira (18) também foi cenário de ações criminosas. Durante a tempestade, a cirurgiã pediátrica Ana Luiza Rodrigues, de 38 anos, foi vítima de um assalto enquanto aguardava, junto a outros motoristas, a água baixar na Avenida Nossa Senhora de Fátima, em Santos. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Ana Luiza estava voltando de seu trabalho em São Paulo e chegou a Santos por volta das 20h, quando já encontrou a cidade enfrentando graves alagamentos. A médica decidiu, então, seguir até a região da Avenida Nossa Senhora de Fátima para tentar desviar do congestionamento na entrada do município. Quando chegou à via, encontrou outros motoristas também "ilhados", e teve que subir com o veículo na ciclovia para evitar que ficasse submerso. Só que a situação piorou conforme a chuva aumentou e o trânsito ficou completamente parado. Por volta das 23h, quando o nível da água já começava a descer, um grupo de adolescentes começou a circular entre os carros, abordando motoristas, num arrastão. “De repente, um menino de uns 15 ou 16 anos se aproximou, bateu a arma no meu vidro e começou a pedir celular, dinheiro e joias. Como eu não estava com nada de valor, entreguei o celular e o dinheiro que tinha na bolsa”, conta Ana Luiza, que, assustada, teve medo de que os jovens agissem de forma violenta. Os adolescentes estavam agitados e vestiam roupas escuras, segundo relato da médica. Durante o assalto, os carros ao redor também começaram a ser alvos e um senhor ajudou Ana Luiza a dar ré para tentar sair da área alagada. No entanto, ao passar por uma parte mais funda, o veículo acabou parando, e foi necessário buscar ajuda para empurrá-lo até um posto de gasolina. Foi nesse posto, em frente à rodovia, que Ana Luiza recebeu apoio de dois jovens que a ajudaram a empurrar o carro até um local seguro. Lá, ela conseguiu entrar em contato com seu marido e teve um princípio de crise de ansiedade, sendo amparada por uma enfermeira que estava no local. “Fiquei muito nervosa, minha pressão subiu e tive uma crise de ansiedade muito forte. Graças a essas pessoas, consegui ajuda e meu marido chegou depois de uma hora e meia”, relata. Ana Luiza não sofreu grandes prejuízos financeiros. O celular foi roubado e algumas compras foram feitas no Mercado Livre utilizando um cartão vinculado ao seu nome, mas ela conseguiu cancelar todas as transações a tempo. “Se não fosse pelo conhecimento técnico do meu marido, que conseguiu bloquear o acesso ao celular e aos cartões, poderia ter sido muito pior. Muitas pessoas não têm esse suporte”, completa. O episódio deixou Ana Luiza e seu marido preocupados com a segurança na região, especialmente devido à ausência de patrulhamento policial durante o tempo em que estiveram aguardando no local. Apesar da proximidade de um posto policial, nenhum agente apareceu para ajudar a conter a situação, segundo a médica. “Foi uma experiência muito difícil. Ficamos ali expostos à possibilidade de mais assaltos, e o pior é que as autoridades não estavam presentes para nos proteger”, diz ela, que, depois de algumas horas, conseguiu ir para casa com a chegada de um motorista de Uber. A Tribuna entrou em contato com a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), que, por meio de nota, informou que o caso citado pela reportagem foi registrado na quinta-feira (20), por meio da Delegacia Eletrônica. Após a validação, a vítima será informada por e-mail e pela própria Delegacia Eletrônica sobre os próximos passos da investigação.