Golpes na venda de imóveis têm sido registrados em Santos, Praia Grande, Guarujá e outras cidades da Baixada Santista; orientação é verificar número do Creci do corretor e desconfiar de valores muito baixos (Reprodução) O número de anúncios falsos de imóveis tem crescido no litoral de São Paulo, principalmente após a popularização das redes sociais e plataformas digitais de compra, venda e locação. Corretores da Baixada Santista relatam aumento preocupante de casos envolvendo golpistas que utilizam fotos reais de imóveis e preços muito abaixo do valor de mercado para atrair vítimas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo a corretora Luciana Maia, que atua há 14 anos no mercado imobiliário, os casos têm sido registrados em cidades como Santos, Praia Grande, Mongaguá, Peruíbe e Guarujá. “Eles não escolhem bairros específicos, mas preferem imóveis mais chamativos, como casas e apartamentos de frente para o mar, porque atraem turistas e pessoas interessadas em temporada”, explica. Como funciona o golpe De acordo com a profissional, os criminosos copiam anúncios reais de imobiliárias e corretores em portais especializados e republicam com valores mais baixos para chamar atenção. Entre as plataformas onde esses anúncios aparecem com mais frequência estão Imóvelweb, OLX, Facebook Marketplace e Chaves na Mão. O principal atrativo é o preço. “Os golpistas usam valores abaixo do mercado para atrair os clientes. Não existe uma faixa exata, mas é sempre algo que chama muita atenção”, afirma Luciana. Após o primeiro contato, os falsos corretores costumam pedir pagamento antecipado, seja como sinal para garantir a venda, taxa de reserva ou até oferecendo desconto para pagamento à vista. Quando percebem que foram enganadas, muitas vítimas procuram a delegacia para registrar boletim de ocorrência. Sinais de alerta Entre os principais indícios de fraude estão: Valor muito abaixo do mercado; Características incompatíveis com o padrão do imóvel anunciado; O anunciante costuma ter imóveis espalhados por diversas cidades do Brasil; Pressa para pagamento de sinal. Luciana Maia reforça que é fundamental verificar se o corretor possui número de registro no Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci) e conferir essa informação nos canais oficiais. “É preciso ficar atento ao número do Creci nos portais e sempre desconfiar de ofertas muito vantajosas”, orienta. Poucas denúncias formais O presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto, afirma que, apesar da percepção de aumento dos golpes, o órgão não recebe tantas denúncias formais quanto deveria. “Por incrível que pareça, as pessoas registram boletim de ocorrência, mas não comunicam ao Creci. Esse é um grande erro. Se todos comunicassem, poderíamos tomar providências mais rapidamente”, explica. Segundo José Augusto, ao receber uma denúncia, o conselho instaura procedimento de constatação de exercício ilegal da profissão, notifica o responsável e encaminha o caso ao Ministério Público para as providências legais. O presidente do Creci-SP destaca que os golpistas raramente utilizam número falso de registro profissional, pois a verificação é simples e pode ser feita no site oficial do conselho. “Eu sempre aconselho: entre no site do Creci, procure a cidade onde pretende fazer negócio e identifique os corretores registrados naquela localidade. Assim, você terá certeza de que está tratando com um profissional habilitado”, afirma. Região visada por turistas Embora não haja dados estatísticos específicos da Baixada Santista, José Augusto Viana Neto afirma que a região está entre as mais visadas, especialmente em locações de temporada. “A Baixada Santista é muito cobiçada por turistas do Brasil e do mundo. Muitas pessoas acabam acreditando nos anúncios e fazem depósitos para reserva, perdendo o dinheiro”, alerta. Impacto no mercado Além do prejuízo financeiro às vítimas, os golpes também afetam a credibilidade do setor imobiliário na região. “Prejudicam — e muito. Muitos clientes passam a duvidar até de profissionais sérios, questionando valores, documentação e até a existência real do imóvel. O consumidor fica com receio de pagar sinal ou até de agendar visitas, o que torna o processo mais lento e difícil”, afirma. Corretores têm denunciado os casos ao Creci, que é responsável pela fiscalização profissional. Segundo Luciana Maia, as plataformas digitais costumam retirar os anúncios após denúncia, mas o processo não é imediato. Em muitos casos, o perfil do falso corretor é excluído posteriormente.