[[legacy_image_181480]] Clientes lesados por uma loja de veículos, em Santos, se manifestaram após a publicação de uma matéria de ATribuna.com.br. O comércio, que fica no Bairro Embaré, atualmente está fechado, porém, com vários Boletins de Ocorrência registrados e dezenas de casos pendentes na Justiça. Revoltadas, as vítimas criaram um grupo no WhatsApp e começaram a cruzar os fatos envolvendo a loja Mega Automóveis. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Em um dos casos, duas das vítimas sofreram o golpe envolvendo o mesmo veículo. "Tenho dois financiamentos feitos em meu nome, e, fui infelizmente lesada", diz uma das compradoras. Uma bióloga, que prefere não se identificar, contou que comprou um Xsara Picasso, ano 2008, e que o veículo já veio com problemas no câmbio. "Nunca peguei o carro, pois foi direto para o conserto. Fiz o financiamento, no banco Santander, em 1.º de novembro e no final de dezembro, o proprietário me disse que havia uma Meriva ótima para eu pegar, em vez do Picasso". Foi então, que a bióloga fez um segundo financiamento, agora junto ao banco Itaú. "Ele disse para não me preocupar, que ele iria quitar o financiamento anterior até o dia 30 de janeiro", conta a vítima. Mesmo assim, ela vem pagando as prestações do primeiro financiamento, pois não foi quitado: "Não quero sujar meu nome", relata. Entretanto, o pior estava por vir. O carro oferecido pelo golpista tinha dono, e era um técnico de segurança do trabalho que havia comprado o Meriva do seu vizinho e deixado na loja em consignação. Como diz a lei e o direito do consumidor, assim que o veículo fosse vendido, ele receberia o dinheiro. Mas, não foi o que aconteceu. A bióloga levou o carro e o técnico nunca recebeu o dinheiro. Um Boletim de ocorrencia foi registrado pela vítima. Sem saber da história, a família da bióloga utilizava o carro diariamente até que um dia (24 de maio) seu filho foi parado por uma viatura policial. "Foi um dos meus piores dias. Meu filho estava com a esposa e minha neta, de um ano e um mês, quando foram abordados pela polícia. Fomos todos parar na delegacia, inclusive o dono da Meriva, que a levou embora. Conclusão: estou com dois financiamentos e nenhum carro", disse revoltada. Já o técnico se sentiu aliviado ao ter recuperado o seu veículo. "Agradeço aos policiais por devolverem meu carro", diz Fábio. Sem BO Além desses casos, mais de 30 pessoas relataram no grupo de WhatsApp que também tiveram problemas com a loja. Além disso, existem dezenas de carros financiados com os dados de clientes que relataram ter dificuldades para dar sequência ao registro do BO. Um dos clientes relatou com indignação a resposta que ouviu na delegacia. “ Na polícia, informam que o motivo do meu BO ser indeferido é devido às partes não terem chegado a um acordo e que eu teria que resolver na Justiça. Isto é um absurdo", diz outro cliente lesado. A equipe de reportagem entrou em contato com o proprietário da loja, que informou que iria verificaria junto a seu advogado como iria se posicionar. Porém, até o fechamento desta matéria, ele não atendeu e nem retornou as ligações. Situação atípica A bióloga conta que no dia em que teve o carro apreendido, seu filho e sua nora vivenciaram uma situação atípica. "Antes de serem levados à delegacia, a viatura foi atender a uma ocorrência com meu filho, minha nora e neta dentro da viatura. Minha nora disse que tremia de medo. De acordo com ela, a viatura foi a um local onde havia acontecido um roubo antes de seguirem à delegacia", conta a bióloga. Questionada por A Tribuna, a Secretaria de Segurança Pública disse em nota que no dia 24 de maio, policiais militares atenderam a uma ocorrência de furto de portão e no percurso até a residência da vítima abordaram um veículo com queixa de apropriação indébita. O carro foi apreendido e os ocupantes foram conduzidos até a Central de Polícia Judiciária para prestarem esclarecimentos, assim como a vítima que teve o portão furtado. No boletim de ocorrência registrado como estelionato e localização/apreensão de veículo elaborado pela Polícia Civil, o casal não relata o fato informado pela reportagem. A pasta reforça que qualquer irregularidade durante a abordagem pode ser apresentada à Corregedoria da Polícia Militar para a devida apuração.