Vítima marcou um encontro pelo Tinder e foi sequestrada; dois criminosos foram presos em São Vicente (Imagem ilustrativa/Pexels/Pixabay) Acusados de serem integrantes de uma quadrilha criminosa que aplicou o ‘golpe do Tinder’ em um jovem de São Paulo, dois moradores de São Vicente — de 27 e 31 anos — foram presos temporariamente na manhã desta quarta-feira (14). Na época do crime, o rapaz de 20 anos achou que sairia com uma mulher e acabou sendo sequestrado por um grupo de seis homens. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com o boletim de ocorrência, policiais do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope) realizaram os cumprimentos de mandados de busca e apreensão em imóveis nas ruas Dique de Caxetas, Dique do Piçarro, Walt Disney, Nadim Gannoum e Tambaú. Todas em São Vicente. Os membros da suposta quadrilha foram presos nas ruas Venceslau Brás e Visconde de Tamandaré. Os dois tiveram o pedido de prisão temporária concedido após terem sido reconhecidos fotograficamente pela vítima do sequestro. Conforme o boletim, os dois foram submetidos a exames de corpo de delito e passaram pela audiência de custódia. Três celulares foram apreendidos durante as respectivas prisões. 'Golpe do Tinder' Natural de Santiago (Chile), a vítima foi um rapaz que tinha 20 anos na época do crime. Ele contou à Polícia Civil que criou um perfil no aplicativo de relacionamento e começou a conversar com uma suposta garota, que não quis passar telefone para contato - toda conversa teria acontecido via app. No dia 1º de agosto de 2024, o chileno marcou um encontro na Rua Lealdade, no bairro Jaguaré, em São Paulo. O rapaz esperou pela garota próximo ao local do encontro e, quando já estava quase desistindo de aguardar, foi abordado por seis homens que desceram de uma escadaria pública próxima do ponto. Sob graves ameaças de agressões, o chileno foi obrigado a subir a escadaria com o grupo. A vítima ficou por cerca de seis horas em posse dos criminosos e foi liberada apenas na madrugada do dia seguinte. Nesse período, diz ter sido coagido pelo grupo e viu que dois estavam armados. Também relatou que os criminosos pegaram seu celular e realizaram transferências fraudulentas de suas contas bancárias. Além disso, roubaram sua blusa de moletom verde. Em seguida, os sequestradores ligaram para os pais do chileno e pediram uma quantia em dinheiro para libertá-lo. Um vídeo foi enviado aos pais da vítima, onde o jovem aparece de cabeça baixa e olhos fechados, dizendo “Mãe, eles ‘tão’ pedindo R\$ 10 mil para eu poder ir embora, isso aqui é um sequestro” (sic). Os criminosos negociaram que, se os pais da vítima transferissem R\$ 8 mil para a conta deles, o jovem seria liberado. Neste tempo, eles pegaram as chaves do carro da vítima e roubaram um relógio que estava dentro. O veículo não foi utilizado pelo grupo. Quando ultrapassou as 2h, um outro indivíduo — que aparentava ser menor de idade — apareceu e disse que o chileno poderia ir embora, pois seu pai estava lhe esperando perto da Ponte do Jaguaré. Ele foi liberado perto de uma avenida movimentada, mas não encontrou o pai. Pedindo ajuda para as pessoas e entrando em contato com seus familiares, o jovem foi encontrado e resgatado. A Polícia Militar (PM) foi chamada e, após diligências, os agentes encontraram o carro no mesmo lugar que a vítima tinha estacionado. O chileno foi até o 14º Distrito Policial (DP) – Pinheiros, onde registrou o boletim de ocorrência e teve o veículo liberado. Quatro reconhecidos No DP, a vítima passou pelo processo de reconhecimento fotográfico e quatros homens foram reconhecidos “sem sombras de dúvidas como participantes diretos do crime”. O chileno disse que esses quatro, que incluem os dois moradores de São Vicente, teriam sido os criminosos que lhe abordaram. A reportagem de A Tribuna entrou em contato com o advogado criminalista Jonathan Pontes, que representa um dos moradores de São Vicente, e o defensor destacou que “a defesa reafirma seu compromisso com a justiça e com a plena observância do Estado Democrático de Direito. Nosso cliente mantém a presunção de inocência, direito fundamental garantido pela Constituição Federal, e repudia veementemente as acusações que lhe são imputadas”. Pontes enfatizou que foi chamado pela manhã desta quarta (14) pela companheira do cliente, informando que o marido foi levado ao 5º DP de Santos. O defensor agora recolhe provas para comprovar que o suspeito não estava em São Paulo na data dos fatos. Em seguida, pretende entrar com um pedido de habeas corpus (HC). A Tribuna tentou contato com o advogado do outro morador de São Vicente para um posicionamento, porém não obteve sucesso até a publicação desta matéria. Jonathan Pontes, advogado criminalista, defende um dos acusados (Divulgação)