[[legacy_image_257083]] Imagine que você está a procura de um emprego e recebe uma oferta tentadora de uma grande empresa por WhatsApp. O sonho, no fim, pode virar pesadelo, e com um clique, o caminho para a fraude está percorrido. O golpe do emprego vem ganhando evidência, com criminosos se passando por empresas famosas para colher dados pessoais e bancários das vítimas. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Para explicar os detalhes do golpe e dar dicas de prevenção, A Tribuna conversou com o advogado Matheus de Ávila Rodrigues, da comissão de direito digital da OAB Santos, e com o consultor e professor na área de recursos humanos Norberto Luiz de França Paul. Ávila destaca que grande parte das mensagens fraudulentas com proposta de emprego possuem ofertas de salário fora da realidade, sendo essa uma forma de atrair os usuários. "O prejuízo (do golpe) é que você vai acabar fornecendo dados pessoais para uma pessoa que provavelmente é criminosa. Esses dados fornecidos, muito provavelmente, vão ser usados para aplicar golpes em terceiros, abrir contas em bancos, fazer dívidas em nome dessa pessoa", alerta. Outra recomendação do advogado é pesquisar se a empresa mencionada na mensagem está, realmente, com vagas abertas. Essa busca pode ser feita pelas redes sociais oficiais da companhia e site oficial. Os usuários também podem observar o número de telefone que está enviando a mensagem. Parte dos golpes costuma ocorrer a partir de números estrangeiros ou pessoais, mas com DDDs de outros estados, sem ser um telefone oficial da empresa. Diferenças de abordagem Norberto Paul ressalta que, quando uma empresa ou recrutadora oferece uma vaga de emprego, ela costuma se identificar com logotipo oficial e e-mail corporativo, mas sem informar salário inicialmente. "É comum você receber uma proposta de emprego de uma empresa conhecida que faz um salário exorbitante, fora da realidade de mercado. Isso encanta a pessoa, e ela se vê tentada a mandar um currículo, quando na verdade ela está entrando em um link malicioso, que vai contaminar o celular com um vírus e captar os dados bancários da pessoa", explica. Ambos recomendam ainda que, ao elaborar e entregar currículos em plataformas digitais e pessoalmente, os candidatos à vaga não incluam informações de documentos pessoais, como RG e CPF, mas sim um telefone ou e-mail para contato. "Esse tipo de abordagem (por mensagem) está ficando muito comum. Os bandidos se aproveitam da boa vontade das pessoas e de um momento que ela está fragilizada pela falta de emprego. É preciso tomar cuidado e tentar entrar em contato com a empresa (verídica) para ter um detalhamento maior", alerta Paul. Caí no golpe. E agora? O advogado explica que, caso a vítima seja lesada, as ações a se tomar vão depender do tipo de prejuízo que ela teve. Se a vítima teve dados clonados e usados para uma compra, por exemplo, ela pode realizar um boletim de ocorrência junto à Polícia Civil e entrar com uma ação judicial. "Se já está consumada a fraude, um advogado vai precisar entrar na Justiça pra tirar ela (vítima) dessa situação. Ela vai ter que comprovar que não fez aquela compra, por meio de uma série de informações. Entre elas, a comprovação de que encaminhou o documento ou o dado pessoal para o golpista. Sempre é importante tirar print (captura de tela do celular), se resguardar de todas as conversas, pra que você tenha vários elementos de prova", afirma Ávila.