Em vídeo que repercutiu nas redes sociais, homem diz que “preto tem cheiro de preto” e que conseguiria distinguir pessoas pela melanina (Arquivo Pessoal/Murilo Luiz Santos) O gerente de um restaurante, Murilo Luiz Santos, de 29 anos, afirma ter sido vítima de dois episódios de racismo na noite desta terça-feira (24), em Santos, no litoral de São Paulo. O caso gerou forte repercussão nas redes sociais e já é alvo de medidas judiciais. (Veja vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo Murilo, a primeira situação ocorreu por volta das 20h, enquanto ele trabalhava no restaurante. De acordo com o relato, uma cliente se recusou a ser atendida por ele e fez um gesto apontando para o próprio braço, em referência à cor da pele. “Ela disse que não queria ser atendida por mim e apontou para o braço. Falou que preferia outro atendente porque ele era ‘mais bonito’. Foi nítido. Todo mundo que estava ali entendeu”, afirmou. Ainda conforme o gerente, a cliente evitou contato direto no momento da entrega do pedido, higienizou a bandeja com álcool em gel e se recusou a recebê-la de suas mãos. Clientes que presenciaram a cena teriam se revoltado com a situação e ajudado a retirar a mulher da frente do balcão. Ainda abalado com o ocorrido, Murilo decidiu sair para espairecer após o expediente e foi até a praia, onde encontrou dois amigos. Foi nesse momento que, segundo ele, sofreu o segundo episódio. -Ofensas racistas em Santos (1.503723) Falas racistas gravadas Durante a conversa, um dos homens que estava com ele teria feito declarações abertamente racistas, incluindo a afirmação de que “preto tem cheiro de preto” e que conseguiria distinguir pessoas pela melanina. “Eu já estava com a cabeça cheia. Quando ele começou com essas falas, fiquei muito incomodado e comecei a gravar. Ele sabia que estava sendo filmado o tempo todo”, relatou Murilo. Segundo o gerente de restaurante, em determinado momento, o próprio homem chega a pegar o celular e continua a gravação. Após se sentir humilhado e constrangido pelo ato, Murilo deixou o local. Chegando em casa, ele publicou o vídeo nas redes sociais. As imagens se espalharam rapidamente e mobilizaram diversos usuários da Baixada Santista. Sentimento de inferioridade O trabalhador descreve que o impacto emocional foi imediato e profundo. “Foi a segunda vez no mesmo dia que passei por algo escancarado de racismo. Eu nunca tinha me visto assim. Por um tempo, me senti inferior”, desabafou. Ele afirma que, inicialmente, o homem não demonstrou arrependimento e chegou a enviar mensagem agradecendo pela visibilidade. “Ele falou que eu tinha dado hype (visibilidade) para ele. Não havia arrependimento nenhum”, relembrou. Posteriormente, o suspeito publicou um vídeo de retratação nas redes sociais, onde pede desculpas pelo “erro”. “Eu quero me desculpar sinceramente com todas as pessoas que se sentiram ofendidas. Racismo é algo sério, que machuca e não deve ser minimizado”, afirmou. Medo de retaliação Mesmo com a repercussão e manifestações de apoio, Murilo afirma que ainda está com medo. “Fica uma insegurança na minha ida e vinda do trabalho. Ele postou coisas que dão a entender que pode haver vingança. Isso me preocupa”. Caso segue para a Justiça Murilo registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil, constituiu advogado e informou que um relatório está sendo preparado para envio ao Ministério Público Estadual (MP-SP). Ele também ingressou com ação individual contra o suspeito “Espero que isso sirva de exemplo. Racismo é crime e não pode passar impune”, finalizou a vítima.