[[legacy_image_336479]] O gabinete da Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP) já voltou para a Capital. O anúncio acaba de ser feito, nesta segunda-feira (19), por meio de comunicado oficial. Durante 13 dias, o secretário Guilherme Derrite esteve em Santos para acompanhar de perto todas as ações de investigação e diligências das polícias Civil e Militar, para identificar e prender os suspeitos de assassinar agentes de segurança e enfraquecer as organizações criminosas que atuam na Baixada Santista. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Derrite chegou a Santos no dia 7 de fevereiro, quando anunciou a instalação do gabinete temporário da SSP na cidade e a 3ª fase da Operação Verão. Durante o período, as ações foram ampliadas com o aumento no policiamento da Baixada Santista. Até esta segunda-feira, 28 suspeitos foram mortos, igualando o número de mortes da Operação Escudo, que durou 40 dias em 2023. “A partir de hoje (19), eu retorno o gabinete da secretaria para São Paulo, porém a Operação (Verão) continua aqui na Baixada Santista com reforço no efetivo, com policiais que vêm de São Paulo para reforçar as ações de inteligência que já culminaram em prisões importantes”, informou. Derrite também elogiou o empenho de toda a força de segurança que tem atuado na Operação Verão. Ao lado do coronel Cássio Araújo, comandante-geral da PM, e do delegado-geral da Polícia Civil, Artur Dian, o secretário estadual acompanhou as ações de combate ao crime organizado, tráfico de drogas e o planejamento para identificar e prender criminosos responsáveis por ataques a policiais. Números da Operação VerãoConforme a SSP, o último balanço da Operação Verão aponta mais de 681 pessoas presas, sendo 254 delas procuradas pela Justiça. Meia tonelada de drogas foi apreendida, assim como 79 armas ilegais que estavam em posse dos criminosos, entre eles fuzis de uso restrito. Policiais assassinadosA primeira vítima foi o PM Marcelo Augusto da Silva, em janeiro. Ele foi assassinado por uma quadrilha especializada em roubo de motocicletas na Rodovia dos Imigrantes, próximo a Cubatão. Um dos envolvidos foi preso ao lado do irmão gêmeo. Em 2 de fevereiro, o PM Samuel Wesley Cosmo foi morto durante uma diligência contra o tráfico de drogas no bairro Bom Retiro, em Santos. Ele atuava na Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota). A câmera corporal utilizada por ele flagrou o criminoso que efetuou o disparo. O crime desencadeou a 3ª fase da Operação Verão. Cinco dias depois, também em Santos, dois policiais militares foram baleados em um conjunto habitacional no Jardim São Manoel. Um deles, o cabo José Silveira dos Santos, não resistiu e veio a óbito. O outro foi atingido no braço e precisou ser internado, mas não corre risco de morte. [[legacy_image_336480]] Prisões importantesAs ações de investigação da Operação Verão levaram à prisão de pessoas importantes do crime organizado. Uma delas é Karen Tanaka Mori, apelidada de ‘Japa’. Ela é apontada como responsável pela lavagem de dinheiro do tráfico na Baixada Santista. A prisão de Caio Vinícius, conhecido como ‘Nego Boy’, também teve destaque. Ele é apontado como o líder do tráfico de drogas na comunidade onde o soldado Samuel Wesley Cosmo foi morto. Em Uberlândia, interior de Minas Gerais, foi preso Kaique Coutinho do Nascimento, o ‘Chip’. Ele é o suspeito que teria assassinado o PM Cosmo. Kaique foi trazido para a Baixada Santista e aguarda o julgamento na Penitenciária I de São Vicente. O advogado de defesa dele espera pelo resultado da perícia das imagens da câmera corporal do policial que registrou o crime. Suspeitos mortosOs ataques aos policiais desencadearam uma série de diligências em diversos bairros e cidades da Baixada Santista. Desde o dia 3 de fevereiro, 28 suspeitos foram mortos em decorrência da Operação Verão. Entre estes estava Rodrigo Pires dos Santos, conhecido como ‘Danone’. Ele foi morto em Guarujá, durante confronto com policiais militares da Coordenação de Operações Especiais (COE), da Polícia Militar. Na ocasião, outros dois comparsas também morreram. A 28ª morte ocorreu nesta segunda-feira, no bairro Caneleira, em Santos. A vítima foi um suspeito de 21 anos. Outros dois trabalhadores de empresa que presta serviços para a Prefeitura ficaram feridos durante o confronto com policiais da Rota. Segundo a SSP, ao tentarem abordar um grupo suspeito, os agentes foram recebidos a tiros e revidaram. [[legacy_image_336481]] ReclamaçõesEntretanto, excessos foram apontados e criticados por familiares e testemunhas em algumas dessas ações. Uma delas ocorreu em São Vicente, quando o funcionário da PrefeituraRuan Araújo foi baleado duas vezes por um PM, durante uma diligência no bairro Bitaru. O sobrinho de uma das lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC) também gerou protestos. Allan Morais Santos, conhecido como ‘Príncipe’, foi morto durante uma suposta troca de tiros com policiais em Santos. A família, no entanto, afirma que a vítima não tinha mais nenhuma ligação com o crime organizado. A morte de Luiz Antônio da Silva Diniz também é vista com indignação por familiares e amigos. O jovem de 23 anos fazia trabalhos comunitários e, após ser autorizado a passar entre alguns agentes que faziam um patrulhamento na comunidade Maré Mansa, em Guarujá, teria sido baleado. A SSP afirma que houve uma troca de tiros entre policiais militares e traficantes e um dos suspeitos veio a óbito. Moradores também reclamaram da forma como alguns policiais estariam abordando as pessoas, alguns deles teriam agido com violência e inspecionado, inclusive, os aparelhos celulares da população. Devido aos registros, um ouvidor da Polícia de São Paulo veio à Baixada Santista para acompanhar os impactos da Operação Verão. A Defensoria Pública do Estado também apelou à Organização das Nações Unidas (ONU) pelo fim da operação.