[[legacy_image_298642]] Uma funcionária, de 24 anos, afirma ter sido vítima de uma importunação sexual dentro de uma clínica médica na última sexta-feira (15) na Avenida Presidente Costa e Silva, no Boqueirão, em Praia Grande. O acusado é um oftalmologista, de 40 anos. Outras mulheres já denunciaram o mesmo profissional. A Tribuna teve acesso ao boletim de ocorrência que narra que o marido da mulher chamou a Polícia Militar (PM) após ela ter comentado o que estava acontecendo no ambiente de trabalho. A mulher cita que realizava suas atividades de rotina e entrou no consultório do oftalmologista acusado. Neste momento, a vítima diz que não havia ninguém e o profissional não estava em atendimento. Ela explica que entrou para organizar as fichas dos pacientes que iriam ser atendidos e se inclinou para uma organização. O acusado, que estava longe, foi até a direção dela para falar de um paciente e encostou a mão na cintura da vítima. O documento policial ressalta que o oftalmologista não apertou a cintura dela, não a apalpou e sequer falou algo de cunho sexual. A conversa era sobre pacientes. Porém, a mulher confirma que, por já ter acontecido outras vezes episódios de importunação verbal, sentiu que a atitude dele tinha uma certa malícia. Ainda segundo a vítima, o médico apenas retirou a mão rapidamente da cintura dela no momento em que a chefe da vítima entrou no consultório. Ele se afastou da funcionária e foi conversar com a gestora da unidade. A gestora, que chegou há pouco tempo na unidade, afirmou que, na sexta-feira (15), a funcionária lhe contou que foi importunada anteriormente pelo médico em questão. Como assumiu recentemente o cargo, a testemunha comenta que questionou se isso havia sido comunicado para a antiga gestão e informou que contaria esse relato à diretoria. Mais tarde, ainda na sexta-feira (15), a gestora reforçou que a funcionária entrou chorando em sua sala, dizendo que o médico a tinha agarrado e o marido dela estaria a caminho do local para tomar providências. Sobre a declaração da vítima, ela nega ter entrado no consultório e ter presenciado algo. O oftalmologista se defende afirmando que atendia com a porta da sala aberta, que tem uma janela de vidro que possibilita quem está do lado de fora ver o consultório por dentro, quando a funcionária entrou. Ele comenta que colocou a mão no dorso, acima da lombar, pedindo para que ela não colocasse mais fichas de pacientes da ótica antes dos agendados. O acusado desmente que a gestora da unidade tenha entrado no consultório durante esse momento. Também endossa que não apertou e nem apalpou a funcionária, que é uma prestadora de serviço e não tem relação hierárquica com ele. O boletim de ocorrência descreve que o registro do caso foi como ‘não criminal’, pois, de acordo com a legislação vigente, a conduta praticada não tem relação de tipicidade com nenhum crime contra a dignidade sexual. O documento informa que o toque praticado não se trata de um ato libidinoso. O caso foi registrado na CPJ de Praia Grande. De acordo com a Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP), as partes foram ouvidas e a mulher foi orientada a comparecer à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) para registrar os casos anteriores e a situação ser investigada. Outras vezesO mesmo profissional já foi denunciado outras vezes por mulheres. A última a ser noticiada foi uma jovem, de 27 anos, que afirmou ter sido beijada e abraçada à força por um médico de Santos, no litoral paulista. Ela relatou que o homem ainda colocou a mão dela sobre a calça dele, nas partes íntimas. Na época, a defesa do profissional disse que não havia sido informada da acusação. Esta foi a terceira denúncia contra o médico. Duas pacientes, com suspeita de covid-19, acusaram o mesmo durante um atendimento em São Vicente. Todos os casos foram registrados junto à Polícia Civil. O profissional foi afastado dos dois centros médicos onde ocorreram as consultas na época dos fatos e o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) investigava os casos. DefesaO advogado de defesa Octávio Rolim comenta que, apesar das acusações contra o médico, o caso foi uma questão de “maldade” e a suposta vítima estava “má intencionada”, pois tinha ciência dos casos antigos relacionados ao oftalmologista. “Passaram-se três anos e ele sequer foi indiciado". Sobre o caso de Praia Grande, o defensor garante que o médico “tocou nas costas dela” enquanto foi orientá-la e que foi um toque normal, costumeiro em uma convivência de trabalho, mas a suposta vítima achou que foi por maldade. “Não teve qualquer cunho de importunação ou sexual, muito pelo contrário, ele trabalha com completa ligação com a ética, sempre baseado na melhor doutrina. É um profissional, de fato, exemplar”. "Trata-se de fatos narrados pela suposta vítima que, segundo análise da própria Autoridade Policial, não configuram crime. Nega-se veementemente qualquer tentativa ou prática efetiva de atos libidinosos por parte do médico, que sempre atuou embasado pela ética e profissionalismo com os seus pacientes e colegasdetrabalho", reforçou em nota. CremespO Conselho Regional Medicina Estado São Paulo (Cremesp) afirmou que o médico citado tem Registro de Qualificação de Especialista e, até o momento, o conselho não recebeu nenhuma denúncia sobre o caso. “Caso o Conselho receba uma denúncia, que pode ser feita pessoalmente na sede ou nas regionais, ou ainda por correio, a Autarquia iniciará investigação rigorosa dos fatos”. Sobre as demais denúncias que o oftalmologista possui, o Cremesp reforçou que segue investigando os fatos, que tramitam em sigilo determinado por Lei. Já o Hospital de Olhos de São Paulo, onde o caso teria ocorrido, ressaltou, em nota, que tomou conhecimento da denúncia e do boletim de ocorrência. O grupo garantiu que está apurando internamente todos os fatos para tomar as medidas cabíveis e está dando todo o auxílio para a funcionária.