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Domingo

12 de Julho de 2020

Fugida de Santos, ‘dama do crime’ é presa na Grande São Paulo

Com prisão preventiva decretada em processo de associação para o tráfico, da 3ª Vara Criminal de São Vicente, Simone Souza Simões, de 39 anos, foi capturada em Taboão da Serra

Investigações da Polícia Civil e do Ministério Público (MP) a apontam como uma espécie de “dama do crime” a serviço do Primeiro Comando da Capital (PCC). Com prisão preventiva decretada em processo de associação para o tráfico, da 3ª Vara Criminal de São Vicente, Simone Souza Simões, de 39 anos, foi capturada na tarde de segunda-feira (4).

Supostos braços nas ruas do companheiro, que está recolhido em uma penitenciária de segurança máxima no Interior, Simone era procurada. Para escapar da ação da Justiça, deixou o apartamento na frente da Praia do José Menino, em Santos, onde morava, para se refugiar em Taboão da Serra, na Região Metropolitana de São Paulo.

Policiais da 1ª Delegacia de Investigações Criminais de Santos (antiga DIG) pretendiam prender Simone em outubro do ano passado. Na época, revistaram com autorização judicial o apartamento do José Menino e outros endereços vinculados à companheira de Jonas dos Santos Júnior, o Pixote, de 38 anos. Porém, não a encontraram.

Naquela ocasião, foram apreendidos R$ 41.700,00 em espécie, cinco minicelulares, cinco celulares comuns, barra de ouro, joias, cadernos com supostas anotações sobre o tráfico de drogas na Baixada Santista e um automóvel Audi Q3. Devido ao tamanho, que facilita a ocultação, os minicelulares cada vez mais ganham a preferência de detentos.

Automóvel Audi Q3 encontrado no apartamento que seria de propriedade da "Dama do Crime" (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

A não localização de Simone não desaminou a equipe do delegado Luiz Ricardo de Lara Dias Júnior e do investigador Paulo Carvalhal. Ao contrário, mexeu com o brio dos policiais, que intensificaram as buscas pela mulher de Pixote. Na segunda-feira, descobriram que o seu esconderijo seria em um condomínio em Taboão da Serra.

Em viaturas descaracterizadas, os investigadores Carvalhal, Alberto Teixeira Filho, Janer Chaves de Lima e Ibrahim El Banat chegaram ao condomínio, que possui várias torres e centenas de apartamentos. Enquanto avaliavam a dificuldade que teriam para apurar a unidade da procurada sem serem percebidos, Simone saiu do local.

A mulher dirigia um Renault Captur e foi seguida. Os policiais interceptaram o veículo a quatro quadras do condomínio, sem riscos à acusada, a outros motoristas e aos próprios agentes. Simone não portava nada de ilícito, mas trazia na bolsa uma foto 3X4 sua e o documento de identidade da irmã. Suspeita-se que ela faria um RG falso com o material.

Antes de trazer Simone para Santos, os policiais revistaram o apartamento dela em Taboão da Serra. Cinco celulares e um pen drive foram apreendidos. A Polícia Civil aguarda aval da Justiça para encaminhar os dispositivos à perícia. O objetivo é extrair dos arquivos dos aparelhos eventuais provas de crimes.

Ao decretar a preventiva de Simone, o juiz Rodrigo Barbosa Sales atribuiu a necessidade da prisão ao “suposto poderio financeiro” da organização criminosa, que poderia prejudicar o normal andamento do processo e a aplicação da lei penal. Ainda justificou a importância da custódia na garantia da ordem pública, evitando a reiteração de delitos.

Crimes de Maio

De acordo com o delegado Lara, com Pixote recolhido ao sistema prisional, Simone seria responsável pela lavagem do dinheiro oriundo do tráfico de drogas e por realizar outras ações do interesse da organização criminosa. O companheiro da “dama do crime” ganhou destaque na crônica policial na madrugada de 13 de maio de 2006.

Nesta data, acompanhado de comparsas, Pixote invadiu a Delegacia de Cubatão e disparou contra dois policiais que estavam de plantão. O bando portava submetralhadora e pistolas. As vítimas foram baleadas sem chance de defesa, mas sobreviveram. O ataque foi o primeiro de uma série deflagrada pelo PCC em todo Estado naquele mês.

Os atentados da facção aterrorizaram a população. No total houve 564 assassinatos e 110 tentativas de homicídio. Boa parte das vítimas foi de agentes públicos de segurança. Os demais alvos das ações seriam criminosos e inocentes eliminados em retaliação aos ataques orquestrados pela facção. Os casos ficaram conhecidos como Crimes de Maio.

Em 16 de junho de 2010, o Tribunal do Júri de Cubatão condenou Pixote a 43 anos de reclusão, em regime inicial fechado, pelo duplo homicídio contra os policiais civis. Além da gravidade do atentado, a sentença destacou a “contumácia do réu na prática de crimes e as incisivas provas de participação em facção criminosa”.

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