[[legacy_image_14988]] A recontagem dos presos do Centro de Progressão Penitenciária (CPP) Dr. Rubens Aleixo Sendin, em Mongaguá, terminou no início da tarde desta terça-feira (17) e confirmou um triste recorde. A fuga em massa ocorrida na véspera foi a segunda maior da história do país. Da única unidade de regime semiaberto da região, escaparam de uma só vez 563 detentos, dos quais 197 haviam sido recapturados até a publicação desta matéria. A evasão ocorreu no fim de tarde de segunda-feira, após os presos se revoltarem com a suspensão das saídas temporárias devido à pandemia de coronavírus. Com capacidade para 1.640 homens, o CPP de Mongaguá abrigava 2.796, conforme balanço da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) da última sexta-feira (13). Esta fuga só perdeu para a ocorrida no CPP de Porto Ferreira, onde escaparam 594 detentos na mesma data. Os indícios são de ação orquestrada no sistema carcerário. Outros estabelecimentos prisionais do estado registraram fugas e/ou rebeliões na segunda-feira. No próprio CPP de Mongaguá, detentos que não conseguiram escapar se amotinaram e renderam sete funcionários. Os reféns foram libertados após negociação da direção da unidade com os rebelados e a entrada do Grupo de Intervenção Rápida (GIR), tropa de elite da SAP. [[legacy_youtube_dOrYooVuf_s]] Mais uma evidência de ação orquestrada se constatou com a recaptura de três detentos, por volta das 2h, no Balneário Itaguaí, em Mongaguá. O trio ocupava um Fiat Uno prata, que o levaria até Mogi das Cruzes, na Região Metropolitana de São Paulo, onde mora um dos fugitivos. O automóvel era dirigido por um quarto homem. Ele e a sua mulher vieram ao Litoral Sul para buscar os foragidos. Porém, guardas civis municipais suspeitaram e mandaram o carro parar. O motorista e os quatro passageiros não portavam documentos, sendo logo descobertas as condições de foragidos de três deles. Neste momento, a mulher se intitulou “mãe de criação” de Wesley Silva Reis, de 24 anos, um dos recapturados. Ela admitiu que auxiliava a fuga do “filho” e de Maicon César Pereira Kindler e Maurício Garagnani Quinta. O casal responderá pelo crime de favorecimento pessoal. Ele teve o Fiat Uno apreendido, porque estava sem a documentação do carro. Suspeita-se que vários fugitivos receberam apoio de pessoas de carro nas imediações do CPP de Mongaguá, pois elas já sabiam do plano de fuga. Os 197 recapturados foram levados de volta à unidade, sendo transferidos nesta terça ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de São Vicente, de regime fechado. Os 563 presos escaparam pela porta de frente após renderem funcionários. Essa modalidade de fuga é conhecida por “cavalo doido”. Vídeo gravado com a câmera de um celular registrou o momento em que a maior parte dos detentos ultrapassa o portão principal do CPP de Mongaguá e foge correndo. A maratona continua para a maioria, mas 197 já encerraram o percurso da prova. [[legacy_image_26578]]