[[legacy_image_345051]] Uma operação integrada envolvendo policiais civis da 2ª Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) e da Gerência de Operações Especiais (GOE), da Delegacia do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), prendeu nesta segunda-feira (25), Raphael Batista Marinho de Carvalho, conhecido como 'Aprontinho', de 33 anos. Ele é considerado um dos fornecedores de munições e armamentos para o crime organizado em Santos. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A prisão ocorreu na casa do de Aprontinho, no bairro Pantanal. Com mandado de busca e apreensão em mãos, os agentes fizeram buscas dentro do imóvel e encontraram drogas, como maconha, skunk, haxixe e droga sintética, além de munições e três armamentos de uso restrito, sendo um fuzil, uma pistola 9mm, um revólver 357 Magnum e um extensor de carregador. O celular do acusado também foi recolhido. De acordo com as Polícia Civil, Raphael Batista fazia uso do certificado de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC) para comprar munições e revender para criminosos da região entre Pantanal, Saboó e Morro do Tetéu. Após pesquisado, foi descoberto que, em 2023, ele havia comprado cerca de 1.200 munições 9mm e 5,56mm, considerado o limite permitido a um CAC. “Ele se aproveitava da licença perante o Exército. Ele deveria estar com essas armas registradas na sua posse, em um endereço específico, e nós encontramos ele em completa desconformidade com essas regulamentações. Nós temos a indicação de que essa licença era apenas uma fachada para que ele pudesse ter acesso a esses armamentos e munições para fazer o comércio clandestinamente aos criminosos daquela comunidade no Pantanal", relata o delegado da Deic, Fabiano Fonseca Barbeiro. [[legacy_image_344958]] Toda venda era realizada por meio do WhatsApp, onde publicava mensagens e fotos dos armamentos, explica Leonardo Amorim Nunes Rivau, delegado titular da Dise. “Nós avançamos em relação a alguns gerentes (do tráfico), já avançamos em relação ao abastecimento na região, que já fizemos algumas prisões relevantes. Interceptamos um carregamento de drogas que estava sendo levado ali. E hoje nós avançamos em relação ao abastecimento de munições e de armas de fogo. Então gradativamente nós vamos avançando em pontos cruciais da organização criminosa”. Com a apreensão do celular do suspeito, uma perícia deve apurar com quem ele se comunicava, tanto para comprar quanto fornecer as munições. O que já foi possível identificar dentro do aparelho de Aprontinho foram fotos e anúncios e, entre elas, uma imagem em que ele aparece ao lado de Alexsander dos Santos, membro do Primeiro Comando da Capital (PCC), conhecido como ‘Caixa’, preso no domingo (24), durante operação policial no Morro São Bento. Segundo as investigações, Caixa é dono de vários pontos de tráfico de drogas e tem envolvimento em uma série de ataques contra policiais. Uma das vítimas foi o papiloscopista Marcelo Cassola, assassinado em 2022. Outras vítimas foram a cabo da Polícia Militar (PM) Najara Batista e o parceiro, que sobreviveram. InvestigaçõesDurante uma ação de combate ao tráfico de drogas em junho de 2023 no bairro Pantanal, um grupo de policiais da Dise foi atacado com uma grande quantidade de disparos de arma de fogo por criminosos. Os agentes revidaram e conseguiram identificar quatro dos agressores. Na troca de tiros, uma mulher foi atingida na perna. À primeiro momento, ela seria uma vítima da troca de tiros, mas, após investigações, foi descoberto que a mulher era irmã do traficante Caixa, considerado um dos mais influentes no bairro Pantanal. Ela tinha como função a responsabilidade de armazenar entorpecentes na comunidade. Desde então, a Polícia Civil tem estudado a região para identificar os envolvidos com o tráfico de drogas e com o comércio ilegal de armamentos. “Nós ficamos sabendo que o namorado dela era o responsável pelo tráfico naquele ponto. Depois, fomos identificando as pessoas responsáveis por esses disparos feitos contra os policiais e a partir dali, chegamos aos gerentes do tráfico de drogas. Hoje prendemos o responsável pelo abastecimento de munições, e confirmamos no celular dele, fotografias dele com o Caixa, demonstrando esse vínculo dele com a liderança do tráfico”, conta Leonardo Rivau. Em outubro de 2023, outra ação da Polícia Civil levou à prisão dois dos chamados gerentes do tráfico entre as comunidades Pantanal e Morro São Bento. Através do celular de um deles, os policiais identificaram mensagens trocadas com Aprontinho, preso nesta segunda, por associação para o tráfico e posse irregular de arma de fogo de uso restrito. De acordo com o delegado Fabiano Barbeiro, o objetivo das investigações e operações, além de combater o tráfico de drogas, é evitar que armamentos cheguem às mãos dos criminosos. “Estamos agindo de forma preventiva para evitar essas ações violentas. Só este ano, as ações de confronto ou atentados criminosos deixaram mortos ou feridos mais de 10 policiais. Nós estamos nos esforçando para evitar isso e garantir a segurança da população.”