Bruno Eustáquio Vieira e sua mãe, Márcia Lanzane, morta por ele em 21 de dezembro de 2020 (Arquivo pessoal) Bruno Eustáquio Vieira, de 28 anos, foi condenado a 27 anos de prisão por matar por asfixia a própria mãe, Márcia Lanzane, em dezembro de 2020, em Guarujá, no litoral de São Paulo. Ele foi condenado por homicídio qualificado, pela impossibilidade de defesa da vítima e também por feminicídio. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Foram mais de 12 horas de julgamento no Fórum de Guarujá nesta quinta-feira (16) e a sentença saiu depois das 23 horas. O advogado de defesa de Bruno, Anderson Real, já entrou com recurso contra a decisão. Em entrevista à TV Tribuna, as irmãs da vítima, Mariusa da Quadra e Minervina Lanzana da Quadra, disseram sentir um certo alívio com a condenação, mas lembraram que nada vai trazer Márcia de volta. A juíza Karine Pizzani Miranda, que presidiu o júri, evidenciou as circunstâncias do crime, dentro da casa de Márcia, "onde tinha legítima expectativa de segurança, cometido por pessoa da sua confiança". "O dolo é exacerbado, demonstrado pela frieza e dissimulação após os fatos. Valoro negativamente, ainda, as consequências do crime. Foi relatado, de modo emocionado e consistente, pelas testemunhas de acusação, o extremo abalo psicológico à família causado pelos fatos praticados pelo réu. Está comprovado que o ocorrido excede o sofrimento natural decorrente do luto. O fato causou graves problemas familiares de ordem psicológica, tanto para as irmãs quanto para as sobrinhas da vítima", escreveu. Em depoimento no plenário, segundo informações da TV Tribuna, Bruno disse que teve um surto em meio a uma discussão. O início teria sido após a mãe ter ameaçado contar ao pai que ele estaria usando drogas quando, de acordo com Bruno, seria um medicamento para disfunção erétil. O filho também disse que a briga teria começado após Márcia dar um tapa no rosto dele, tudo desmentido por Mariusa, uma das irmãs da vítima. Bruno passou por vários estados e ficou foragido por aproximadamente três anos e meio até ser preso na tarde de 8 de julho de 2024, no bairro Caiçara, em Belo Horizonte (MG), após buscas realizadas pelas tias por meio de uma postagem de um pet shop. Ele saia de um imóvel na Rua Atalaia quando uma equipe da Polícia Militar o avistou. Os agentes abordaram o acusado e deram ordem de prisão. Ele resistiu e foi necessário o uso de manobras de imobilização. Bruno foi conduzido à Delegacia de Plantão para o cumprimento da prisão. Relembre o caso O corpo de Márcia Lanzane foi encontrado na casa onde ela e o filho moravam, no bairro Sítio Cachoeira, em 21 de dezembro de 2020. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e constatou o óbito. Câmeras de monitoramento registraram, na noite anterior, o momento em que Bruno entrou em luta corporal com a mãe. Após a queda dos dois no chão, ele utilizou as duas mãos para esganá-la. Márcia tentou resistir, mas não conseguiu. Pelas imagens, o filho chegou a se certificar de que a mãe ainda tinha batimentos. Depois do crime, voltou para a sala e assistiu à televisão. A princípio, Bruno afirmou em depoimento que não teve envolvimento na morte, mas mudou a versão após novas suspeitas levantadas pelos policiais. O jovem confessou que houve uma discussão e disse que a mãe teria morrido acidentalmente ao bater a cabeça após um empurrão. O sistema DVR que registrou as imagens estava escondido dentro do forno do fogão. Bruno indicou aos policiais onde o aparelho estava e alegou ter escondido por medo. Uma das tias dele e irmã de Márcia afirmou para A Tribuna que o sobrinho montou uma cena para simular um acidente. As imagens mostraram toda a movimentação dentro da residência, desde a luta corporal até Bruno deixando a casa na manhã seguinte em uma motocicleta. Ele disse que saiu para treinar e, ao voltar, telefonou para familiares e para a polícia dizendo ter encontrado a mãe morta. A morte foi confirmada no dia 22 de dezembro, após atendimento do Samu e presença da Polícia Militar. Em depoimento inicial, Bruno negou envolvimento e alegou morte acidental. Ele foi liberado após prestar depoimento, e o caso seguiu sob investigação da Polícia Civil. Posteriormente, a Justiça decretou a prisão preventiva do réu após pedido do Ministério Público, que apontou indícios de autoria e provas do crime, incluindo o próprio relato do acusado de que empurrou a mãe.