[[legacy_image_274780]] Uma abordagem da Polícia Militar (PM) na Vila Margarida, em São Vicente, nesta quarta-feira (14), gerou polêmica. O comerciante Guilherme Silva Peretto, de 21 anos, acusa os policiais xingamentos e agressões, com tapas e chutes. Ele ficou com um hematoma no pescoço e diz não entender o motivo da abordagem. O caso aconteceu na Rua Marechal Mascarenhas de Moraes, às 15h20. Guilherme, que é filho do vereador Tiago Peretto (PL), da Câmara de São Vicente, estaria indo de carro até uma costureira entregar uma sacola de roupas para serem consertadas, quando foi abordado pelos agentes. Versões diferentes No boletim de ocorrência, obtido por A Tribuna, há versões distintas sobre o ocorrido. Os policiais alegam que viram o carro conduzido por Guilherme "insufilmado e arrancando bruscamente" na Rua Rio Serchio, e seguiram o monitoramento até o destino final do veículo. No local dos fatos, os agentes disseram que viram o carro parando em cima da calçada, sem qualquer desembarque, com a porta do motorista sendo aberta e fechada, o que despertou suspeita. Na sequência, viram Guilherme levando uma sacola até o estabelecimento e voltando sem ela. Os agentes afirmaram na delegacia que o jovem se negava a ser abordado, além de negarem ter desferido tapas contra ele. Durante a abordagem, o celular de Guilherme tocou. De início, os policiais não permitiram que ele atendesse, mas o jovem insistiu. Na linha, era o vereador e pai do jovem, que foi até o local. Confusão O comerciante relatou à Polícia Civil que recebeu um golpe nas pernas por parte de um dos policiais, além de um tapa na face vindo de outro agente. Em seguida, um terceiro policial teria apertado o pescoço de Guilherme, segundo relatado no boletim de ocorrência. O jovem negou que tenha arrancado bruscamente com o carro, alegando não ter visto as viaturas. Houve discussão e troca de xingamentos entre o vereador, o filho e os policiais. Após o clima esfriar, os agentes seguiram com as buscas, e nada de ilícito foi encontrado com Guilherme ou dentro do veículo. Ainda conforme o boletim de ocorrência, o vereador disse que, durante a troca de ofensas, um dos policiais admitiu que "desferiu um tapa na face de Guilherme porque o jovem é folgado". O caso foi registrado como lesão corporal e desobediência pelo 2º Distrito Policial (DP) de São Vicente. A Polícia Civil solicitou exames de perícia ao Instituto Médico Legal (IML). "Medo" Em conversa com A Tribuna, Guilherme contou que os agentes tiveram uma abordagem agressiva, insinuando que ele seria ladrão. O jovem trabalha com venda de reciclagem em um ferro-velho. "Quando eles me viram, já estava parado (o carro), então não tem como eu ter arrancado bruscamente. Eles só pediram para colocar o carro na calçada e já vieram me batendo. Falaram para mim que eu era ladrão, porque era novo com meu carro e que com um veículo desses só podia ser ladrão. Me agrediram e não deixaram nem me explicar. Até agora, estou sem entender direito", alegou. Ele reforça a versão de que entregou uma sacola com roupas para uma costureira consertar, já que comprou as peças pela internet e elas não vieram no tamanho adequado. "A gente fica com medo de sair na rua. Eu vim trabalhar hoje (quinta-feira, 15), e vim fora do meu horário. Não estou saindo com meu carro, vim de Uber. Eles tiraram foto do meu veículo, me ameaçaram, falaram que iam me pegar fora de serviço e sabiam onde eu morava. Até agora não consigo compreender o porquê (da abordagem)", desabafou. PosicionamentoEm nota, a Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP) informou que durante patrulhamento os policiais militares viram um Nissan/Kickis arrancando bruscamente. Diante do fato, a equipe se deslocou até a Rua Mascarenhas de Moraes, onde viu o veículo parando em cima da calçada. "Um jovem, de 21 anos, teria resistido à abordagem e, por este motivo, foi necessário o uso moderado da força. Todas as circunstâncias relativas aos fatos são investigadas pelo 2º Distrito Policial de São Vicente e também pela Polícia Militar, que instaurou um procedimento".