[[legacy_image_248968]] "Vamos levando". É com essa frase que a atendente de restaurante Tainara França Vieira dos Santos, de 20 anos, mostra disposição para tentar reconstruir sua vida uma semana após a tragédia. Ela é uma das cinco filhas de Veronice França de Meireles, morta a facadas pelo marido, Francisco Vieira dos Santos Filho, que se jogou em seguida do quarto andar de um prédio na Nova Cintra, em Santos. Segundo ela, o motivo do crime seria ciúmes. "Pra gente que é família, temos que ele planejou isso tudo", resume. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A atendente conta que Veronice foi à Bahia ver a mãe, já em meio a ameaças. "Ele já vinha a intimidando há tempos e, mesmo a gente, que é filha. Mas, não levávamos a sério, porque meu pai falava essas coisas após uso de drogas ou bêbado e, no outro dia, ele ficava normal", conta.Compartilhe agora essa notícia por WhatsApp clicando aqui Tainara conta que Francisco ameaçava sua mãe pelo celular e que chegou a pensar em várias ocasiões a denunciá-lo à polícia, mas não o fez por medo. "Quando falava em fazer denúncia, ele a ameaçava. Passava uma ou duas semanas normal, mas depois voltava. Minha mãe tinha mais medo do que ele poderia fazer com ela", alega. O ocorridoA atendente reforça que as ameaças existiam, mas seu pai não chegara a encostar a mão em Veronice. Só que ele queria dinheiro, o que era negado pela vítima. "Ela não dava, porque era dinheiro de conta do prédio, que ele insistia de pegar para comprar a droga. Ele era viciado", resume. Na última quinta-feira (16), Veronice levou a filha menor, de 9 anos, à escola. Assim que ela regressou ao prédio, o seu pai já aguardava na escada, segundo a filha, atento à movimentação das pessoas. Quando sua mãe foi para o apartamento, disse que iria ao encontro de algumas amigas, quando foi trancada por Francisco no quarto, onde desferiu as facadas. Ela conta que, antes do crime, o pai havia consumido drogas. "No dia do ocorrido, eu estava dormindo. Minha irmã mais velha chegou desesperada em casa com a notícia. Eu desmaiei, chorei muito, não estava acreditando. "Minha mãe, não!". Ela contou e a gente saiu correndo no desespero para o prédio. Foi quando vi minha mãe e meu pai no chão. Aí não aguentei. Bateu desespero", sintetiza. SolidariedadeLogo em seguida à tragédia, a filha do casal teve que lidar com outro problema urgente; custear os funerais de ambos. O do pai foi pago por um tio. Já o da mãe foi pago como dinheiro arrecadado por doações via Pix. "Pedimos ajuda aos familiares e a quem poderia ajudar. Consegui arrecadar uma parte, minha irmã e minha tia também. Fomos colcocando o dinheiro que tinha, e conseguimos chegar no valor que precisava", explica. O valor foi suficiente para fazer o velório, colocar as coroas e pagar a campa. "Sobrou um pouco para comprar roupas para minha irmã mais nova. Na hora da tragédia, as roupas estavam em cima da cama e sujou tudo". AbsurdoTaianra conta que o que sobrou, também, foi falta de escrúpulos de uma pessoa que entrou no apartamento antes mesmo da polícia e fez fotos do cenário de terror daquele dia, logos espalhadas pelas redes sociais. "A gente está à procura dessa pessoa que fez uma tremenda sacanagem. Dói demais na gente", finaliza a atendente.