Candidato a vereador 'Clebinho Favelado' foi preso no 1° DP de Guarujá por não pagar pensão alimentícia (Reprodução/Instagram e Alexsander Ferraz/Arquivo AT) Aos 19 anos, a estudante Rayssa Araújo Guimarães Oliveira, filha do candidato a vereador Cleber Guimarães de Oliveira, mais conhecido como Clebinho Favelado (Novo), viu o pai ser preso em Guarujá, Litoral de São Paulo. Apesar do motivo da prisão ser a falta de pagamento da pensão alimentícia a ela e ao irmão gêmeo, ela conta que se surpreendeu com o mandado cumprido na última terça-feira (27). “A gente ficou tão surpresa quanto ele”, revelou. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Isso porque, segundo a jovem, o processo corre na Justiça há cerca de quatro anos, muito antes dela e o irmão chegarem à maioridade. Clebinho foi solto no dia seguinte após passar por audiência de custódia e se pronunciou nas redes sociais por meio de um vídeo, onde conta ter passado as piores 24 horas da vida e expõe um áudio da filha chorando, pedindo para passar a semana com o pai. “Ao sair, eu fiquei surpreendido ao ver o que a minha filha falou de mim. Como se eu fosse um estranho na vida dela. E se eu fosse essa pessoa tão ruim, talvez eu não receberia uma mensagem dessa”, disse ele antes de reproduzir o áudio. No entanto, a versão contada pela jovem é diferente. “Meu grau de relação com o meu pai existe apenas em datas comemorativas”, afirmou Rayssa. Segundo ela, mesmo morando na mesma rua, a última vez que passou tempo com Clebinho foi há um ano, no Dia dos Pais de 2023, data em que foi tirada a foto que o candidato a vereador expõe no vídeo em que se pronuncia sobre a prisão. O posicionamento, onde ele também mostra o áudio enviado pela filha, revoltou a jovem. “Se ele é capaz de expor a própria filha ao ridículo, ele é capaz de fazer muita coisa. Se ele não luta pelos seus, ele não vai lutar por pessoas que não conhece”. Conforme a estudante, Clebinho deixou de ter contato com ela e o irmão gêmeo quando se divorciou da mãe deles. As crianças tinham cinco anos. No Dia dos Pais em questão, ela admitiu que não o parabenizou de propósito. “O meu padrasto é mais pai do que ele, porque foi quem me ensinou sobre educação e alimentou a mim e ao meu irmão”, diz Rayssa. Clebinho, de 35 anos, foi preso por dever R\$ 14.186,07 de pensão alimentícia aos filhos gêmeos, fruto de um relacionamento que teve quando adolescente. Logo após ser comunicado sobre a prisão, o candidato postou um vídeo nas redes sociais onde justifica que os filhos já são maiores de idade e que esqueceu de pedir “baixa” no sistema, ou seja, entrar com uma ação judicial para cancelar a pensão alimentícia após os jovens atingirem a maioridade. O que diz a lei? A pensão alimentícia é um valor pago a partir de um acordo pessoal ou determinado pela Justiça. Ela engloba as necessidades de moradia, alimentação, lazer, educação, saúde, entre outras. Quem tem direito à pensão são filhos menores de 18 anos. Os maiores (até 24 anos) também podem receber pensão desde que estejam estudando em curso profissionalizante (técnico), faculdade ou curso pré-vestibular. Ainda podem ter direito a pensão ex-cônjuge ou ex-companheiro(a), grávidas e parentes próximos com necessidade comprovada. A prisão por falta de pagamento acontece quando o devedor deixa de pagar a pessoa beneficiada. Ela não é criminal, ou seja, não é decorrente da condenação de um crime — trata-se de uma medida excepcional, usada como meio de coerção para que o devedor cumpra a obrigação por ele assumida. O devedor deve fazer o pagamento em até três dias após receber o aviso da cobrança. Caso contrário, pode ficar preso de 30 a 90 dias. Assim que há o pagamento, o juiz suspende o cumprimento da ordem de prisão. Nesse caso, pode ser feita a cobrança de, no máximo, três meses de atraso. O que diz o Novo? O presidente do Novo em Guarujá, Marcelo dos Santos Pinto, diz que tanto ele quanto o partido não sabiam da prisão. Também alega que Clebinho entregou todas as certidões e que estava tudo certo com a candidatura. O presidente do Novo acrescenta que a pensão alimentícia é de cunho pessoal, por isso não tem acesso a tal informação. Em um vídeo nas redes sociais, o candidato a prefeito Claudio Fernando Aguiar, do mesmo partido, afirma que Clebinho errou e que os companheiros da sigla fizeram uma vaquinha para levantar o valor da dívida. Ainda afirmou que o fato tem sido motivo de ataques às candidaturas do Novo.