José Francisco deixou a esposa e duas filhas (Arquivo Pessoal) O vendedor José Francisco Soares Irmão, que morreu aos 61 anos após levar um soco de um concorrente, tinha o sonho de comprar uma casa própria para a família. O homem deixou a esposa de 44 anos e duas filhas, de 8 e 13, depois de ficar 14 dias internado em Cubatão. Os parentes quase não conseguiram vê-lo pela última vez. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! José morreu devido a complicações após ter sido agredido por um outro vendedor de balões em um evento celebrando o Dia das Crianças no Parque Anilinas, no Centro. O indiciado, de 28 anos, contou à Polícia Civil que os dois discutiram após uma venda interrompida e confessou ter dado o soco que derrubou a vítima instantes depois, que veio a convulsionar. O ambulante ficou 14 dias internado na UTI e morreu no último sábado (26). Neste momento, a esposa do vendedor, Silvana de Oliveira, relatou que estava acompanhando uma festa na escola de karatê de uma de suas filhas. Apenas quando recebeu uma ligação do pronto-socorro (PS) que ficou ciente do que teria acontecido com o marido. Assim que chegou ao local, Silvana comentou que foi informada que o caso de José era grave e havia pouca chance de sobreviver. Foram dias visitando o marido na UTI, até que um boletim médico indicou que ele poderia estar partindo. Isso fez com que a esposa dele lutasse para que as filhas pudessem se despedir. “Tinham feito uma tomografia nele, mas não tinha boa notícia. Ele teve uma parada cardíaca na segunda-feira (21 de outubro) e duas na terça (22 de outubro) e os órgãos dele estavam começando a infeccionar, podiam parar a qualquer momento. Foi onde fiquei desesperada para poder liberar as nossas filhas”, conta. Depois de muita luta, Silvana conseguiu levar as filhas em uma visita e as duas tiveram a chance de falar com o pai ainda em vida horas antes de sua partida. “Perguntei se elas queriam ver o pai e se despedir. Elas quiseram. A psicóloga e assistente social também perguntou. Elas foram ver o pai e conversaram, mesmo com ele sedado.” “Disseram: ‘papai, eu te amo muito’. Falaram para ele para subir (para o céu) em paz, que elas iam ficar bem e eu também falei para ele que fosse em paz. Pedi para Deus que fosse o melhor para ele. Que fizesse a vontade D’ele e não a nossa. A nossa (vontade) era que ele ficasse, mas a médica falou que ele ia ficar vegetando e não era nem o que ele queria”, ressalta. Traumas De acordo com Silvana, a equipe médica informou que o soco pegou na lateral do rosto e causou um trauma. “Deu um sangramento dentro do cérebro e chegou a fechar o vaso, estancou o sangue. O cérebro estava dando um jeito com o organismo dele para poder tirar aos poucos, só que na segunda passada deu essas paradas cardíacas nele.” O mesmo trauma causado em José se ramificou entre a família, segundo Silvana. A esposa de José afirmou estar péssima desde então e que ainda está sem acreditar em tudo que aconteceu com o marido. Enquanto isso, as filhas também estão abaladas com a partida dele. “Ele era tudo para mim. Era um grande pai, um grande marido. Sempre levantava cedo para fazer café e trazer para a gente na cama. O dia que eu levantava cedo para fazer, ele falava: ‘Não, volta para cama que essa parte é minha’. A gente se entendia muito bem, sempre foi assim nos 17 anos de casamento”, destaca. Relembre o caso O vendedor de balões infláveis estava internado desde o Dia das Crianças, quando um concorrente, de 28, lhe deu um soco após uma discussão que o causou convulsões no Parque Anilinas, em Cubatão. O caso aconteceu na tarde do dia 12 de outubro, um sábado, enquanto os dois trabalhavam no parque, que fica na Avenida 9 de Abril, no Centro. O crime aconteceu na frente das famílias que ali estavam para celebrar a data comemorativa. De acordo com o boletim de ocorrência, policiais militares (PMs) foram até o local para atender a uma ocorrência de agressão entre dois homens. Chegando ao local, a equipe encontrou o autor perto de sua mercadoria e a vítima já tinha sido resgatada pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). José foi levado ao Pronto-Socorro (PS) de Cubatão, onde foi internado e ficou na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por 14 dias. Segundo sua esposa, ele estava convulsionado e foi mantido por uma outra ambulante que estava no local e fez massagens cardíacas no homem caído. Questionado pela equipe, o suspeito justificou que estava trabalhando na entrada do Parque Anilinas também vendendo balões infláveis. Em determinado momento, José teria lhe perguntado de forma agressiva o motivo de ter dado um balão de graça para uma criança, começando uma discussão. O indiciado ressaltou que José estaria se mexendo ‘de forma abrupta e agressiva’, demonstrando que iria lhe agredir. Sendo assim, o homem confirmou ter dado um soco no rosto do concorrente, mas como forma de se defender. Além disso, o homem também narrou que, logo após o soco, José teria procurado por algum pertence pessoal no seu material de trabalho e acabou desmaiando. O socorro foi chamado por testemunhas. Ele não foi preso, mas foi levado à delegacia. Segundo a Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP), o caso segue sendo investigado, por meio de inquérito policial, no 1º Distrito Policial (DP) de Cubatão. Entretanto, a autoridade policial aguarda a elaboração do laudo necroscópico para analisar a causa da morte. Atualmente, a SSP declarou que foi realizada a oitiva com o autor e agora as testemunhas serão ouvidas. A pasta informou que mais detalhes serão preservados para garantir autonomia ao trabalho policial.