[[legacy_image_333271]] O homem que morreu após ser baleado por policiais da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) no bairro Jóquei Clube, em São Vicente, não tinha envolvimento com o tráfico e era catador de latinhas. Essas são afirmações de familiares de José Marcos Nunes da Silva, de 45 anos, à reportagem de A Tribuna, dadas na terça-feira (5). Segundo a família, José morava em um barraco simples na Avenida Sambaiatuba, e tinha três filhas biológicas, além de mais dois de criação. No dia em que tudo aconteceu, ele teria voltado do trabalho e passado para ver uma das filhas, e quando estava voltando para a casa durante a madrugada, foi abordado pelos policiais. “Foi praticamente na porta. O pegaram e levaram pra casa dele, e bateram muito”, conta um dos familiares. Vizinhos teriam ouvido José pedindo para que não o matassem, e que era trabalhador. Enquanto implorava pela vida, o catador também tinha dito que amava as filhas. “Ele gritava. A ex-mulher dele foi tentar ver o que estava acontecendo, mas foi impedida pelos policiais, que disseram ‘vocês não vão entrar, porque nós vamos matar ele’”, relata. O familiar conta que a mulher teria ficado com medo e saiu correndo, e foi quando escutou o barulho de três tiros . “Ele não tinha arma nenhuma, nunca mexeu com essas coisas. Depois de morto, colocaram uma arma na mão dele para dizer que ele tinha atirado, mas não foi ele. O José não era traficante, ele trabalhava, não fazia mal a ninguém”, comenta. No dia do ocorrido, a Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP) divulgou uma nota dizendo que um homem tinha morrido depois de atirar contra policiais militares da Rota. Na nota, ainda é relatado que os PMs deram ordem de parada ao suspeito, que tentou fugir a pé e teria ido na direção dos agentes, e foi quando atiraram nele. No imóvel, teriam sido encontrados um caderno com anotações do tráfico de drogas, uma mochila com 439 porções de maconha, 113 eppendorfs com cocaína, duas pedras de crack, um frasco de lança-perfume e uma pistola calibre 9mm. “Isso foi uma crueldade. Cadê a prova do crime? Cadê a arma? É isso que eu queria saber, porque ele morreu inocentemente. Não tinha droga nenhuma lá, eles forjaram isso. Depois que ele estava morto, colocaram uma lona por cima e os arrastaram para a viatura para levar para o Pronto Socorro, mas ele já tinha morrido”, conta um familiar. Apesar de acreditarem que o caso foi uma injustiça, alguns familiares optaram por não se manifestarem por medo. Alguns deles disseram terem sido ameaçados pela polícia, que teria dito que voltaria ao local. De acordo com a SSP, a autoridade policial solicitou exames periciais ao Instituto de Criminalística e ao Instituto Médico Legal e o caso foi registrado na Delegacia de São Vicente como resistência, drogas sem autorização ou em desacordo, posse/porte ilegal de arma de fogo e morte decorrente de intervenção policial. Ainda conforme a SSP, a Polícia Civil segue em diligências para o esclarecimento dos fatos e o caso também é acompanhado pela Polícia Militar. Operação escudoAté o momento, segundo a SSP, sete homens suspeitos foram mortos pela Rota durante a Operação Escudo, que começou após o assassinato do policial militar da Rota, Samuel Wesley Cosmo, de 35 anos, na noite de 2 de janeiro, em Santos.