Família de jovem morto no Litoral de SP diz que polícia tirou a vida de um 'civil trabalhador'

Irmã da vítima diz que jovem foi morto à queima-roupa, após ser autorizado a passar entre os policiais

Por: ATribuna.com.br  -  17/02/24  -  07:12
Atualizado em 17/02/24 - 07:40
  Foto: Arquivo pessoal

O homem, de 23 anos, morto por policiais militares na tarde de quinta-feira (15) na comunidade Maré Mansa, em Guarujá, ‘foi morto à queima roupa pela polícia’, afirma a irmã da vítima. No dia do óbito, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) disse ter ocorrido uma troca de tiros contra criminosos, mas a família contesta essa informação.


De acordo com Ana Caroline da Silva Diniz, 26, o irmão, Luiz Antônio da Silva Diniz, era um trabalhador e ajudava a comunidade realizando diversas ações sociais. “Ele limpava o bairro, fazia qualquer coisa para ajudar a população. Ele não tem arma, não é envolvido com o tráfico, nada disso, então não tem como ele ter arma”.


Caroline conta que ele havia acabado de sair do trabalho e foi até a casa de um conhecido para pedir para trabalhar em uma obra, como um “bico”. Ao voltar, atravessou um beco e se encontrou com diversos policiais que faziam o patrulhamento no bairro. Porém, os próprios policiais teriam dado passagem a ele.


“Eles estavam fazendo operação na nossa comunidade. O meu irmão passou pelo beco e, voltando para casa, se deparou com eles [policiais] e eles deram abertura para ele passar. E aí ele atirou no meu irmão. Simplesmente assim. O meu irmão foi baleado. O meu irmão foi morto pela polícia.”


O vereador Jailton Sorriso (PRTB) é conhecido no bairro Maré Mansa por promover uma série de ações sociais, e diz que conhecia a vítima. “O menino é trabalhador. Esse menino que morreu trabalhava comigo, limpava o bairro, fazia trabalho voluntário (...) Toda a comunidade sabe a origem do menino.”


Ele também sustenta o fato de Luiz ter sido morto pelos agentes. "Os policiais olharam para o rapaz e ainda falaram que poderia passar. Ele autorizou o rapaz a passar, e, quando passou, tirou a sua vida. E ele [policial] não autorizou a família a socorrer o rapaz. Agora a irmã vai na delegacia para fazer um depoimento porque [a polícia] tirou a vida do rapaz. Até quando isso vai?”, questiona.


Sorriso condena a forma como os agentes têm atuado durante os patrulhamentos e pede mais humanidade. “Acho que a pessoa, policial militar do Choque, tem que ter um pouco de bom senso. Não temos nada com a vida deles. Eles entram na comunidade e fazem o trabalho deles, mas tem que respeitar o trabalhador, e não tirar a sua vida. Nós não podemos ser tratados como qualquer pessoa”, afirmou.


Segundo Ana Caroline, irmã da vítima, depois de atirarem, os PMs foram ver se a o rapaz tinha passagem pela polícia. “Eles deram um tiro de fuzil, à queima roupa, e aí que foram ver se ele tinha passagem, e viram que ele não tinha. Eles tentaram socorrer, porém não conseguiram, porque eles já tinham matado meu irmão”, reclama.


Ainda conforme Ana Caroline, Luiz era solteiro, morava com a mãe e não tinha filhos. A mãe do rapaz está inconsolável.


SSP

Momentos após o homicídio, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que foi registrada uma troca de tiros na comunidade Maré Mansa. Durante patrulhamento, policiais militares identificaram suspeitos traficando drogas e, ao tentar fazer uma abordagem, foram recebidos a tiros. Como resposta, revidaram, atingindo um suspeito. A SSP informou ainda que a vítima foi socorrida e levada para o hospital, mas não resistiu. A pasta ainda afirma que osuspeito tinha passagens por roubo, furto, tráfico de drogas e lesão corporal e com ele foram apreendidas uma pistola e milhares de porções de entorpecentes.


Porém, após os relatos da família e do vereador, a reportagem de A Tribuna voltou a procurar a SSP para falar sobre o caso. Em nota, a pastas respondeu que todas as circunstâncias relativas ao caso ocorrido na última quinta-feira (15), no bairro Mar e Céu, no Guarujá, são investigadas por meio de inquéritos instaurados pelas polícias Civil e Militar. Por fim, a SSP ressalta que a Corregedoria da PM está disponível para apurar qualquer acusação contra agentes da instituição.


Momentos após o homicídio, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que foi registrada uma troca de tiros na comunidade Maré Mansa. Durante patrulhamento, policiais militares identificaram suspeitos traficando drogas e, ao tentar fazer uma abordagem, foram recebidos a tiros. Como resposta, revidaram, atingindo um suspeito. A SSP informou ainda que a vítima foi socorrida e levada para o hospital, mas não resistiu. a pasta ainda afirma que O suspeito tinha passagens por roubo, furto, tráfico de drogas e lesão corporal.O suspeito tinha passagens por roubo, furto, tráfico de drogas e lesão corporal.


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