[[legacy_image_284339]] Familiares de Antônio de Assis Souza, homem de 47 anos que morreu após levar três tiros de um policial militar, afirma que o rapaz possuía diagnóstico de esquizofrenia e estava em surto no momento em que foi baleado dentro do supermercado Atacadão de Guarujá, no litoral de São Paulo. O caso aconteceu na última quarta-feira (26). A Tribuna teve acesso a laudos médicos enviados pelo advogado e parente do homem, Ivan Liberato. Os documentos do Centro de Atendimento Psicossocial de Guarujá (Caps) atestam esquizofrenia paranoide e reforçam que os quadros de delírios do rapaz registrados desde 2017. De acordo com o parente, Antônio tratava o transtorno com medicamentos e, durante os surtos, gritava ser “imortal” e “dono da polícia”, termos que o rapaz utilizou enquanto estava conversando com os policiais dentro do atacadista. No vídeo do momento em que o policial atirou contra o homem é possível ouvir a fala. A família do rapaz ainda estuda as medidas que pretende adotar. Porém, Ivan ressalta que não houve tentativa de assalto e diz que Antônio nunca cometeu crime algum, por isso não possui antecedentes criminais. “Além de ser vítima da violência policial, a memória do Antônio está sendo vítima da fake news. Exigimos justiça. Ainda estamos muito transtornados com o que aconteceu, estamos absorvendo tudo que está acontecendo. A imagem dele ficou muito ferida após o acontecido”, comenta. Ivan acredita em despreparo dos PMs ao lidar com um homem em surto e agora busca por uma apuração mais detalhada para entender o que aconteceu, afinal o boletim de ocorrência tem apenas o relato dos agentes sobre o ocorrido. Para isso, ele conta que está reunindo provas e testemunhas. Antônio não tinha filhos e veio da Paraíba para o litoral de São Paulo aos 18 anos para tentar uma vida melhor. O homem atuava como pedreiro autônomo e apenas foi diagnosticado com esquizofrenia após ter contraído uma tuberculose e o hospital ter encaminhado o rapaz ao Caps. Segundo o parente, o homem morava sozinho e levava uma vida normal. Ivan conta que ele não tinha um comportamento violento com os familiares e tinha lucidez. “Ele foi uma vítima de uma injustiça, de um despreparo de identificar que se tratava de uma pessoa esquizofrênica que precisava de um atendimento médico e não de tiros”. “Ele nunca roubou, nunca teve atitude nesse aspecto de furto ou pegar alguém de vítima. Ele nunca fez isso. O que houve foi uma atitude policial desproporcional, estavam quatro homens e poderiam ter contido ele com uma ‘faquinha’. Poderiam ter utilizado outros meios e isso causa indignação na gente”, afirma. Sobre o momento do crime, Ivan relata que as imagens não são claras e a família não tem mais informações sobre o que aconteceu na situação. Ele não contesta que Antônio estava armado com faca, mas pretende pegar as imagens de monitoramento e entender claramente o que aconteceu. Os parentes do rapaz descobriram sobre o caso após obterem os vídeos, que circulavam por toda a internet, e notaram uma semelhança entre o homem baleado e o familiar. Então, a irmã de Antônio decidiu ir para a delegacia procurar entender o que tinha acontecido e esclarecer que ele possuía um transtorno mental. A Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP) informou, em nota, que todas as circunstâncias são investigadas por meio de inquérito policial pela Delegacia do Guarujá. Também reforçou que a PM instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM). “As polícias trabalham realizando diligências e coletando informações para esclarecer os fatos”.