[[legacy_image_290834]] A família de Vinicius de Souza Silva, de 20 anos, que foi morto durante uma ação de policiais militares do Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep)pela Operação Escudo, por volta de meio-dia desta segunda-feira (21), no Morro Santa Maria, em Santos, alega que não houve confronto, como registraram os PMs. Moradores fizeram protesto no morro.(veja no vídeo mais abaixo) “Eles já chegaram atirando. Ele se assustou e saiu correndo, assim como toda a população que estava no local. Só que por onde ele correu dava sentido a área de mata. Mas não houve troca de tiros, como eles (PMs) estão falando, são eles que já sobem o morro atirando”, contou uma tia de Vinicius, que prefere não ter o nome revelado. Além disso, familiares afirmam que houve demora para o socorro do rapaz. Segundo relatos, os policiais do Baep demoraram 1h30 para deixaram o resgate do Corpo de Bombeiros prestarem auxílio e encaminharem Vinicius ao pronto-socorro. “Quando eu subi (o morro) disseram que tinha sido encaminhado para Santa Casa, eu fui lá e ele não estava. Fui na Beneficência Portuguesa e nada, na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da Zona Noroeste e também não estava. Depois de 1h30 é que eles (PMs) falaram que ele tinha acabado de chegar na Santa Casa. Se ele tinha alguma chance de vida, com essa demora perdeu essa chance”, conta um familiar. A família também questiona a causa da morte, já que ao reconhecer o corpo, afirma que Vinicius estava irreconhecível devido aos ferimentos no rosto. “Ele tomou um tomou um tiro na perna, por conta disto que ele morreu. Mas ele estava com diversos ferimentos na cabeça. Ele é loiro e o cabelo dele estava até ruivo de tanto sangue”. Ainda de acordo com a família, o jovem, que completou 20 anos neste domingo (20), se envolveu "com pessoas erradas" e teria "cometido alguns delitos", mas "merecia ser preso e não morto". [[legacy_image_290835]] “Por que não prenderam ele? Ele tinha 20 anos, ele iria pagar o que deve e teria uma nova oportunidade. Agora bateram nele, fizeram um monte de coisa com ele, sem ele ter como se defender. Foi uma covardia”, afirmam os familiares. O corpo do Vinicius foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Praia Grande, onde uma perícia será realizada para atestar a causa da morte dele. Segundo a família o documento deve sair ficar pronto nesta terça-feira (22). Os moradores da comunidade revoltados com a situação montaram uma barreira na entrada do morro em protesto contra a ação do polícia. Em nota, a Santa Casa de Santos confirmou que recebeu um paciente com ferimento por arma de fogo, mas que ele já chegou sem vida. Disse ainda que o corpo foi encaminhado ao IML e que não tem autorização para prestar mais informações sobre o paciente. Em nota, a Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP) disse que os policiais estavam em diligências na região, quando um grupo atirou contra eles, que revidaram. Disse ainda que um dos suspeitos foi baleado e levado à Santa Casa, mas não resistiu aos ferimentos. Ainda segundo a SSP, com ele foram apreendidas uma pistola, porções de cocaína e maconha. Questionados sobre a acusação da família quanto às agressões e a demora pelo resgate, a SSP não respondeu. De acordo com a PM, o homem morreu durante confronto com a equipe policial que estava em operação na Rua Sete. Não foi informado em que parte do corpo ele foi atingido por tiros. Operação escudoCom a morte de Vinícius, o número de suspeitos mortos durante Operação Escudo subiu para 20. A operação começou em 28 de julho com a morte do soldado da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) Patrick Bastos Reis, de 30 anos, que não resistiu ao ser ser baleado durante uma operação na Vila Zilda, em Guarujá.