[[legacy_image_330415]] Uma ligação, horas de sofrimento ‘no escuro’ buscando novas informações e, depois, a desconfiança. Esse é o relato de uma parente de Kaique Silva, de 30 anos. Ele e outros dois homens morreram na manhã da última quarta-feira (24) na comunidade do Dique do Piçarro, no bairro Cidade Náutica, em São Vicente. A Polícia Civil informou que, na data, aconteceu um tiroteio durante uma ação da Polícia Militar (PM) que tinha como objetivo combater o tráfico de drogas no local. Porém, uma parente de Kaique- que optou por não ser identificada- afirmou que a família acredita ter sido uma emboscada. Conversando com os moradores da comunidade, os familiares ouviram relatos de que uma viatura aparentemente ‘vazia’ se aproximava como se fosse uma ronda e, de repente, outra apareceu antecedendo os tiros. Já a polícia afirmou que foi recebida a tiros enquanto verificavam um ponto de venda de drogas. “O que a gente sabe é que a mãe dele (Kaique) recebeu uma ligação pedindo para ir lá no Dique e reconhecer o corpo, porque tinha baleado ele. Ela foi até lá e o corpo já não estava. Falaram que ele ainda saiu de lá com vida. Chegando no hospital, ela reconheceu e ele já tinha morrido. A gente não sabe se morreu no hospital ou no caminho”, comentou a parente. Ainda segundo a mulher, o laudo do Instituto Médico Legal (IML) saiu sem constatar a quantidade de tiros que atingiram Kaique, porém explicou que um deles acertou a nuca e saiu pelo peito. “É muito estranho tudo que divulgaram, as fotos das armas. Pensando de uma forma racional, é meio suicida com uma arma naquele porte alguém descarregar para cima de uma viatura. É óbvio que ia dar errado. Então, a gente acha que talvez não teve essa troca de tiros, mas só foram ali para realmente fazer o que eles queriam fazer”, relatou. Sobre a ligação de Kaique com o crime, a parente confirmou que ele tinha envolvimento com atividades ilícitas, algo que nunca foi bem entendido e aceito pela família. Apesar do reconhecimento de que Kaique tinha ligação com o crime, a parente julga que houve excesso na ação dos policiais. “Em nenhum momento a gente acha que a vida que ele estava era certa, mas acreditamos em humanidade. A gente acha que polícia serve para prender e não matar. Ainda mais da forma bruta que foi”. Versão da políciaDe acordo com a Polícia Civil, a equipe da PM estava realizando patrulhamento no bairro quando foi até um local que funcionava como um ponto de venda de drogas. Ao se aproximarem, os oficiais foram recebidos com tiros dos criminosos e revidaram. Durante o tiroteio, um suspeito ficou ferido, enquanto os demais fugiram. Os criminosos foram surpreendidos por outra viatura em outro local da comunidade. Ao avistarem os PMs, os suspeitos efetuaram novos disparos. Durante o revide, outros dois suspeitos foram feridos. Os três homens acabaram encaminhados para o Pronto Socorro Central de São Vicente, mas não resistiram aos ferimentos e morreram. Os policiais apreenderam porções de droga e as três pistolas utilizadas pelos suspeitos. As armas da corporação usadas na ação também foram apreendidas. O caso foi registrado no 2º Distrito Policial (DP) de São Vicente. As armas usadas pelos policiais foram apreendidas A Tribuna procurou a Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP) para um posicionamento sobre o caso, porém não obteve um retorno até a publicação desta matéria.