[[legacy_image_303026]] A falta de manutenção e o desgaste de um duto do aquecedor causaram as mortesdo empresário José Bezerra de Menezes, conhecido como Binho Bezerra, e da esposa dele, Luciana Bezerra, em Guarujá. A informação é da Polícia Civil, que concluiu o inquérito um mês após os corpos serem encontrados. Vídeo mais abaixo. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! O cômodo onde o vazamento de monóxido de carbono ocorreu era uma área técnica onde funcionavam equipamentos de abastecimento de água. A suíte onde o casal dormia ficava em frente ao recinto e foi invadida por esse gás tóxico. Segundo o delegado Fabiano Barbeiro, titular do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) em Santos, o maquinário não passava por manutenção há aproximadamente dois anos. Após a perícia, foram descartados crimes ou envenamentos intencionais. ‘Mangueira’ apresentou fissuraFabiano Barbeiro explica que os tonéis dentro da área técnica passam por um sistema de aquecimento a gás. Existe uma central que recebe o gás liquefeito de petróleo (GLP)e produz calor, enquanto os reservatórios fazem água fria passar pelo equipamento. Nessa queima, o aparelho usa o GLP como combustível. O sistema que produz calor gera resíduos que saem do ambiente através de um duto flexível, que joga fumaça para fora (chaminé). Acontece que ele se rompeu devido a uma pequena fissura, fazendo com que o monóxido de carbono ficasse no ambiente. “A rachadura foi o suficiente para que a fumaça produto dessa queima, em vez de ser jogada para fora do ambiente, ficasse durante toda a noite, por volta de 7 horas, sendo jogada para dentro desse cômodo. Essa fumaça acabou migrando para o cômodo vizinho, que era a suíte”. O delegado destaca que os maquinários não passavam por manutenção há cerca de dois anos. [[legacy_image_303012]] Processo de fabricação adequado“Primeiro descartamos a possibilidade de que houvesse um equipamento defeituoso. Não, ele não tinha nenhum defeito que pudéssemos atribuir a um processo de fabricação errôneo ou falho. Depois, havia a questão da manutenção, porque o equipamento já tinha um certo tempo de uso”. Também foi apurado que os próprios funcionários da casa ficavam responsáveis por avisar caso o equipamento precisasse de reparos. Não existiam programas para fazer as substituições períodicas preventivas. “Foi falha na manutenção? Acabamos concluindo que sim, porém não podemos atribuir isso à empresa, ao funcionário, que não tem essa responsabilidade. Isso seria, na verdade, uma obrigação do proprietário da casa de observar o funcionamento desses equipamentos e tentar identificar se eles apresentam desgaste, se há alguma peça a ser substituída”. Barbeiro defende que um detector de fumaça poderia ter sido útil na tarefa de alertar a família sobre vazamentos. Casal não estava sozinhoAlém de José e Luciana, havia outras pessoas na casa: funcionários no andar de baixo e um filho do casal, com a namorada, no andar de cima. “Um funcionário abriu essa sala e viu que ela estava toda tomada de fumaça. Aí foi lá e desligou o equipamento. Só que, nesse meio tempo, a fumaça já tinha migrado ao cômodo conexo, que seria a suíte do casal e fica bem em frente”. Segundo o delegado, pequenas aberturas nas paredes, principalmente onde circulam tubulações, foram permeadas pelos gases. A fumaça se precipitou, subiu e se acumulou no teto aos poucos. Com o volume de gases, a massa se expandiu e foi entrando no quarto onde as vítimas estavam. “O perigo do monóxido de carbono é justamente que ele, normalmente, não tem cheiro. Também não tinha uma coloração. De qualquer forma, o casal estava dormindo. O ideal mesmo seria um detector de fumaça, e isso teria sido o suficiente para alertar o pessoal que estava tendo esse mau funcionamento do sistema”. Massa de ar entrou com facilidadeA investigação tentou descobrir se a área técnica do imóvel foi bem projetada e se estava no lugar ideal, segundo as normas técnicas da Engenharia. A conclusão foi que, de qualquer forma, o resultado seria o mesmo. O que mudaria seriam as vítimas atingidas pela intoxicação. Apesar disso, o delegado acredita que levaria muito mais tempo para os demais ocupantes serem intoxicados. A massa de ar passou com uma certa facilidade à suíte do casal devido às aberturas que ele citou. “Eu subi nos cômodos que ficam bem acima dessa sala, que seriam quatro ou cinco quartos, e no último quarto, que fica exatamente acima da sala técnica, percebi um cheiro diferente, mas bem fraco. Acho que não teria sido suficiente, por mais que aquilo ficasse algumas horas a mais expelindo os gases, para provocar mortes”. Relembre o casoO banqueiro cearense José Bezerra de Menezes Neto, conhecido como Binho Bezerra, e a esposa, Luciana Bezerra, foram encontrados mortos em um condomínio de luxo fechado, em Guarujá, no litoral de São Paulo, no dia 9 de setembro. O cachorro da família também morreu. O delegado Wagner Camargo Gouveia, da Delegacia Sede, confirmou que o casal foi encontrado já morto por um dos filhos de Binho Bezerra, por volta das 10 horas. Ele e a namorada ocupavam outro quarto da casa e nada sofreram. Os funcionários também escaparam da intoxicação. Gouveia contou que “o filho achou estranho o pai demorar para acordar e foi até o quarto e constatou que eles estavam em óbito. Foi acionado o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que confirmou a morte e, aí, a gente começou o trabalho da polícia judiciária”. Segundo publicação da revista Forbes em dezembro passado, Binho Bezerra tinha patrimônio avaliado em R\$ 1,55 bilhão. Na época, ele foi listado como o 205º bilionário brasileiro. José era da terceira geração de controladores do BicBanco, hoje CCB Brasil, vendido em 2013 ao China Construction Bank por R\$ 1,62 bilhão.