[[legacy_image_280467]] Um motorista de aplicativo, de 40 anos, foi assaltado por três bandidos jovens por volta das 4 horas de domingo (9), em São Vicente. Ele foi levado para uma comunidade e teve celulares, documentos, dinheiro e o carro roubados. Primeiro os ladrões abordaram uma gerente comercial, que chegava em casa, na Avenida Presidente Wilson, no Itararé, em São Vicente. Ela, que havia acabado de sair de um carro de aplicativo dirigido por um amigo dela, explica que os jovens tentaram abordar o motorista, que recusou a corrida. Enquanto a mulher ia entrando no prédio onde vive, ela afirma que os garotos a chamaram, afirmando que iam a um bar e que, naquele horário, não conseguiam mais ônibus. “Eles falaram que não passava ônibus, que não tinham como usar o aplicativo (de transporte), e perguntaram se teria como eu chamar um motorista para eles”, relata. Ela ainda conta que, enquanto conversava com os jovens, recebeu mensagens de seu amigo motorista que havia deixado-a em casa. Segundo a mulher, ele a alertou de que aquilo poderia ser um golpe, mas, acreditando na boa fé dos jovens, a gerente comercial decidiu ajudá-los. “Eles disseram que esperavam há 40 minutos e que, caso tivessem que andar, eram 15 quadras. Fiquei com pena”, explica. Ela solicitou a corrida. Pouco tempo depois, o motorista chegou e pegou os três infratores. A mulher afirma que, ao entrar em casa, olhou o aplicativo e viu que o carro estava indo para um local diferente do solicitado. “Vi que a corrida estava indo para o México 70, e que o carro parou e ficou lá”, conta. A gerente comercial tentou entrar em contato com o motorista, que não respondeu. A partir daí, ela conta que entrou em pânico. “Eu me apavorei. Comecei a tirar prints (da tela do aplicativo) e liguei para a polícia”. Ainda de acordo com ela, tudo isso aconteceu em um intervalo de 10 minutos. PânicoO motorista, que é morador do Morro da Nova Cintra, em Santos, conta que achou estranho quando chegou ao local e se deparou com os jovens. “Eu ia sair em disparada, mas não deu tempo, porque um deles chegou próximo da minha porta e disse que era para ir para um bar”. Como o bar ficava próximo, ele decidiu atender o pedido dos três criminosos. Chegando no local combinado, eles mandaram o motorista seguir viagem. O destino, agora, era a Vila Margarida. Ao longo desse percurso, o condutor conta que os jovens se exaltaram, pois desconfiaram que ele poderia ser um policial, dada a relutância dele de adentrar na comunidade, considerada perigosa. A partir daí, as ameaças e agressões começaram. “Falaram para mim que se eu fosse da polícia eu ia morrer”, relata. “Fizeram eu dirigir até a Rua Rio Panaro, onde eu parei. Ali, eu saí do carro. Eles me revistaram para ver se estava armado e me chutaram na coxa”. O pânico tornou-se ainda maior quando um quarto homem chegou. Nesse momento, a vítima já havia sido colocada no banco traseiro de seu carro. Esse outro homem, de acordo com o motorista, chegou com uma máquina de cartões. “Ele mandou eu passar as senhas dos cartões, e disse que ia me matar se estivesse mentindo. (As ameaças continuaram) até a hora que ele deu um tiro no chão, falando que o próximo era na minha testa”, relata. Em seguida, ele explica que foi vendado, e, após isso, os bandidos entraram no carro com ele e partiram. “Aparentemente, pelos trancos que senti do carro, eles estavam andando em círculos, dando voltas nos quarteirões”. Nesse percurso, os criminosos roubaram pertences do motorista, inclusive seus documentos. Foi aí que, segundo ele, os bandidos se deram conta de que ele não se tratava de um policial disfarçado. “Depois disso eles deram outras voltas e pararam num local. Pensei comigo: ‘vou morrer aqui’ ”, conta. Quando o carro parou, mandaram o motorista sair correndo. Pouco tempo depois, ele encontrou uma viatura da Polícia Militar Rodoviária, que o levou para o 45º Batalhão da Polícia Militar, em Praia Grande. De lá, ele foi encaminhado para a Central de Polícia Judiciária (CPJ) da Polícia Civil, no bairro Ocian, onde a ocorrência foi registrada. Às 7 horas daquele dia, o irmão dele foi à delegacia buscá-lo. Através do celular do irmão, ele acessou suas redes sociais e alertou sobre o que tinha acontecido. O motorista conta que os criminosos chegaram a apagar as postagens de alerta que ele havia feito. Apesar disso, a publicação surtiu efeito, pois, por volta das 10 horas, um desconhecido entrou em contato avisando que havia visto o carro na Rua Cidade de Santos, na Vila Margarida. “Graças a Deus estou vivo e meu carro foi recuperado. Infelizmente perdi meus documentos, fizeram a limpa nas minhas contas, mas só de estar vivo está bom demais”, desabafa o motorista. De acordo com ele, além dos documentos, foram roubados cerca de R\$ 2 mil e dois aparelhos celulares, sendo um deles de uma outra passageira que havia esquecido no veículo. Além disso, o carro foi danificado pelos bandidos. [[legacy_image_280468]] Crime é investigadoEm nota, a Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP) comunicou que os autores do crime ainda não foram identificados, mas que a Polícia Civil já iniciou as investigações para descobrir a identidade dos criminosos. O caso foi registrado como roubo de veículo, extorsão, localização/apreensão e entrega de veículo. UberA Uber lamentou, em comunicado oficial, “que motoristas parceiros sejam alvo da violência que permeia nossa sociedade” A empresa se colocou à disposição das autoridades para auxiliar nas investigações do caso, e informou que a conta utilizada para solicitar a viagem foi desativada logo que foi tomado conhecimento do episódio. A empresa ainda afirmou que prioriza a segurança e que sempre busca, através da tecnologia, tornar a plataforma mais segura. De acordo com a Uber, o aplicativo já inclui ferramentas de segurança antes, durante e depois de cada viagem, tanto para os usuários quanto para os motoristas parceiros. DefesaA gerente comercial, que havia divulgado o ocorrido nas redes sociais como forma de alerta, afirma ter sofrido diversas críticas e ataques nas respostas de sua postagem. Em nota, a defesa dela manifesta repúdio aos ataques, que podem ser enquadrados nos crimes de difamação e injúria. O comunicado ainda informa que todo e qualquer comentário que ofenda a honra será tratado como crime, e que os autores serão responsabilizados nas esferas cível e criminal. A defesa também comunica que a gerente comercial tem prestado todo o suporte necessário ao motorista, tendo comprado um celular novo para que ele possa voltar a trabalhar e arcado com as despesas do carro, que precisou passar por um funileiro.